Mais um dia da 8ª Delegação Internacional da ABMES – France Experience foi encerrado com importantes resultados para a educação superior brasileira. Nesta terça-feira (13), o grupo visitou a sede da Unesco em Paris. Na ocasião, foram tratados temas como a cooperação acadêmica global, a mobilidade internacional de estudantes e pesquisadores, além de políticas públicas para a inovação e inclusão no ensino superior.
Durante a agenda, os representantes da Unesco apresentaram iniciativas para conectar instituições de formação docente e discutiram obstáculos à circulação de estudantes e acadêmicos entre países. Os debates também abordaram a escassez e a dificuldade de retenção de professores e o uso de celulares em sala de aula.
Durante a recepção à comitiva, o diretor-presidente da ABMES, Janguiê Diniz, destacou a importância da cooperação internacional e o papel estratégico da educação superior na transformação social. “Estar na sede da Unesco é uma honra e uma inspiração, pois a instituição aproxima a educação, a ciência e a cultura do propósito maior de construir a paz”. Diniz ressaltou que, para quem dedica a vida à educação, o encontro renova a consciência de que o trabalho educacional produz consequências que atravessam gerações e ultrapassam fronteiras. Ao pontuar a atuação da Unesco no direcionamento da agenda Educação 2030, reforçou que o acesso ao ensino superior deve avançar lado a lado com a oferta de uma formação de qualidade, capaz de preparar cidadãos e profissionais para um mundo em constante transformação e de promover a verdadeira mobilidade social.
A programação contou com apresentações detalhadas de especialistas e diretores da Unesco. O chefe da Seção de Educação Superior, Noah W. Sobe, apresentou o Roteiro da Unesco para a Transformação do Ensino Superior. O plano traz diretrizes focadas na equidade e financiamento sustentável, na garantia da liberdade acadêmica e do pensamento crítico, no uso ético da inteligência artificial centrado no humano e na migração para métodos pedagógicos ativos.
Na sequência, o analista de políticas Mathias Bouckaert contextualizou os dados e tendências globais do setor, sublinhando que o total de matrículas no ensino superior saltou de 100 milhões no ano 2000 para 269 milhões no mundo, alcançando uma taxa bruta de escolarização próxima a 60% na América Latina e Caribe e de cerca de 70% no Brasil. Bouckaert também alertou para os desafios de permanência e conclusão de cursos, as disparidades de gênero em áreas STEM e na liderança, além da necessidade de estratégias consolidadas para a adoção da inteligência artificial nas instituições de ensino.
O debate sobre a valorização e a formação de professores foi conduzido por Carlos Vargas, chefe do Secretariado da Força-Tarefa Internacional sobre Professores para a Educação 2030, e Matthew Thomas, especialista de programa. Vargas expôs os dados do Relatório Global sobre os Professores, ressaltando o déficit de 44 milhões de docentes no mundo para universalizar a educação básica, do qual 58% decorre da evasão da carreira por conta de condições inadequadas de trabalho e desvalorização. Thomas detalhou a abordagem do aprendizado ao longo da vida aplicada à formação docente e adiantou as iniciativas para o lançamento da Rede Global de Instituições de Formação de Professores em 2027, bem como a elaboração de um curso focado em pedagogia com uso ético da inteligência artificial.
Os painéis abordaram ainda as crescentes restrições ao uso de celulares em salas de aula em diversos países e a importância das convenções internacionais da Unesco, como a Convenção de Buenos Aires e a Convenção Global, para simplificar e dar transparência ao reconhecimento e à revalidação de diplomas acadêmicos em âmbito internacional. A visita reforçou a parceria entre as instituições brasileiras e o organismo multilateral na busca por soluções conjuntas para os desafios educacionais contemporâneos.
Cooperação em construção
A visita à Unesco dá continuidade à programação técnica iniciada na segunda-feira (12), com encontros na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e na Embaixada do Brasil em Paris.
Próximos passos do roteiro internacional
A programação acadêmica prossegue na quinta-feira (15) com uma visita à Le Courdon Bleu.
Ao longo da France Experience, a comitiva brasileira também realizará visitas de estudo a instituições de prestígio global como a Skema Business School, a estrutura científica do Institut Pasteur e a Cidade das Ciências e da Indústria, localizada no Parque de La Villette.
O roteiro aproxima os participantes de experiências em formação, pesquisa, divulgação científica e inovação. A expectativa é que os contatos estabelecidos favoreçam o intercâmbio de estudantes e professores, o compartilhamento de práticas docentes e o desenvolvimento de pesquisas conjuntas, com benefícios para as instituições brasileiras e francesas.
“Quando voltarmos ao Brasil, nossos estudantes não terão acompanhado a nossa jornada, mas certamente se beneficiarão do que colhermos aqui”, destacou o diretor-presidente da ABMES, Janguiê Diniz, durante o almoço de abertura da missão, realizado no Palácio de Versalhes.