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Por: Gustavo Fagundes

Educação Superior Comentada | A proliferação dos institutos que ofertam cursos de extensão como se fossem programas de graduação

Ano 4 • Nº 27 • 17 de agosto de 2016 A Coluna Educação Superior Comentada desta semana alerta para a proliferação dos institutos que ofertam cursos de extensão como programas de graduação

<p><iframe frameborder="0" height="315" src="https://www.youtube.com/embed/DQiroz2ZnOs" width="100%"></iframe></p>

<p>Recentemente, tem surgido in&uacute;meras informa&ccedil;&otilde;es acerca da exist&ecirc;ncia, sobretudo no interior do Pa&iacute;s, de institutos de educa&ccedil;&atilde;o que ofertam cursos de extens&atilde;o elaborados &agrave; imagem e semelhan&ccedil;a de cursos de gradua&ccedil;&atilde;o, vendendo aqueles como se estes fossem.</p>

<p>A situa&ccedil;&atilde;o j&aacute; seria grave se esses institutos se limitassem a <em>&ldquo;vender gato por lebre&rdquo;</em>, ou seja, vendendo cursos de extens&atilde;o como se fossem programas de gradua&ccedil;&atilde;o, simplesmente ludibriando seus alunos e, ao final, lhes entregando meros certificados de cursos de extens&atilde;o.</p>

<p>Todavia, a quest&atilde;o &eacute; ainda mais grave, pois esse instituto vem celebrando conv&ecirc;nios e parcerias com institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior credenciadas, para que, aprovados em processos seletivos aparentemente regulares, seus egressos possam, ao ingressar num curso de gradua&ccedil;&atilde;o regular, realizar o pleno aproveitamento de todos os m&oacute;dulos/cursos extensionistas realizados e, com isso, obter o diploma de um curso de gradua&ccedil;&atilde;o, somente deles sendo exigida a elabora&ccedil;&atilde;o de trabalho de conclus&atilde;o de curso.</p>

<p>Esse descalabro j&aacute; rendeu, inclusive, a instaura&ccedil;&atilde;o de Comiss&atilde;o Parlamentar de Inqu&eacute;rito &ndash; CPI &ndash; pela Assembleia Legislativa de Pernambuco, a qual culminou com o acionamento do Minist&eacute;rio P&uacute;blico de Pernambuco e do Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal, para ado&ccedil;&atilde;o das medidas judiciais cab&iacute;veis&nbsp; (<a href="http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/2016/06/cpi-pede-sancao-faculdades-e-indiciamento-de-20-pessoas-em-pe.html" target="_blank">http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/2016/06/cpi-pede-sancao-faculdades-e-indiciamento-de-20-pessoas-em-pe.html</a>).</p>

<p>N&atilde;o se questiona a aplicabilidade do princ&iacute;pio da valoriza&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia extraescolar na oferta do ensino, como claramente previsto no inciso X do artigo 3&ordm; da LDB:</p>

<p style="margin-left:2.0cm"><em>&ldquo;Art. 3&ordm; O ensino ser&aacute; ministrado com base nos seguintes princ&iacute;pios:</em></p>

<p style="margin-left:3.0cm"><em>.....</em></p>

<p style="margin-left:3.0cm"><em>X - valoriza&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia extra-escolar; &rdquo;.</em></p>

<p>O que este princ&iacute;pio preconiza, em sua ess&ecirc;ncia, &eacute; que as institui&ccedil;&otilde;es de ensino credenciadas, ao promover as atividades educacionais decorrentes da aplica&ccedil;&atilde;o de seus planos e programas de ensino, assegurem a valoriza&ccedil;&atilde;o das experi&ecirc;ncias que os estudantes tragam do mundo <em>&ldquo;exterior&rdquo;</em>, ou seja, as compet&ecirc;ncias, conhecimentos e habilidades trazidos dos m&uacute;ltiplos ambientes que frequentam fora dos muros das institui&ccedil;&otilde;es de ensino.</p>

<p>Essa premissa, fulcrada no necess&aacute;rio di&aacute;logo produtivo entre a academia e o ambiente extraescolar, visa &agrave; garantia de que os conhecimentos, compet&ecirc;ncias e habilidades desenvolvidos pelos estudantes fora das institui&ccedil;&otilde;es de ensino tenham efetiva aceita&ccedil;&atilde;o e possam ser objeto de aproveitamento em sua vida escolar.</p>

<p>N&atilde;o se destina, portanto, a possibilitar que os estudantes, no caso da educa&ccedil;&atilde;o superior, fa&ccedil;am cursos de extens&atilde;o compreendendo todos os conte&uacute;dos curriculares de um curso de gradua&ccedil;&atilde;o, sem a aferi&ccedil;&atilde;o da frequ&ecirc;ncia e rendimento, exigidos neste mas n&atilde;o naquele, e, j&aacute; de caso pensado e com esta motiva&ccedil;&atilde;o desde o princ&iacute;pio, submetam-se a um simulacro de processo seletivo para, elastecendo de forma descabida a aplica&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio acima apontado, fazer o aproveitamento de todos os conte&uacute;dos ofertados em sede de programas extensionistas para substituir todo o processo formativo exigido na gradua&ccedil;&atilde;o e, assim, ensejar a obten&ccedil;&atilde;o de diploma de curso superior.</p>

<p>N&atilde;o parece minimamente razo&aacute;vel admitir que a mera frequ&ecirc;ncia a programas de extens&atilde;o, sem processo seletivo, sem exig&ecirc;ncia de frequ&ecirc;ncia e rendimento, possa ser legitimamente admitida por institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior regulares como substituto da efetiva realiza&ccedil;&atilde;o de um processo formativo s&eacute;rio e levado a efeito com a observ&acirc;ncia &agrave;s exig&ecirc;ncias legais de aproveitamento e frequ&ecirc;ncia.</p>

<p>Nessa situa&ccedil;&atilde;o, erram todos os envolvidos.</p>

<p>Erram os institutos, que atuam de forma enganosa, vendendo aos estudantes cursos de extens&atilde;o com a promessa de uma posterior <em>&ldquo;convalida&ccedil;&atilde;o&rdquo;</em> para culminar com a obten&ccedil;&atilde;o de um diploma de curso superior.</p>

<p>Erram as institui&ccedil;&otilde;es de ensino credenciadas que formalizam conv&ecirc;nios com esses institutos, auferindo descabidos proveitos financeiros com uma sistem&aacute;tica que beira a fraude, chegando ao c&uacute;mulo de aceitar matr&iacute;culas em quantidade significativamente superior &agrave; quantidade de vagas anuais autorizadas e a promover o indiscriminado aproveitamento de cursos extensionistas como substitutos do r&iacute;gido processo formativo que conduz a tais diplomas.</p>

<p>Erram as universidades que se disp&otilde;em a promover o registro desses diplomas, fingindo n&atilde;o ver a disparidade entre a quantidade expedida e as vagas anuais autorizadas para as institui&ccedil;&otilde;es que o emitem.</p>

<p>Erram as autoridades do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o e do Minist&eacute;rio P&uacute;blico, que fazem vista grossa a essa situa&ccedil;&atilde;o teratol&oacute;gica, exercendo de forma condescendente suas atividades de supervis&atilde;o, permitindo que se mantenha um esquema que chega &agrave;s raias da <em>&ldquo;venda de diplomas&rdquo;</em>, embora levado a efeito com um pouco mais de sofistica&ccedil;&atilde;o e formalidades.</p>

<p>Erram, por fim, os estudantes, que procuram facilidades no processo de conquista de um diploma de gradua&ccedil;&atilde;o, seja pela omiss&atilde;o na busca de informa&ccedil;&otilde;es concretas acerca da regularidade das institui&ccedil;&otilde;es e cursos superiores, seja pela intencional busca de um esquema que proporcione um <em>&ldquo;jeitinho&rdquo;</em> mais simples e menos trabalhoso para obter um diploma de curso superior.</p>

<p>Resta, ainda, &agrave;queles que procuram trabalhar de forma correta, cumprindo corretamente os rigores da lei, a sensa&ccedil;&atilde;o de estarem sendo feito de bobos, tanto em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es, quanto para os alunos, que dedicam tempo, esfor&ccedil;o e recursos financeiros para levar a cabo a &aacute;rdua tarefa de conquistar um diploma de curso superior.</p>

<p>At&eacute; quando os resultados financeiros ser&atilde;o mais importantes que a seriedade do processo formativo de nossos estudantes do ensino superior?</p>

<p>At&eacute; quando vamos diplomar analfabetos funcionais e formal, mas n&atilde;o materialmente, habilit&aacute;-los para o exerc&iacute;cio profissional?</p>

<p>At&eacute; quando vamos permitir que o engodo seja a mola mestra que move a sociedade e permanecer, em nossos confort&aacute;veis sof&aacute;s, bradando contra a corrup&ccedil;&atilde;o?</p>

<p>N&atilde;o podemos continuar permitindo, ainda que por nossa omiss&atilde;o, que jovens em busca de educa&ccedil;&atilde;o superior com um m&iacute;nimo de qualidade sejam atra&iacute;dos para verdadeiras arapucas, destinadas exclusivamente a transformar o sonho desses jovens em proveito financeiro.</p>

<p>&bull;</p>

<p>Qualquer cr&iacute;tica, d&uacute;vida ou corre&ccedil;&otilde;es, por favor, entre em contato com a&nbsp;<a href="mailto:gustavo@ilape.edu.br" style="box-sizing: border-box; color: rgb(0, 150, 65); text-decoration: none; background-color: transparent;" target="_blank">Coluna Educa&ccedil;&atilde;o Superior Comentada</a>,<a href="mailto:gustavo@ilape.edu.br" style="box-sizing: border-box; color: rgb(0, 150, 65); text-decoration: none; background-color: transparent;" target="_blank"> por Gustavo Fagundes</a>, que tamb&eacute;m est&aacute; &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o para sugest&atilde;o de temas a serem tratados nas pr&oacute;ximas edi&ccedil;&otilde;es.</p>

<p>A ABMES presta tamb&eacute;m&nbsp;<a href="http://abmes.org.br/eventos/detalhe/464/agendamento-para-atendimento-juridico-e-academico-das-pmies" style="box-sizing: border-box; color: rgb(0, 150, 65); text-decoration: none; background-color: transparent;" target="_blank">atendimento presencial</a>&nbsp;nas &aacute;reas jur&iacute;dica e acad&ecirc;mica. Saiba mais sobre o servi&ccedil;o e verifique as datas dispon&iacute;veis.</p>

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