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Só no tempo do onça? Que nada! Hoje também...

Antonio de Oliveira

Professor universitário e consultor de legislação do ensino superior da ABMES (1996 a 2001)
antonioliveira2011@live.com
Instagram: @prof.antoniooliveira

09/12/2017 04:37:04

Antonio OliveiraAntônio de Oliveira Professor universitário e consultor de legislação do ensino superior da ABMES (1996 a 2001) antonioliveira2011@live.com *** Durante sete anos, entre 1725 e 1732, o Rio de Janeiro foi governado pelo capitão Luís Vahia Monteiro, homem autoritário, temperamental, considerado truculento, turrão, retrógrado, ranzinza. Seu apelido era Onça. “O senhor viu onça: boca de lado a lado, raivável, pelos filhos?” Frequentemente, Onça se desentendia com religiosos e políticos e não deixava por menos. Tornou-se lendário, marcou época e até hoje quando alguém se refere a uma coisa acontecida há muito tempo, uma coisa antiga, retrógrada, fora de moda, usa a expressão: "É do tempo do Onça". Puxa vida! Isto é do tempo do onça. O que se destaca, a propósito, é que Onça se considerava honestíssimo: “Nesta terra todo mundo rouba, só eu não roubo.” Não faz muito tempo, um político brasileiro conhecidíssimo afirmou, de certa forma personificando seus colegas, ases da política de conduta ilibada. “Não existe viva alma mais honesta do que eu nesse país”, admitindo uma ressalva: “Pode ter igual, mas eu duvido”. Lembre-se um antigo provérbio português: Elogio em boca própria é vitupério. Entre outros significados, a palavra vitupério quer dizer vileza, baixeza. Etimologicamente, vitupério, de vitium, vício, defeito, e parare, preparar, fazer, quer dizer atribuir vício a alguém, entendendo-se, no caso, que quem vitupera seria considerado virgem do bordel, como assim foi chamado também o Onça. A parábola do Fariseu e o Publicano é retratada num bonito afresco na Abadia de Ottobeuren, na Alemanha. Ambos, fariseu e publicano, orando no templo. Aquele, tendo ao seu lado um humilde publicano, arrota honestidade: Não sou como os demais homens, que são ladrões, injustos, adúlteros. Ou, como diria Guimarães Rosa pelo Grande Sertão afora, o fariseu não frequentava “um cafarnaúm, moxinife de más gentes, tudo na deslei da jagunçagem bargada”. Ontem, como hoje, vivemos no tempo do onça. Os comportamentos são quase os mesmos de antanho.  

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