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Por: ABMES

A orientação empreendedora nas IES

<p style="text-align: justify;"><i style="text-align: justify;">Por Carmem Tavares*</i></p>

<p style="text-align: justify;"><em>Diante das novas demandas do contexto socioecon&ocirc;mico, o ensino superior deve considerar sua pr&oacute;pria muta&ccedil;&atilde;o, sua mudan&ccedil;a &agrave; luz das evolu&ccedil;&otilde;es atuais e integrar as mudan&ccedil;as cient&iacute;ficas que est&atilde;o ocorrendo rapidamente no mundo, a fim de evitar atrasos, marginaliza&ccedil;&atilde;o e ser capaz de enfrentar desafios multidimensionais que o esperam, &eacute; atrav&eacute;s da moderniza&ccedil;&atilde;o de suas pr&aacute;ticas de ensino e pelo desenvolvimento do esp&iacute;rito criativo e inventivo que ir&aacute; preparar as novas gera&ccedil;&otilde;es de alunos para decodificar a complexidade do mundo moderno e domin&aacute;-la. N&atilde;o &eacute; mais sobre transmitir conhecimento, mas ensinar os alunos a aprender pelo esfor&ccedil;o pessoal, para desenvolver o esp&iacute;rito de iniciativa, o esp&iacute;rito empreendedor para que eles sejam capazes de resolver os problemas que surgem em seus pa&iacute;ses em particular, mas, tamb&eacute;m consiste em fazer com que os jovens sejam capazes de administrar sua intelig&ecirc;ncia para que n&atilde;o sejam simples candidatos a uma vaga de emprego, mas criadores de empregos e genu&iacute;nos agentes de desenvolvimento&rdquo; (BACCARI, Brahim. Confer&ecirc;ncia internacional de ensino superior, &ldquo;Ensino superior no s&eacute;culo XXI: Vis&atilde;o e a&ccedil;&atilde;o&rdquo;, UNESCO).</em></p>

<p style="text-align: justify;">Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, Israel tem sido um foco de inova&ccedil;&atilde;o e explora&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica.&nbsp;O pa&iacute;s possui mais de 4.500 startups, a maior renda per capita do mundo, e de acordo com a Forbes, mais de 250 empresas globais t&ecirc;m laborat&oacute;rios de pesquisa e desenvolvimento (P&amp;D) em Israel hoje, 80 das quais s&atilde;o empresas Fortune 500.</p>

<p style="text-align: justify;">Um hist&oacute;rico que fez do pa&iacute;s uma rota de oferta de turismo para alunos universit&aacute;rios de todo o mundo. Passam o per&iacute;odo de f&eacute;rias em Israel visitando v&aacute;rias startups israelenses e funcion&aacute;rios do governo enquanto exploram a cultura israelense e marcos hist&oacute;ricos.</p>

<p style="text-align: justify;">No Brasil &eacute; comum a visita de gestores educacionais a universidades no exterior na tentativa de se replicar modelos inovadores e culturas empreendedoras identificando os fatores capazes de desenvolverem uma cultura empreendedora nas nossas universidades. O movimento inverso j&aacute; n&atilde;o &eacute; verdadeiro. S&atilde;o poucos os alunos ou gestores estrangeiros que visitam nossas universidades e talvez uma politica de divulga&ccedil;&atilde;o de nossas pesquisas &eacute; o que nos falte.</p>

<p style="text-align: justify;">No dia 22 de mar&ccedil;o&nbsp;foi lan&ccedil;ado ao espa&ccedil;o O&nbsp;NanoSatC-Br 1, um <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Microssat%C3%A9lite" target="_blank" title="Microssatélite">microssat&eacute;lite</a>&nbsp;<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Brasileiro" target="_blank" title="Brasileiro">brasileiro</a>, e se alegrem com a ficha t&eacute;cnica de acordo com o INPE:</p>

<p style="margin-left: 141.6pt; text-align: justify;">O desenvolvimento essencialmente composto por alunos de gradua&ccedil;&atilde;o, bolsistas e professores da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) que atuam em coopera&ccedil;&atilde;o e parceria com pesquisadores, tecnologistas e alunos dos cursos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Geof&iacute;sica Espacial, e Engenharia e Tecnologias Espaciais do MCTI/INPE, tanto lotados na Coordena&ccedil;&atilde;o Espacial do Sul - MCTI/INPE-COESU, em Santa Maria, RS, como na sede do MCTI/INPE, em S&atilde;o Jos&eacute; dos Campos, SP.</p>

<p style="margin-left: 141.6pt; text-align: justify;">O Programa, que &eacute; pioneiro no Brasil no lan&ccedil;amento de CubeSats, &eacute; caracterizado pelo desenvolvimento de miss&otilde;es de cunho cient&iacute;fico, tecnol&oacute;gico e educacional, com o uso de nanossat&eacute;lites da classe padronizada conhecida como CubeSat. Atualmente o Programa conta com o NanoSatC-BR1, que se encontra no espa&ccedil;o, em opera&ccedil;&atilde;o desde 2014; o NanoSatC-BR2 que se encontra no Cosm&oacute;dromo de Baikonour, Cazaquist&atilde;o, integrado no ve&iacute;culo lan&ccedil;ador Soyuz 2.1&ordf;/Fregat-M pronto para ser lan&ccedil;ado dia 20 de mar&ccedil;o de 2021; e o NanoSatC-BR3, que se encontra em fase inicial de concep&ccedil;&atilde;o.</p>

<p style="margin-left: 141.6pt; text-align: justify;">(<a href="http://www.inpe.br/" target="_blank" title="Acesse INPE">INPE</a>&nbsp;/&nbsp;<a href="http://www.inpe.br/crs/index.php" target="_blank" title="Acesse ?Centro Regional Sul de Pesquisas Espaciais">?CENTRO REGIONAL SUL DE PESQUISAS ESPACIAIS</a>&nbsp;/MAR&Ccedil;O DE 2021).</p>

<p style="text-align: justify;">Este &eacute; apenas um case de uma IES entre as milhares de Institui&ccedil;&otilde;es de Ensino Superior brasileiras, num cen&aacute;rio em que mais de 80% destas institui&ccedil;&otilde;es s&atilde;o da iniciativa privada. Portanto, h&aacute; a necessidade de tornar nossas institui&ccedil;&otilde;es mais empreendedoras atraindo e proporcionando mais pesquisas como a que vimos na UFSM.</p>

<p style="text-align: justify;">Baccari, nos fala da necessidade de tornar nossos alunos empreendedores e isso pode se dar atrav&eacute;s do empreendedorismo pessoal, no desenvolvimento de seu pr&oacute;prio neg&oacute;cio, ou no empreendedorismo organizacional, sendo um agente de transforma&ccedil;&atilde;o dentro da sua organiza&ccedil;&atilde;o ou at&eacute; mesmo como os graduandos da UFSM que contribu&iacute;ram para a solu&ccedil;&atilde;o da demanda de um pa&iacute;s.</p>

<p style="text-align: justify;">Assim, deve se conceber o esp&iacute;rito empreendedor dentro das IES, como um processo mental, que alberga um conjunto de atitudes, compet&ecirc;ncias, habilidades e sentimentos favor&aacute;veis &agrave; uma orienta&ccedil;&atilde;o empreendedora.</p>

<p style="text-align: justify;">Para Nadia Rajhi, em seu artigo, Conceptualisation de l&#39;esprit empreendedor et identifica&ccedil;&atilde;o des facteurs de son d&eacute;veloppement `a l&rsquo;universit&eacute;, o empreendedorismo &eacute; um estado mental, mas que pode ser sistematizado e ensinado, assim a educa&ccedil;&atilde;o empreendedora, faz do empreendedorismo uma carreira a ser aprendida, ao lado de outros fatores atrav&eacute;s da ado&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas empreendedoras tanto no ambiente interno quanto externo da IES. Abaixo est&atilde;o descritos alguns destes fatores na concep&ccedil;&atilde;o de Nadia Rajhi:</p>

<ul>
<li style="text-align: justify;">O tipo de universidade influencia o desenvolvimento do empreendedorismo e o esp&iacute;rito empreendedor;</li>
<li style="text-align: justify;">A import&acirc;ncia do papel do gestor universit&aacute;rio no desenvolvimento do empreendedorismo e do esp&iacute;rito empreendedor para a universidade.</li>
<li style="text-align: justify;">A import&acirc;ncia da readequa&ccedil;&atilde;o do modelo de curr&iacute;culo universit&aacute;rio.</li>
<li style="text-align: justify;">Ao n&iacute;vel da educa&ccedil;&atilde;o empreendedora: import&acirc;ncia do original e l&uacute;dico atrav&eacute;s de pedagogias baseadas na forma&ccedil;&atilde;o dos formadores em empreendedorismo.</li>
<li style="text-align: justify;">Integra&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o com e entre os alunos e a sua motiva&ccedil;&atilde;o.</li>
<li style="text-align: justify;">Import&acirc;ncia para a IES na constru&ccedil;&atilde;o de parcerias com o mercado e outros segmentos da sociedade.</li>
</ul>

<p style="text-align: justify;">Como a pesquisadora trabalha com o conceito de que a forma&ccedil;&atilde;o de uma mente empreendedora &eacute; o papel mais importante de uma IES algumas conclus&otilde;es de suas pesquisas podem nos ajudar na compreens&atilde;o do contexto. Outras conclus&otilde;es nos ajudam a vislumbrar o perfil de uma universidade empreendedora:</p>

<table border="1" cellpadding="0" cellspacing="0" style="width: 850px;">
<tbody>
<tr>
<td style="width:567px;">
<p style="text-align: justify;"><strong>A atitude empreendedora</strong>&nbsp;&eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o da mente, &ldquo;ela reflete a escolha de uma pessoa (neste caso o aluno) para uma orienta&ccedil;&atilde;o empreendedora: ela seria baseada em seus valores profissionais (caracter&iacute;sticas profissionais que ele valorize) e sua vis&atilde;o de empreendedorismo (as necessidades que considera satisfeitas pela a&ccedil;&atilde;o empreendedora).</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td style="width:567px;">
<p style="text-align: justify;"><strong>O senso de compet&ecirc;ncia</strong>&nbsp;representa a cren&ccedil;a de um aluno em sua posse das habilidades necess&aacute;rias para ter sucesso no campo empresarial, o que estimula seu interesse neste campo e influencia sua escolha de carreira.</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td style="width:567px;">
<p style="text-align: justify;"><strong>O esp&iacute;rito empreendedor</strong> &eacute; um fato social: s&oacute; pode ser compreendido por e em&nbsp;sua imers&atilde;o social.</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td style="width:567px;">
<p style="text-align: justify;">V&aacute;rios <strong>agentes de socializa&ccedil;&atilde;o</strong> (fam&iacute;lia e meio ambiente local, cultura, religi&atilde;o, meio ambiente profissional, educa&ccedil;&atilde;o) podem construir ou restaurar o esp&iacute;rito empreendedor.</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td style="width:567px;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Universidade empreendedora </strong>&eacute; uma universidade aut&ocirc;noma, inovadora, que assume riscos e &eacute; proativa e competitiva.&nbsp;A orienta&ccedil;&atilde;o empreendedora &eacute; o processo pelo qual a universidade torna-se empreendedora.</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td style="width:567px;">
<p style="text-align: justify;">As <strong>dimens&otilde;es da orienta&ccedil;&atilde;o empreendedora</strong> da universidade envolvem seu potencial de inova&ccedil;&atilde;o.</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td style="width:567px;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Uma universidade inovadora</strong>&nbsp;&eacute; uma universidade que se envolve em inova&ccedil;&atilde;o no n&iacute;vel de sua miss&atilde;o (novos programas, novos cursos, novas pedagogias, cria&ccedil;&atilde;o de novas ideias, novos projetos e cria&ccedil;&atilde;o de spin-offs, etc.) em sua organiza&ccedil;&atilde;o interna (novos m&eacute;todos de trabalho, novas estruturas, novos m&eacute;todos de gest&atilde;o, etc.).</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td style="width:567px;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Uma universidade proativa</strong>&nbsp;&eacute; uma universidade que atua de forma a antever os fatos, ou seja, n&atilde;o apenas se adapta &agrave;s mudan&ccedil;as no ambiente, como as antecipa.</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td style="width:567px;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Uma universidade aut&ocirc;noma</strong>&nbsp;&eacute; uma universidade autoconfiante e, acima de tudo, capaz para ser autossustent&aacute;vel ou para encontrar as fontes de financiamento necess&aacute;rias.</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td style="width:567px;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Uma</strong>&nbsp;<strong>universidade que assume</strong>&nbsp;<strong>riscos</strong>&nbsp;&eacute; uma universidade que tem uma atitude favor&aacute;vel para o empreendedorismo.&nbsp;</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td style="width:567px;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Uma universidade competitiva </strong>&eacute; uma universidade que atua intensamente para superar suas concorrentes para atrair mais clientes e melhorar a imagem da sua marca.</p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>

<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>

<p style="text-align: center;">Fonte: Nadia Rajhi, Conceptualisation de l&#39;esprit empreendedor et identifica&ccedil;&atilde;o des facteurs de son d&eacute;veloppement `a l&rsquo;universit&eacute;, 2020.</p>

<p style="text-align: justify;">Seria bom acreditar que podemos tornas nossas institui&ccedil;&otilde;es de ensino empreendedoras, mesmo porque faz parte da sobreviv&ecirc;ncia do neg&oacute;cio para as IES privadas. Concluo que na realidade a aus&ecirc;ncia da orienta&ccedil;&atilde;o empreendedora &eacute; mais aus&ecirc;ncia de iniciativa e vis&atilde;o das IES do que de viabilidade financeira, haja vista que os aspectos apresentados focam o posicionamento da institui&ccedil;&atilde;o. Contudo, &eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o processual que depende da alta gest&atilde;o.</p>

<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>

<p style="text-align: justify;">_____________<br />
<em>*</em><i>Carmem Tavares &eacute;&nbsp;</i><em>Gestora Educacional e de Inova&ccedil;&atilde;o com 28 anos de experi&ecirc;ncia no mercado educacional privado brasileiro em institui&ccedil;&otilde;es de diversos portes e regi&otilde;es</em></p>

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