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A IA não é mais o que era... ano passado

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06/05/2026 08:15:20

Por: Francisco Gaetani e Virgilio Almeida

O avanço acelerado da IA embaralhou tudo: medos e esperanças, empregos e poder, inovação e risco, guerra e paz. Como escreveu Guimarães Rosa, “o correr da vida embrulha tudo... o que ela quer da gente é coragem”. Mas o cenário dos novos tempos exige, além de coragem, planejamento e preparação para uma nova era tecnológica.

A percepção pública sobre a IA e seus impactos - tanto positivos quanto negativos - mudou significativamente no último ano, assim como a postura dos governos em relação às tecnologias e às empresas que as dominam. Ao mesmo tempo, cresce no mundo um sentimento de cautela diante das incertezas do futuro tecnológico. Ao longo do último ano, a IA redefiniu o que é possível e o que está em jogo. Mas como separar o sinal do ruído? No debate contemporâneo sobre IA, dois temas se sobressaem ao evidenciar os desafios que essa tecnologia impõe à sociedade - particularmente ao Brasil: o impacto da automação sobre o trabalho e as possíveis consequências de sistemas de IA avançados que escapem ao controle humano. 

Em artigo recente, o The New York Times (“Economists Once Dismissed the A.I. Job Threat, but Not Anymore”) evidencia uma mudança relevante entre economistas americanos: o ceticismo em relação aos impactos da IA no trabalho dá lugar a uma postura mais prudente, que reconhece o aumento dos riscos e a possível falta de preparo dos formuladores de políticas públicas, apesar da ausência, até o momento, de choques em larga escala.

Há sinais de mudança no consenso econômico sobre os impactos da IA. Um estudo recente da universidade de Stanford identificou que os funcionários em início de carreira em áreas expostas à IA nos EUA, como atendimento ao cliente, viram um declínio de 13% no emprego desde 2022 - ao contrário de trabalhadores mais experientes e daqueles em outros setores.

Uma reportagem do The Guardian mostra que, nos Estados Unidos, recém-formados enfrentam um dos mercados de trabalho mais difíceis dos últimos anos, marcado por alto subemprego e pela redução de vagas de entrada. A ascensão da inteligência artificial (IA) tem acelerado essa tendência, à medida que tarefas antes realizadas por profissionais menos experientes são cada vez mais automatizadas, diminuindo as contratações e elevando as exigências para novos candidatos.

Ao mesmo tempo, os processos de recrutamento tornam-se mais impessoais e orientados por IA, com sistemas automatizados de triagem e pouco retorno aos candidatos, o que contribui para sentimentos de frustração e invisibilidade. A crescente preocupação com a substituição de empregos pela IA generativa decorre de sua capacidade de transformar ampla gama de tarefas, afetando não apenas trabalhos manuais, mas também ocupações cognitivas. Esse movimento intensifica os riscos de aumento da desigualdade.

Ao reduzir as exigências de qualificação em ocupações de classe média, como as de desenvolvedores de software, a IA tende a ampliar a oferta de trabalho, pressionar salários e agravar desigualdades, impondo custos de longo prazo, sobretudo às gerações mais jovens. As incertezas quanto à rapidez e à profundidade dessas transformações no mercado de trabalho se acentuam diante da ausência de políticas públicas adequadas a esse novo cenário.

O rápido desenvolvimento da IA está se aproximando de um ponto de inflexão em que limitações técnicas de monitoramento e segurança, pressões competitivas e uma governança frágil se combinam para aumentar o risco de perda de controle humano efetivo. Esse desafio é agravado pelo contexto global, dadas as profundas implicações geopolíticas da IA avançada.

O anúncio da Anthropic sobre a intenção de limitar o modelo Claude Mythos gerou preocupação, pois sugere que a tecnologia pode ser poderosa e arriscada a ponto de exigir restrições autoimpostas. Devido à sua capacidade de identificar rapidamente vulnerabilidades em sistemas de software - como os de controle de voo, redes financeiras, distribuição de energia elétrica e hospitais -, o Claude Mythos pode se tornar uma ferramenta capaz de explorar fragilidades em infraestruturas críticas essenciais à sociedade. Se essa tecnologia sair do controle, poderá ser utilizada por grupos mal-intencionados em ataques cibernéticos, fraudes e campanhas de desinformação. A contenção desses riscos exige uma governança global da IA que, dada a magnitude de seus impactos sobre a sociedade, não pode depender apenas de atores privados.

Diante desse novo contexto, que emerge mais cedo do que se esperava, impõe-se uma pergunta central: como o Brasil deve se posicionar em um mundo marcado pelas transformações profundas da IA? Dois cursos de ação complementares precisam ser considerados. O primeiro é o escrutínio do impacto da IA em cada política pública e nos arranjos governamentais das organizações que as abrigam. O que a IA pode fazer com a educação e a saúde pública por exemplo é extraordinário e isso já pode ser observado em vários países do mundo. Isso vale para defesa nacional e meio ambiente, ou desenvolvimento industrial e agrário.

O Brasil pode e deve desenvolver capacidades antecipatórias que gerem subsídios para correções de curso no presente. O segundo curso de ação trata das prioridades que o governo deve estabelecer e perseguir. O desafio é identificar em quais setores o impacto da adoção de IA pode fazer mais diferença para o país. Investimentos focados em segmentos com desdobramentos maiores precisam de bons fundamentos para se imporem politicamente. Os riscos dos investimentos em IA se transformarem em uma grande pulverização de recursos, a exemplo de várias outras políticas públicas nacionais cuja dispersão das aplicações geram resultados ineficazes, é grande. Focalização dos gastos é chave.

O desenvolvimento dos mercados intensivos em AI vem lidando com o fato dela não estar se estabilizando em degraus, pelo contrário. Os avanços na fronteira das tecnologias de IA têm sido contínuos, com saltos exponenciais. A multiplicidade dos pontos de entrada e o acesso universalizado por ocasião de seu lançamento ao público tornam seus rumos potencialmente ilimitados. Isso não significa que não haja o que fazer em termos de políticas públicas e arranjos regulatórios, pelo contrário.

O Brasil está entrando no debate global como um “middle power” engajado nos debates globais em tempos de multipolaridade crescente e multilateralismo enfraquecido. Estamos numa competição global e numa corrida pelo nosso próprio desenvolvimento. Mais uma grande janela de oportunidade que se coloca para o país aproveitar da forma que for capaz de organizar.

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Este artigo foi publicado originalmente no Jornal Valor Econômico no dia 30/04/2026.

*Francisco Gaetani é professor da EBAPE/FGV e secretário extraordinário para a Transformação do Estado, do Ministério de Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.

*Virgilio Almeida é professor associado ao Berkman Klein Center da Universidade de Harvard, professor emérito da UFMG e ex-secretário de Política de Informática do Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação.

 

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