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Por: Celso Frauches

Educação Superior Comentada | Políticas, diretrizes, legislação e normas do ensino superior

Ano 2 • Nº 46 • 28 de fevereiro a 5 de março de 2012

<p>A Coluna desta semana &eacute; dedicada ao atendimento de consultas de leitores ou associados da ABMES.</p>

<p><strong>&nbsp;</strong></p>

<p><strong>ALUNO OUVINTE</strong></p>

<p>O aluno ouvinte n&atilde;o &eacute; previsto na legisla&ccedil;&atilde;o aplic&aacute;vel &agrave; educa&ccedil;&atilde;o superior. Pode, contudo, ser aceito, mediante normas editadas pela IES, em seus ordenamentos internos. A IES deve, contudo, informar a esse tipo de aluno os seus direitos e deveres, de acordo com as suas normas.</p>

<p>O aluno ouvinte n&atilde;o tem necessidade de passar por processo seletivo, n&atilde;o &eacute; avaliado e nem pode receber certificado de aprendizagem. Pode, contudo, receber certificado de frequ&ecirc;ncia. N&atilde;o h&aacute;, portanto, condi&ccedil;&otilde;es desses estudos serem aproveitados em cursos superiores.</p>

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<p><strong>MATR&Iacute;CULA ISOLADA EM DISCIPLINA</strong></p>

<p>A <span style="color:#0000ff"><a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm" target="_blank">Lei n&ordm; 9.394</a></span>, de 1996 (LDB), permite, no art. 50, a matr&iacute;cula em disciplinas isoladas, na ocorr&ecirc;ncia de vagas, &ldquo;mediante processo seletivo&rdquo;, nos seguintes termos:</p>

<div style="padding-left: 50px;">
<p><em>Art. 50. As institui&ccedil;&otilde;es de educa&ccedil;&atilde;o superior, quando da ocorr&ecirc;ncia de vagas, abrir&atilde;o matr&iacute;cula nas disciplinas de seus cursos a alunos n&atilde;o regulares que demonstrarem capacidade de curs&aacute;-las com proveito, mediante processo seletivo pr&eacute;vio.</em></p>
</div>

<p>Neste caso, os estudos realizados com &ecirc;xito e certificados pela IES ofertante podem ser aproveitados nos cursos de gradua&ccedil;&atilde;o, obedecidas as normas fixadas pela pr&oacute;pria institui&ccedil;&atilde;o e atendidos os pr&eacute;-requisitos de &ldquo;processo seletivo&rdquo; e conclus&atilde;o do ensino m&eacute;dio ou equivalente. N&atilde;o h&aacute; norma estabelecida pelo MEC.</p>

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<p><strong>ATESTADO E DECLARA&Ccedil;&Atilde;O &ndash; DEFINI&Ccedil;&Atilde;O E APLICA&Ccedil;&Atilde;O</strong></p>

<p>No livro <em>Administra&ccedil;&atilde;o Acad&ecirc;mica Universit&aacute;ria (</em>RIBEIRO, Nelson de Figueiredo. <em>Administra&ccedil;&atilde;o Acad&ecirc;mica universit&aacute;ria: a teoria, o m&eacute;todo</em>. Rio de Janeiro: LTC, 1977), Nelson de Figueiredo Ribeiro define e conceitua os atos de certifica&ccedil;&atilde;o do processo de administra&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica. Segundo o autor, &ldquo;muito variadas s&atilde;o as formas que assume a certifica&ccedil;&atilde;o; em ess&ecirc;ncia, contudo, podem ser resumidas em quatro modalidades: o diploma, o certificado, o atestado e a certid&atilde;o&rdquo;. Em seu trabalho n&atilde;o est&aacute; prevista a modalidade &ldquo;declara&ccedil;&atilde;o&rdquo; como documento a ser expedido pela administra&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica ou secretaria acad&ecirc;mica.</p>

<p>Nesse livro, o <em>atestado</em> &eacute; conceituado como &ldquo;uma <em>declara&ccedil;&atilde;o</em> em torno de qualquer fato ocorrido na vida acad&ecirc;mica do estudante; &eacute; tamb&eacute;m uma afirma&ccedil;&atilde;o, positiva ou negativa, sobre a veracidade de um fato ou situa&ccedil;&atilde;o; funciona como um comprovante, mas n&atilde;o &eacute; um t&iacute;tulo profissional ou acad&ecirc;mico e, por isso mesmo, n&atilde;o pode substituir o diploma ou certificado&rdquo;.</p>

<p>Adalberto J. Kaspary (KASPARY, Adalberto J. <em>Reda&ccedil;&atilde;o Oficial &ndash; normas e modelos</em>. Porto Alegre: EDITA, 2004) conceitua o <strong><em>atestado</em></strong> como &ldquo;documento mediante o qual a autoridade comprova um fato ou situa&ccedil;&atilde;o de que tenha conhecimento em raz&atilde;o do cargo que ocupa ou da fun&ccedil;&atilde;o que exerce&rdquo;, n&atilde;o incluindo a &ldquo;declara&ccedil;&atilde;o&rdquo; entre os modelos usados na reda&ccedil;&atilde;o oficial.</p>

<p>Houaiss (INSTITUTO Ant&ocirc;nio Houaiss. <em>Dicion&aacute;rio Houaiss da l&iacute;ngua portuguesa</em>. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001)&nbsp; conceitua <strong><em>atestado</em></strong> como &ldquo;documento passado por pessoa qualificada&nbsp; afirmando a veracidade de um fato ou de uma situa&ccedil;&atilde;o; certificado, certid&atilde;o, declara&ccedil;&atilde;o&rdquo; e <strong><em>declara&ccedil;&atilde;o</em></strong> como &ldquo;manifesta&ccedil;&atilde;o oral ou escrita, com ou sem testemunhas; an&uacute;ncio, revela&ccedil;&atilde;o&rdquo;.</p>

<p>Aur&eacute;lio (FERREIRA, Aur&eacute;lio Buarque de Holanda, 1910-1989. <em>Novo Aur&eacute;lio S&eacute;culo XXI: o dicion&aacute;rio da l&iacute;ngua portuguesa</em>. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999)&nbsp; define <strong><em>atestado</em></strong> como &ldquo;documento que cont&eacute;m atesta&ccedil;&atilde;o; certid&atilde;o&rdquo; e <strong><em>declara&ccedil;&atilde;o</em></strong> como&nbsp; &ldquo;ato ou efeito de declarar&rdquo;.</p>

<p>Verifica-se, portanto, que o <em>atestado</em> &eacute; o documento adequado para comprovar qualquer fato ocorrido <u>ao longo</u> da vida acad&ecirc;mica do estudante. A conclus&atilde;o de um curso ou programa de educa&ccedil;&atilde;o superior deve ser objeto de diploma, certificado ou certid&atilde;o. O uso da declara&ccedil;&atilde;o &eacute; dispens&aacute;vel. Nada impede, por&eacute;m, que a IES emita, tamb&eacute;m, declara&ccedil;&atilde;o. Nesse caso, deve definir e conceituar cada um desses atos, para que os agentes do processo de registro e controle acad&ecirc;micos tenham seguran&ccedil;a ao emiti-los, ou seja, em que situa&ccedil;&atilde;o cabe o atestado ou a declara&ccedil;&atilde;o.</p>

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<p>&nbsp;</p>

<p><strong>ALUNO PERMANENTE X EX-ALUNO</strong></p>

<p>&Eacute; muito comum o uso da express&atilde;o &ldquo;ex-aluno&rdquo; para identificar o egresso de uma institui&ccedil;&atilde;o educacional. Penso ser inadequado esse uso, tendo em vista que a conclus&atilde;o de um curso n&atilde;o mais encerra a forma&ccedil;&atilde;o de um profissional. A educa&ccedil;&atilde;o continuada &eacute; uma necessidade dos tempos atuais.</p>

<p>Nesse sentido, o egresso de uma IES deixa de ser um &ldquo;ex-aluno&rdquo; para ser um aluno permanente. Essa mudan&ccedil;a de postura deve ter por objetivo fidelizar o estudante &agrave; institui&ccedil;&atilde;o e oferecer ao egresso oportunidades de participar de programas de educa&ccedil;&atilde;o continuada e de utilizar-se dos servi&ccedil;os colocados &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o dos alunos regulares.</p>

<p>Ao candidatar-se ou ao ingressar em qualquer curso superior oferecido pela IES, o aluno deve ser informado dos objetivos, procedimentos e benef&iacute;cios de ser um aluno permanente.</p>

<p>Ao concluir qualquer curso na IES o estudante deve receber o t&iacute;tulo de Aluno Permanente, sendo cadastrado nessa categoria, para os efeitos de gozar dos benef&iacute;cios que podem a ele ser concedidos, de acordo com as normas de cada institui&ccedil;&atilde;o.</p>

<p>Os benef&iacute;cios podem ser, por exemplo:</p>

<p>* consultas ao acervo bibliogr&aacute;fico e bases de dados das bibliotecas;<br />
* acesso &agrave;s &aacute;reas de lazer, entretenimento, esportes e conviv&ecirc;ncia;<br />
* desconto de um porcentual sobre o pre&ccedil;o das mensalidades dos cursos em que se matricular;<br />
* uso do estacionamento da institui&ccedil;&atilde;o...</p>

<p>O portador do t&iacute;tulo de Aluno Permanente pode, ainda, ter o direito de participar de um encontro anual dos egressos que tenham esse t&iacute;tulo, a ser inclu&iacute;do no Calend&aacute;rio Acad&ecirc;mico.</p>

<p>Alunos para sempre...</p>

<p>?</p>

<p>Qualquer d&uacute;vida em rela&ccedil;&atilde;o aos temas aqui tratados, entre em contato com a <span style="color:#0000ff"><a href="mailto:celso@ilape.edu.br"><em>Coluna do Celso</em></a></span>.</p>

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