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Por que o trabalho híbrido não engrenou nas IES brasileiras

24/05/2022 | Por: Desafios da Educação | 246

O trabalho híbrido é uma das principais tendências no mundo pós-pandemia. O modelo, que mescla a atuação retoma e a presencial, traz uma série de benefícios – como flexibilidade e economia – para profissionais e empresas.

Segundo uma pesquisa da KPMG realizada no Brasil, 2022 vai marcar a retomada da presencialidade no mercado de trabalho. Nesse cenário, a maioria das companhias ouvidas pela pesquisa vai apostar no hibridismo: entre as 287 entrevistadas de diversos setores, 85% decidiram adotar o modelo híbrido.

Mas o cenário não é o mesmo nas instituições de ensino superior (IES). Em boa parte delas, como na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), os profissionais dos setores administrativos estão trabalhando apenas presencialmente.

Por que, afinal, o trabalho híbrido não engrenou nas IES brasileiras?

O que dizem a ANUP e a ABMES
A presidente da Associação Nacional das Universidades Particulares (ANUP), Elizabeth Guedes, afirma que o home office parcial ou integral nas IES brasileiras não é uma tendencia consolidada.

“Trabalhamos em times, e este convívio presencial é muito importante. Desta forma, é inescapável que permaneçam no sistema híbrido apenas as funções que não demandem contato com alunos, professores e outros funcionários”, explica.

Entretanto, segundo Guedes, o ensino mediado por tecnologia é uma realidade em universidades de todo o mundo. E, portanto, é natural que os profissionais envolvidos tenham parte do seu trabalho levado para o home office. “Novamente, isto irá depender das metodologias adotadas e das características de cada instituição”, pontua.

O diretor presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), Celso Niskier, é mais otimista em relação ao trabalho híbrido nas IES. “Pela nossa experiência, as instituições têm adotado formas híbridas, principalmente para a realização de reuniões”, diz.

Niskier, que também é reitor da Unicarioca, acredita que o trabalho administrativo nas instituições de ensino superior está se moldando à realidade pós-pandemia. Isso passa pela combinação de encontros presenciais com atividades remotas.

“Eu vejo que as IES estão se adaptando na linha do que muitas outras organizações não educacionais estão fazendo. Eu sou otimista e acredito que essa mudança possa acontecer tanto no acadêmico quanto no administrativo”, afirma.

O cenário nas universidades federais
Daniel Coronel é pró-reitor de gestão de pessoas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Para ele, o balanço dos dois últimos anos em trabalho de home office é positivo, uma vez que a instituição conseguiu manter suas atividades.

Na sua visão, a adoção do modelo híbrido depende do estabelecimento de parâmetros de produtividade para acompanhar melhor o desenvolvimento laboral das equipes. Além disso, será necessário pensar, cada vez mais, no bem-estar dos servidores que não estão nas sedes das instituições.

Em março, a UFSM voltou ao trabalho 100% presencial, respeitando as questões de saúde, segurança e prevenção. Atualmente, apenas os servidores com comorbidades ou idade acima de 60 anos estão trabalhando de forma remota.

Na Universidade Federal da Bahia (UFBA), as atividades presenciais também foram retomadas.  A decisão foi tomada pelo Conselho Universitário em 12 de novembro de 2021 e ratificada na reunião do dia 23 de fevereiro de 2022, após avaliação do cenário epidemiológico.

Já na Universidade Federal do Tocantins (UFT) as atividades administrativas voltaram ao modelo presencial em fevereiro. A retomada está sendo feita de forma gradual, de acordo com as recomendações do Ministério da Saúde e da infraestrutura de cada unidade.