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Por: Celso Frauches

Educação Superior Comentada | Políticas, diretrizes, legislação e normas do ensino superior

Ano 1 • Nº 8 • De 3 a 9 de maio de 2011

<p><strong>CARTA DE SALVADOR: </strong><strong>DOCUMENTO HIST&Oacute;RICO PARA A LIVRE INICIATIVA NA EDUCA&Ccedil;&Atilde;O SUPERIOR</strong></p>

<p>Os dirigentes do F&oacute;rum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular, reunidos em Salvador, ao final do IV Congresso da Educa&ccedil;&atilde;o Superior Particular, realizado naquela cidade entre os dias 5 e 7 findos, firmaram um documento hist&oacute;rico para a livre iniciativa na &aacute;rea da educa&ccedil;&atilde;o superior, a <span style="color:#0000ff"><a href="../../detalhe/id/182" target="_blank">Carta de Salvador</a></span>. O evento teve como tema central &quot;O desafio de colocar 10 milh&otilde;es de estudantes no Ensino Superior&quot;. Assinaram o documento os presidentes da ABMES (Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior), Gabriel Mario Rodrigues, da Anup (Associa&ccedil;&atilde;o Nacional das Universidades Particulares), Abib Salim Cury, da Anaceu (Associa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Centros Universit&aacute;rios), Paulo Antonio Gomes Cardim, da Abrafi (Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira das Mantenedoras das Faculdades Isoladas e Integradas), Jos&eacute; Jangui&ecirc; Bezerra Diniz, e do Semesp (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de S&atilde;o Paulo), Hermes Ferreira Figueiredo.</p>

<p>A Carta de Salvador, ap&oacute;s reconhecer a necessidade de um pacto nacional pela educa&ccedil;&atilde;o, identifica alguns pressupostos, reconhece os problemas e avan&ccedil;os observados no sistema do ensino superior brasileiro, conclui propondo ao ministro da Educa&ccedil;&atilde;o e para conhecimento da sociedade as seguintes medidas para o incremento e a melhoria do sistema:</p>

<div style="padding-left: 50px;">
<p>1 - Apoiar uma urgente reformula&ccedil;&atilde;o do ensino m&eacute;dio dando-lhe fei&ccedil;&otilde;es mais objetivas em termos de finalidade e de terminalidades com vistas a que o aluno formado tenha instrumentos para entrar no mercado de trabalho com habilidades, compet&ecirc;ncias e conhecimentos exigidos.</p>

<p><strong><em>A maior participa&ccedil;&atilde;o do segmento particular se dar&aacute;, prioritariamente, na busca de melhor forma&ccedil;&atilde;o do professor de ensino m&eacute;dio, mediante a revis&atilde;o das pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas e da redefini&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos curriculares.</em></strong></p>

<p>2 - Propugnar por uma reforma da atual estrutura do ensino universit&aacute;rio, que apresenta distor&ccedil;&otilde;es evidentes, indicando que o modelo n&atilde;o se apresenta condizente com a nova fei&ccedil;&atilde;o da sociedade brasileira e n&atilde;o atende totalmente as necessidades dos fatores produtivos, o que faz com que uma grande maioria dos atuais 800 mil formandos anualmente fique &agrave; margem do mercado de trabalho.</p>

<p><strong><em>O segmento particular prop&otilde;e reformula&ccedil;&atilde;o no ensino superior seguindo o que foi sugerido no Projeto de Lei da Reforma Universit&aacute;ria, que tramita no Congresso Nacional, reestruturando o sistema para adotar:</em></strong></p>

<ul>
<li><strong><em>N&uacute;cleo Comum de forma&ccedil;&atilde;o geral e human&iacute;stica com terminalidade;</em></strong></li>
<li><strong><em>N&uacute;cleo Pr&eacute;-Profissional por &aacute;rea de conhecimento com terminalidade;</em></strong></li>
<li><strong><em>N&uacute;cleo Profissional dentro das op&ccedil;&otilde;es&nbsp; de cada &aacute;rea.</em></strong></li>
</ul>

<p>3 - Propugnar pelo lan&ccedil;amento de um novo Programa de Primeiro Emprego para os Egressos do Ensino Universit&aacute;rio, haja vista que o mercado exige experi&ecirc;ncia e, sem come&ccedil;ar a trabalhar, n&atilde;o h&aacute; como se ter experi&ecirc;ncia. Assim, colocar o graduado em um emprego formal &eacute; dar-lhe melhores condi&ccedil;&otilde;es de preparo para o enfrentamento dos desafios de sua qualifica&ccedil;&atilde;o.</p>

<p><strong><em>A proposta &eacute;, a partir do est&aacute;gio, continuar o formando no seu trabalho, como primeiro emprego, mediante condi&ccedil;&otilde;es fiscais de apoio &agrave;s empresas que abrirem vagas para receber os alunos.</em></strong></p>

<p>4 - Colaborar para a universaliza&ccedil;&atilde;o do ensino m&eacute;dio at&eacute; o final desta d&eacute;cada por meio da inclus&atilde;o dos munic&iacute;pios ainda n&atilde;o atendidos bem como mediante a forma&ccedil;&atilde;o de professores mais habilitados a atuar, o que implica na necessidade de reformula&ccedil;&atilde;o das licenciaturas.</p>

<p><strong><em>A participa&ccedil;&atilde;o do segmento particular na proposta &eacute; concentrar sua a&ccedil;&atilde;o na prepara&ccedil;&atilde;o do professor do ensino m&eacute;dio dentro dos padr&otilde;es de qualidade exigidos pelo mercado.</em></strong></p>

<p>5 - Combater o fen&ocirc;meno da ociosidade por meio da cria&ccedil;&atilde;o de cursos mais atraentes em termos de perspectivas profissionais bem como mediante rediscuss&atilde;o da pol&iacute;tica de expans&atilde;o de cursos hoje em vigor (estas a&ccedil;&otilde;es podem reduzir a ociosidade at&eacute; 2015 em pelo menos 40%, o que equivale a colocar no sistema mais de dois milh&otilde;es de novos alunos, somente no segmento particular);</p>

<p>6 - O fen&ocirc;meno da evas&atilde;o deve ser equacionado, nas suas diferentes causas, mediante a&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prias de cada IES. Nesse sentido, prop&otilde;e-se reduzir a evas&atilde;o em pelo menos 40%, at&eacute; 2015, o que manteria no sistema pelo menos 1.300.000 alunos.</p>

<p><strong><em>A proposta do segmento particular &eacute; que toda IES tenha um setor de orienta&ccedil;&atilde;o profissional para eliminar as causas da evas&atilde;o e aplicar os instrumentos apropriados para resolver o problema.</em></strong></p>

<p>7 - Incentivar o aumento dos Cursos Superiores de Tecnologia em conson&acirc;ncia com os mercados onde as IES est&atilde;o inseridas. Prop&otilde;e-se um aumento, at&eacute; 2015, de pelo menos 12,5%, o que acresceria ao sistema quase 300 mil novos alunos.</p>

<p><strong><em>O segmento particular continuar&aacute; promovendo o aumento da oferta dos cursos superiores de tecnologia buscando atingir a meta proposta.</em></strong></p>

<p>8 - Dar maior visibilidade e apoiar a educa&ccedil;&atilde;o &agrave; dist&acirc;ncia como uma das modalidades mais importantes para se atingir as classes sociais menos favorecidas bem como os munic&iacute;pios que ainda n&atilde;o disp&otilde;em de atendimento ao ensino superior (buscar um aumento de pelo menos 10%, o que incrementaria as matr&iacute;culas atuais em mais 500 mil novos alunos).</p>

<p><strong><em>O segmento particular de ensino superior se prop&otilde;e, com apoio do MEC, alcan&ccedil;ar o n&uacute;mero de matr&iacute;culas na modalidade a dist&acirc;ncia tal como requerido para uma forte inclus&atilde;o das classes menos favorecidas e para o atendimento dos munic&iacute;pios que ainda n&atilde;o possuem ensino superior.</em></strong></p>

<p>9 - Com as reformula&ccedil;&otilde;es do FIES, tal como anunciado pelo MEC, prop&otilde;e-se incrementar este programa permitindo que atinja at&eacute; 2015 mais de 1.000.000 de alunos.</p>

<p><strong><em>A proposta do segmento particular para o FIES &eacute;:</em></strong></p>

<ul>
<li><strong><em>Antecipar pr&eacute;-contratos para o &uacute;ltimo ano do ensino m&eacute;dio;</em></strong></li>
<li><strong><em>Aumentar o requisito de participa&ccedil;&atilde;o para 1 a 5 sal&aacute;rios m&iacute;nimos e tornar a operacionaliza&ccedil;&atilde;o do sistema autom&aacute;tica, de forma a se evitar os transtornos atuais da fase de adapta&ccedil;&atilde;o do FNDE;</em></strong></li>
<li><strong><em>Efetiva&ccedil;&atilde;o da bolsa de manuten&ccedil;&atilde;o para alunos de cursos de tempo integral.</em></strong></li>
</ul>

<p><strong><em>Com rela&ccedil;&atilde;o ao PROUNI o segmento sugere:</em></strong></p>

<ul>
<li><strong><em>A manuten&ccedil;&atilde;o do sistema de bolsas parciais e integrais;</em></strong></li>
<li><strong><em>A cria&ccedil;&atilde;o e efetiva&ccedil;&atilde;o da bolsa de manuten&ccedil;&atilde;o para alunos de cursos em tempo integral;</em></strong></li>
<li><strong><em>O estudo da viabilidade de aumentar as faixas salariais de maneira a aumentar a participa&ccedil;&atilde;o dos alunos;</em></strong></li>
<li><strong><em>Estabelecer um melhor sistema de monitoramento para fiscaliza&ccedil;&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es prestadas pelos alunos.</em></strong></li>
</ul>

<p>10 - Apoiar novos estudos da distribui&ccedil;&atilde;o espacial do ensino superior brasileiro visando reformular a pol&iacute;tica de expans&atilde;o buscando redirecionar a concess&atilde;o de vagas para &aacute;reas ainda pouco atendidas (isto permitir&aacute; incrementar o sistema em mais de 20 %, significando o aporte de 1.300.000 novos alunos).</p>

<p><strong><em>A proposta do segmento particular &eacute;, com apoio do MEC, replanejar a pol&iacute;tica de expans&atilde;o para evitar a superposi&ccedil;&atilde;o de cursos na mesma &aacute;rea e redirecionar a oferta dentro do novo modelo de ensino superior propugnado pelo Projeto da Reforma Universit&aacute;ria.</em></strong></p>

<p>11 - Diligenciar junto a SESU/SETEC/SEAD e INEP com vistas &agrave; maior agilidade na tramita&ccedil;&atilde;o de processos, buscando eliminar os problemas existentes ao t&eacute;rmino da gradua&ccedil;&atilde;o (o que tem inviabilizado em muitos casos a concess&atilde;o de diplomas, ocasionando a&ccedil;&otilde;es na justi&ccedil;a).</p>

<p><strong><em>A proposta do segmento particular &eacute; conseguir prazos m&iacute;nimos de tramita&ccedil;&atilde;o para evitar a ocorr&ecirc;ncia, por exemplo, de processos iniciados em 2000 e at&eacute; hoje n&atilde;o resolvidos.</em></strong></p>

<p>12 - Investir em &aacute;reas estrat&eacute;gicas de forma&ccedil;&atilde;o profissional &ndash; engenharias, f&iacute;sica, matem&aacute;tica, qu&iacute;mica, aeron&aacute;utica, naval, nuclear, minas e energia, petr&oacute;leo, agroneg&oacute;cio, agroenergia, bioind&uacute;stria, nanotecnologia, equipamentos m&eacute;dicos hospitalares, turismo, ingl&ecirc;s, medicina desportiva, gest&atilde;o, hospitalidade, entretenimento &ndash;, todas estas &aacute;reas importantes e necess&aacute;rias para o desenvolvimento de nosso pa&iacute;s.</p>

<p>13 - Propugnar para que o sistema particular de ensino superior, pela sua importante contribui&ccedil;&atilde;o social, possa ter acesso a financiamentos com taxas diferenciadas.</p>

<p><strong><em>O segmento particular espera apoio do Programa MEC/BNDES, com taxas diferenciadas, sempre que demonstrar relevante contribui&ccedil;&atilde;o social nos financiamentos solicitados.</em></strong></p>

<p>14 - O segmento particular de ensino superior, tendo presente os princ&iacute;pios constitucionais, espera ser reconhecido como parceiro no processo de desenvolvimento educacional e profissional, parceria esta de m&atilde;o dupla, onde se respeitem as diferen&ccedil;as como propugna a Lei Magna e determina a Lei do SINAES. Somente com a realiza&ccedil;&atilde;o do PACTO NACIONAL &ndash; BRASIL POTENCIA S&Oacute; COM EDUCA&Ccedil;&Atilde;O conseguiremos alcan&ccedil;ar nossos objetivos comuns.</p>

<p>E para que esse pacto realmente se efetive todos os atores envolvidos devem ser mobilizados e compromissados com as a&ccedil;&otilde;es e metas que um PROJETO de tal envergadura requer.</p>

<p><em>Uma parcela das propostas em apre&ccedil;o j&aacute; est&aacute; em discuss&atilde;o colaborativa pelo F&oacute;rum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular com o MEC. A outra parcela ser&aacute; objeto de detalhamento e respectiva apresenta&ccedil;&atilde;o a este Minist&eacute;rio.</em></p>
</div>

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<p>&nbsp;</p>

<p><strong>PROUNI: AVAN&Ccedil;O E RETROCESSO</strong></p>

<p>A m&iacute;dia vem anunciando, com frequ&ecirc;ncia, que a Secretaria da Receita Federal e o Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o querem mudan&ccedil;as no <em>Programa universidade para todos</em>, o Prouni. As medidas anunciadas pretendem que a isen&ccedil;&atilde;o tribut&aacute;ria das entidades mantenedoras das IES integrantes do Prouni seja proporcional ao n&uacute;mero de bolsas efetivamente ocupadas e que essas bolsas sejam exclusivamente integrais.</p>

<p>A Lei n&ordm; 11.096, de 2005, que institui o Prouni, prev&ecirc; a concess&atilde;o de bolsas integrais e parciais, estas correspondendo a 50% e 25% do valor da mensalidade escolar. A bolsa integral pode ser concedida a brasileiros n&atilde;o portadores de diploma de curso superior, cuja renda familiar mensal <em>per capita</em> n&atilde;o exceda o valor de at&eacute; um sal&aacute;rio-m&iacute;nimo e meio. As bolsas de estudo parciais podem ser concedidas a brasileiros n&atilde;o-portadores de diploma de curso superior, cuja renda familiar mensal <em>per capita</em> n&atilde;o exceda o valor de at&eacute; tr&ecirc;s sal&aacute;rios-m&iacute;nimos.</p>

<p>A bolsa &eacute; destinada a estudante que tenha cursado o ensino m&eacute;dio completo em escola da rede p&uacute;blica ou em institui&ccedil;&otilde;es privadas na condi&ccedil;&atilde;o de bolsista integral; a estudante portador de defici&ecirc;ncia, nos termos da lei; a professor da rede p&uacute;blica de ensino, para os cursos de licenciatura&nbsp; destinados &agrave; forma&ccedil;&atilde;o do magist&eacute;rio da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, independentemente da renda familiar.</p>

<p>A IES privada pode aderir ao Prouni, mediante assinatura de termo de ades&atilde;o, devendo oferecer, no m&iacute;nimo, uma bolsa integral para o equivalente a 10,7 &ldquo;estudantes regularmente pagantes e devidamente matriculados ao final do correspondente per&iacute;odo letivo anterior&rdquo;. O termo de ades&atilde;o ter&aacute; prazo de vig&ecirc;ncia de dez anos, contado da data de sua assinatura, renov&aacute;vel por iguais per&iacute;odos. A den&uacute;ncia do termo de ades&atilde;o, &ldquo;por iniciativa da institui&ccedil;&atilde;o privada, n&atilde;o implicar&aacute; &ocirc;nus para o Poder P&uacute;blico nem preju&iacute;zo para o estudante beneficiado pelo Prouni, que gozar&aacute; do benef&iacute;cio concedido at&eacute; a conclus&atilde;o do curso&rdquo;.</p>

<p>A entidade mantenedora que adere ao Prouni, com ou sem fins lucrativos, fica isenta dos seguintes tributos: Imposto de Renda das Pessoas Jur&iacute;dicas, Contribui&ccedil;&atilde;o Social sobre o Lucro L&iacute;quido, Contribui&ccedil;&atilde;o Social para Financiamento da Seguridade Social e&nbsp; Contribui&ccedil;&atilde;o para o Programa de Integra&ccedil;&atilde;o Social. A isen&ccedil;&atilde;o &eacute; integral, n&atilde;o importando a quantidade de vagas preenchidas pelo aluno do Prouni. &Eacute; bom registrar que as IES privadas sem fins lucrativos est&atilde;o isentas, pela Constitui&ccedil;&atilde;o, do pagamento de impostos, como o de Renda de Pessoas Jur&iacute;dicas. As Contribui&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o impostos.</p>

<p>O ministro Fernando Haddad informa que essas medidas devem ser objeto de medida provis&oacute;ria, ou seja, sem qualquer discuss&atilde;o com as partes interessadas e sem a pr&eacute;via media&ccedil;&atilde;o do Congresso Nacional. Editada a MP, ela entra em vigor imediatamente e somente perde a validade a partir de sua rejei&ccedil;&atilde;o pelo Congresso Nacional, fato rar&iacute;ssimo na hist&oacute;ria das MP&rsquo;s.</p>

<p>Segundo dados do MEC, entre 2005 e 2010, o Prouni beneficiou cerca de 750 mil estudantes, sendo 70% com bolsas integrais. Em 2010, das 240 mil bolsas, integrais e parciais, ofertadas, entre 30% e 40% n&atilde;o foram preenchidas, sendo a maior parte nas bolsas parciais. Dados do Semesp registram que, em 2009, mais de 330 mil estudantes gozavam das bolsas integrais e parciais do Prouni, enquanto que o Fies (empr&eacute;stimo estudantil subsidiado pelo Poder P&uacute;blico) abrigava pouco mais de 130 mil.</p>

<p>Fontes oficiais estimam que o custo do Prouni para o Estado, em 2011, alcance R$ 500 milh&otilde;es de isen&ccedil;&otilde;es tribut&aacute;rias. Deve-se, contudo, levar em conta que as IES sem fins lucrativos, incluindo as filantr&oacute;picas e comunit&aacute;rias, s&atilde;o beneficiadas com a imunidade de impostos por dispositivo constitucional, muito anterior &agrave; exist&ecirc;ncia do Prouni.</p>

<p>As a&ccedil;&otilde;es governamentais que visam ampliar os benef&iacute;cios do Prouni e, por consequ&ecirc;ncia, o aumento de matr&iacute;culas na educa&ccedil;&atilde;o superior sempre s&atilde;o alvi&ccedil;areiras, num cen&aacute;rio de poucas op&ccedil;&otilde;es para o alcance das metas do Plano Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o (PNE) para esta d&eacute;cada (33% de alunos da faixa et&aacute;ria dos 18 aos 24 anos de idade). Os g&ecirc;nios da arquitetura dessa iminente medida provis&oacute;ria devem, por&eacute;m, levar em conta outros fatores que influem nas vagas ociosas e na evas&atilde;o. Um deles e, talvez, o mais importante, refere-se ao principal requisito para obten&ccedil;&atilde;o da bolsa integral: renda familiar mensal <em>per capita</em> igual ou inferior a um sal&aacute;rio-m&iacute;nimo e meio. Somente os ocupantes dos ambientes refrigerados e luxuosos dos pal&aacute;cios de Bras&iacute;lia, essa &ldquo;ilha da fantasia&rdquo;, podem pensar que essa renda familiar &eacute; suficiente para, al&eacute;m das despesas de moradia, alimenta&ccedil;&atilde;o, vestu&aacute;rio, sa&uacute;de etc., manter um aluno em cursos superiores, com pleno &ecirc;xito na aprendizagem. A renda familiar, para as bolsas integrais, n&atilde;o pode ser inferior, pelo menos, a tr&ecirc;s sal&aacute;rios-m&iacute;nimos. Por outro lado, bolsas complementares devem subsidiar as despesas com livros e demais recursos para estudos, alimenta&ccedil;&atilde;o, &nbsp;transporte e, em alguns casos, vestu&aacute;rio espec&iacute;fico. Deve-se pensar, ainda, na quebra de contrato com as IES que j&aacute; aderiram ao Prouni, com a isen&ccedil;&atilde;o integral dos tributos referidos, e que consolidaram o &uacute;nico programa do governo petista que n&atilde;o &eacute; assistencialista.</p>

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<p>&nbsp;</p>

<p><strong>NOVAS DIRETRIZES CURRICULARES PARA O ENSINO M&Eacute;DIO</strong></p>

<p>A C&acirc;mara de Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica (CEB) do Conselho Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o (CNE), aprovou, na reuni&atilde;o deste m&ecirc;s, 4, novas diretrizes curriculares nacionais para o ensino m&eacute;dio.</p>

<p>O relator da mat&eacute;ria, conselheiro Jos&eacute; Fernandes de Lima, disse que &ldquo;a ess&ecirc;ncia da proposta &eacute; reafirmar o papel do ensino m&eacute;dio como etapa final da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica e como direito de todos&rdquo;. Pretende o conselheiro Lima que as novas diretrizes promovam essa fase de ensino para al&eacute;m da forma&ccedil;&atilde;o profissional e do preparo linear para o ensino superior, &ldquo;de maneira a proporcionar aos estudantes o desenvolvimento da cidadania e da autonomia intelectual, e oferecer novas perspectivas culturais&rdquo;.</p>

<p>O ministro da Educa&ccedil;&atilde;o, Fernando Haddad, disse que ainda n&atilde;o fez uma an&aacute;lise detalhada, mas &ldquo;gostou do texto&rdquo;. De acordo com Haddad, o documento, aprovado por unanimidade pela CEB/CNE, apropria-se muito do trabalho pr&aacute;tico relativo ao ensino m&eacute;dio promovido pelo MEC nos &uacute;ltimos anos. &ldquo;O CNE atualizou as diretrizes se valendo de programas do MEC, tornando-os pol&iacute;tica de Estado e n&atilde;o s&oacute; de governo&rdquo;. (<span style="color:#0000ff"><a href="http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=16591" target="_blank">http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=16591</a></span>)</p>

<p>As diretrizes curriculares nacionais para o ensino m&eacute;dio em vigor foram aprovadas pela Resolu&ccedil;&atilde;o CNE/CEB n&ordm; 3, de 1998, com algumas altera&ccedil;&otilde;es introduzidas ao longo desses &uacute;ltimos doze anos. Registro, especialmente, a que disp&otilde;e sobre a inclus&atilde;o da Filosofia e da Sociologia como disciplinas obrigat&oacute;rias (Resolu&ccedil;&atilde;o CNE/CEB n&ordm; 1, de 2009) e a que institui o Cat&aacute;logo Nacional de Cursos T&eacute;cnicos de N&iacute;vel m&eacute;dio (Resolu&ccedil;&atilde;o CNE/CEB n&ordm; 3, de 2008).</p>

<p>Em 2010, pela Resolu&ccedil;&atilde;o n&ordm; 4, a C&acirc;mara de Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica do CNE definiu as diretrizes curriculares nacionais gerais para a educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica. O parecer ora aprovado para o ensino m&eacute;dio &eacute; uma consequ&ecirc;ncia dessa delibera&ccedil;&atilde;o anterior.</p>

<p>O esfor&ccedil;o para desvincular a forma&ccedil;&atilde;o de n&iacute;vel m&eacute;dio como etapa intermedi&aacute;ria para o acesso ao n&iacute;vel superior parece ser ingl&oacute;rio, desde os tempos do antigo Conselho Federal de Educa&ccedil;&atilde;o. As diretrizes espec&iacute;ficas para a forma&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicos de n&iacute;vel m&eacute;dio, com terminalidade para o exerc&iacute;cio de profiss&otilde;es regulamentas, n&atilde;o contribu&iacute;ram para a desvincula&ccedil;&atilde;o pretendida por educadores, ao longo de mais de cinquenta anos de legisla&ccedil;&atilde;o e normas sobre o tema. As novas diretrizes, aprovadas pela C&acirc;mara de Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica, batem na mesma tecla.</p>

<p>Creio que as novas diretrizes curriculares para o ensino m&eacute;dio n&atilde;o promover&atilde;o mudan&ccedil;as radicais na forma&ccedil;&atilde;o dos jovens e nem nos objetivos da grande maioria desses estudantes, que anseiam o diploma universit&aacute;rio. Por v&aacute;rios motivos, mas, o principal, na busca de melhores ocupa&ccedil;&otilde;es e sal&aacute;rios.</p>

<p>A m&aacute; qualidade do ensino m&eacute;dio, apurada em v&aacute;rios exames internacionais e nacionais e revelada dramaticamente nas fraqu&iacute;ssimas compet&ecirc;ncias e habilidades para os estudos superiores, n&atilde;o sofrer&aacute; abalos maiores com essas diretrizes.</p>

<p>Penso que o esfor&ccedil;o governamental deveria ser no sentido de instituir um sitema &uacute;nico de educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, com a efetiva integra&ccedil;&atilde;o e participa&ccedil;&atilde;o dos governos em todos os n&iacute;veis, incluindo parcerias com a livre iniciativa. O envolvimento da comunidade, via governos municipais e iniciativa privada, com o apoio t&eacute;cnico e financeiro dos governos estaduais e da Uni&atilde;o, poder&aacute; reverter, nas pr&oacute;ximas d&eacute;cadas, a triste realidade observada na atualidade. A aglutina&ccedil;&atilde;o de recursos t&eacute;cnicos e financeiros e a gest&atilde;o &uacute;nica dos mesmos poder&aacute; reunir condi&ccedil;&otilde;es adequadas para a melhoria cont&iacute;nua da qualidade do ensino em todas as etapas da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, com reflexos positivos na forma&ccedil;&atilde;o de n&iacute;vel m&eacute;dio.</p>

<p><u>***********************************************************************************************************************************************</u></p>

<p>&nbsp;</p>

<h3>MINERA&Ccedil;&Atilde;O: NOVO CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA</h3>

<p>O secret&aacute;rio de educa&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, Eliezer Pacheco, anuncia a edi&ccedil;&atilde;o de portaria incluindo o curso superior de tecnologia em Minera&ccedil;&atilde;o no Cat&aacute;logo Nacional dos Cursos Superiores de Tecnologia. A justificativa para essa inclus&atilde;o parte da constata&ccedil;&atilde;o do crescimento de 67%&nbsp; da produ&ccedil;&atilde;o mineral, entre 2009 e 2010. Nos &uacute;ltimos dez anos, de acordo com o Instituto Brasileiro de Minera&ccedil;&atilde;o (Ibram), o crescimento do setor foi de 400%. Com o objetivo de atender &agrave; demanda por profissionais qualificados para a &aacute;rea da minera&ccedil;&atilde;o a Setec deliberou inserir esse novo curso no Cat&aacute;logo.</p>

<p>Segundo o secret&aacute;rio Eliezer Pachedo, &ldquo;hoje &eacute; quase imposs&iacute;vel imaginar a regula&ccedil;&atilde;o e supervis&atilde;o sem o cat&aacute;logo&rdquo;. Para Luis Massonetto, secret&aacute;rio de educa&ccedil;&atilde;o a dist&acirc;ncia do MEC e futuro secret&aacute;rio de regula&ccedil;&atilde;o, o Cat&aacute;logo &eacute; sucesso, resultado &ldquo;de uma experi&ecirc;ncia que j&aacute; come&ccedil;ou h&aacute; algum tempo e foi fundamental para corre&ccedil;&atilde;o de alguns rumos da regula&ccedil;&atilde;o no Brasil&rdquo;. (<span style="color:#0000ff"><a href="http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=16594:portaria-de-inclusao-do-curso-de-mineracao-ja-esta-assinada&amp;catid=209&amp;Itemid=86" target="_blank">http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=16594:portaria-de-inclusao-do-curso-de-mineracao-ja-esta-assinada&amp;catid=209&amp;Itemid=86</a></span>)</p>

<p>O Cat&aacute;logo Nacional dos Cursos Superiores de Tecnologia foi institu&iacute;do pela Portaria MEC n&ordm; 10/2006 e pode ser encontrado em <span style="color:#0000ff"><a href="http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=12503&amp;Itemid=841" target="_blank">http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=12503&amp;Itemid=841</a></span>.</p>

<p>A inclus&atilde;o do curso superior de tecnologia no Cat&aacute;logo n&atilde;o &eacute; nenhuma iniciativa inovadora da Setec. O mesmo j&aacute; estava sendo oferecido por diversas IES. O Cat&aacute;logo pode ser ideal para o controle burocr&aacute;tico dos atos de regula&ccedil;&atilde;o do MEC, mas &eacute;, na realidade, um entrave para a criatividade, a inova&ccedil;&atilde;o e o incremento dos cursos superiores de tecnologia pela iniciativa privada.</p>

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