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Problemas no Ensino Superior brasileiro

Janguiê Diniz

Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

02/10/2019 04:24:27

Janguiê Diniz Vice-presidente da ABMES Mestre e Doutor em Direito Fundador e Presidente do Conselho de Administração do Grupo Ser Educacional *** O Brasil tem índices muito baixos de pessoas com Ensino Superior completo. O dado, bastante preocupante, faz parte do relatório “Education at a glance”, divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que inclui 45 países. O estudo deixa claros os desafios do sistema de ensino brasileiro, em um cenário que, por ora, não parece muito favorável. O relatório da OCDE aponta, entre outros dados, que apenas 21% dos brasileiros entre 25 e 34 anos de idade possuem um diploma de formação superior. A taxa é bem inferior à média dos países pesquisados pela Organização, que é de 44%. Para se ter ideia, o Brasil só fica à frente de China, Indonésia, Índia e África do Sul. Esse, talvez, seja um dos maiores desafios para o Brasil: realizar a verdadeira inclusão educacional que o país precisa. Muitas universidades públicas foram abertas no nosso território, o número de instituições privadas aumentou substancialmente, mas ainda é pequeno o total de pessoas que conseguem concluir os cursos. Uma série de fatores se somam para compor esse cenário de baixo índice de conclusão dos cursos. A realidade econômica do país talvez seja o principal deles, e tem diversos reflexos nesta questão. Primeiro, pela dificuldade de acesso a crédito. Apesar das diversas iniciativas governamentais e particulares de concessão de crédito estudantil, muitos não conseguem honrar as dívidas e acabam tendo que abandonar seus cursos. Segundo que, com um mercado de trabalho mais instável, em que vagas de trabalho são fechadas constantemente e quem perde seu emprego acaba impossibilitado de pagar pelo ensino; além de forçar o trabalho informal, em horários por vezes incompatíveis com o estudo. Esses pontos se refletem em outro dado do relatório: apenas um terço dos ingressantes no Ensino Superior concluem seus cursos no tempo previsto. A média dos países pesquisados é de 39%. Esses dados deixam muito claro que os investimentos na educação não podem ser direcionados apenas no acesso, mas principalmente na manutenção do aluno em sala de aula. E isso só será possível com esforços conjuntos em diversas frentes, a fim de possibilitar mais segurança ao estudante universitário. Temos que pensar, também, que o problema do abandono dos estudos nas faculdades e universidades também tem a ver com as etapas anteriores da educação. O próprio Ensino Médio já sofre com essa deficiência, o que gera um efeito dominó. Fato é que, para resolver os problemas da educação no Brasil, serão necessários ainda várias etapas de investimentos focados, com recursos bem aplicados. A Educação Básica, início da vida acadêmica de qualquer pessoa, também sofre. Ou seja, as deficiências são gerais. Talvez, antes de pensarmos no patamar superior, seja premente atentar para as limitações dos estágios mais básicos. É um investimento a longo prazo, mas que, no futuro, pode gerar melhora, inclusive, na qualidade dos profissionais que se formam e entram no mercado de trabalho.  

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