Histórico
A Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) como todas as instituições tem uma história que não é apenas feita a partir de uma deliberação única. A história tem um sentido, mas este sentido não é forçosamente apenas o resultado de uma decisão preliminar seguida sem tropeços. A história pode ser o resultado da união de esforços, cuja origem é múltipla. A unidade, porém, vem da ideia que está por trás destes esforços. É o caso da ABMES.
A história da ABMES teve início na década de 1980 graças ao esforço de um grupo de mantenedores que decidiu criar uma associação que representasse a categoria nacionalmente e que lutasse pelos interesses das instituições de ensino superior particulares. De acordo com Candido Mendes, o primeiro presidente, “a criação da ABM (primeira sigla utilizada pela entidade) respondeu ao primeiro momento da consciência da mudança do País, na área crítica da educação superior de par com as perplexidades de uma política pública para o setor. Ou melhor, da sua ausência, a expansão da demanda levou à maciça dominância do setor privado no espontâneo atendimento ao mercado”.
Ao longo de quase três décadas, a ABMES tem atendido às expectativas de seu quadro de associados, na medida em que marca a sua presença no cenário nacional por meio de uma contribuição decisiva nas discussões e no encaminhamento de grandes temas pertinentes ao desenvolvimento da educação superior, com destaque para o papel do ensino superior particular.
A experiência de vida da ABMES é singular e diferenciada. Candido Mendes estabeleceu durante a sua gestão (1982/1992), os ideais e os princípios que até hoje norteiam a entidade. Ele dizia em 1982: “A ABM deverá ser um grande fórum de discussão e diálogo das escolas, no sentido de captar as suas aspirações e traduzi-las em proposições viáveis ao Governo, já que a falência do setor significaria hoje a frustração de quase um milhão de brasileiros e a inexorável condenação dessa geração”.
Na gestão de Édson Franco (1994/2004), a ABMES viveu a sua segunda fase. Cresceu em número de associados – passou de 30 para 334 mantenedoras; conquistou novos espaços; trouxe para o âmbito da entidade o debate sobre temas de interesse da educação superior brasileira; ganhou respeitabilidade na comunidade acadêmica e no governo; criou a ABMES Editora, cujas publicações são conhecidas em todo o território nacional pela qualidade de seu conteúdo. Além disso, nesse período, foram realizados estudos, seminários – com a colaboração de intelectuais do Brasil e do exterior – que tiveram um papel decisivo não só para a compreensão dos problemas educacionais como também para estabelecer os fundamentos das propostas encaminhadas pela ABMES aos órgãos governamentais.
A primeira gestão de Gabriel Mário Rodrigues (2004/2007) foi marcada por fatos de grande impacto no cenário educacional brasileiro, dentre os quais se destacaram as mudanças de ministros da educação – Cristovam Buarque, Tarso Genro e Fernando Haddad; a edição e a regulamentação do Programa Universidade para Todos; as discussões sobre a reforma da educação superior; a edição das normas de transição – com o objetivo de unificar a legislação e antecipar a vigência de pontos de consenso da reforma, e a elaboração do projeto da reforma da educação superior pelo governo.
Atentos a esses fatos – e baseados nos ideais e nos princípios estabelecidos por Candido e fortalecidos por Édson – adaptamos o nosso Plano de Trabalho às mudanças, de forma a permitir a discussão de tão importantes questões. Além disso, buscamos abrir espaços de interlocução com o governo para o encaminhamento de propostas de políticas para a educação superior, expressando o pensamento e os interesses do setor privado. Com isso, a ABMES tornou-se partícipe das grandes discussões sobre o ensino superior no País.
Durante a segunda gestão (2007/2010), Gabriel buscou fortalecer as ações no âmbito acadêmico, até então desenvolvidas, e dar um grande salto na direção de uma atuação política mais forte e consistente. Para tanto, liderou a criação e assumiu a secretaria executiva do Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular – composto pela ABMES, Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup); Associação Brasileira das Faculdades Isoladas e Integradas (Abrafi); Associação Nacional dos Centros Universitários (Anaceu) e Sindicato das Entidades Mantenedoras dos Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp). O Fórum é, por excelência, a instância articuladora entre as instituições de ensino superior com o Ministério da Educação e com o Congresso Nacional.
Nesse contexto, o campo está preparado para que a ABMES – cujo quadro de associados abriga 387 mantenedoras e 575 mantidas – se consolide, na terceira gestão de Gabriel (2010/2013), como entidade representativa do ensino superior privado e esteja pronta para enfrentar os novos desafios das próximas décadas do século XXI.
Brasília, março de 2011.
Gabriel Mario Rodrigues
Presidente da ABMES






