Mantenedoras e Mantidas:
Duas Entidades e Dois Esquemas de Gestão
Justificativa
Com a rigidez das concepções organizacionais do passado,
as instituições mantenedoras somente poderiam ser governamentais
- oriundas dos governos federal, estaduais ou municipais -
e particulares, sem finalidades lucrativas, entendidas como
associações, sociedades civis ou fundações. As instituições
mantidas, somente poderiam ser escolas isoladas, federações
de escolas ou universidades.
A flexibilidade de concepções organizacionais e da legislação
nos dias atuais proporcionou ampla liberdade na constituição
de mantenedoras e na organização estrutural das mantidas.
Mantenedoras podem ser governamentais ou particulares. Se
particulares, podem assumir quaisquer das formas admitidas
em direito: associações ou sociedades civis com ou sem finalidades
lucrativas, sociedades comerciais, e, fundações, estas sempre
sem finalidades lucrativas
A tipologia das entidades mantenedoras se expressa, dentre
outras, pelas seguintes composições e/ou modalidades: educadores
não familiares; educadores familiares e não familiares; educadores
familiares; educadores e poderes públicos; educadores religiosos
ou igrejas; profissionais específicos.
Mesmo considerando a diversidade de formas de gerenciamento
das mantendoras, as universidades e os centros universitários
devem gozar de autonomia, decorrente do artigo 207, da Constituição
Federal: autonomia didático-científica, administrativa e de
gestão financeira e patrimonial. As demais modalidades de
instituições mantidas não gozam de autonomia legal.
É muito comum, nas particulares, inclusive nas confessionais,
mantenedores ou oriundos de mantenedoras, exercerem funções
nas mantidas, num sistema de concomitância. Diversos casos
há em que, por problemas de gestão, está-se registrando uma
busca pela profissionalização da gestão das instituições mantidas.
Há uma "verdade" que vem sendo repetida a cada
passo: "em escola não há economia de escala". Assim,
o binômio custos versus resultados exige profissionalismo
de ação e
compromisso com a qualidade. Profissionalismo para identificar
despesas desnecessárias e compromisso com a qualidade para
investir na busca de resultados para além dos resultados financeiros.
O profissionalismo exige estabelecimento de políticas e o
compromisso impõe segui-las fielmente. As escolas constituídas
por mantenedores profissionais (não tradicionalmente professores)
têm demonstrado acerto nos princípios acadêmicos estabelecidos
e têm adotado padrões de preços acima do comum das demais
instituições, demonstrando que preço não é o único diferencial
para atrair alunos. A questão do tempo integral ainda se constitui
desafio para entidades mantenedoras, assim como a pesquisa,
intrinsecamente considerada, não deve resultar de recursos
oriundos de mensalidades, simplesmente.
Mantenedoras e mantidas devem atuar da melhor forma para
atender ao "seu" público, tendo como base um adequado
sistema de planejamento constituído de um rigoroso Projeto
Institucional, no qual esteja clara a missão, a vocação, os
objetivos, os princípios e as diretrizes da instituição educacional;
de um Plano de Desenvolvimento, de duração plurianual; de
Planos Anuais de Trabalho e de efetivo Sistema de Acompanhamento
Físico e Financeiro dos Projetos aprovados nos Planos Anuais.
Há enormes despesas para conquista de novos alunos e deve
haver preocupação concreta no sentido de se evitar a evasão.
A concorrência feroz exige profissionalismo de gestão de mantenedoras
e de mantidas.
Nada como fortalecer, seja por mantenedoras, seja por mantidas,
laços interinstitucionais vigorosos. A respeitabilidade pela
instituição educacional resulta em benefício concreto para
mantenedoras.
Mantenedoras precisam ser constituídas com uma sólida filosofia
educacional e geridas de forma estratégica. As tributações
às IES e os limitados recursos de financiamento ao alunado
requerem uma gestão de mantenedoras e de mantidas forte e
coerente.
Mantidas devem contar com talentos individuais que estabeleçam
a distinção e a diferença das demais e com colegiados competentes,
de forma a construírem história, a fim de atuarem em regime
de consistente esforço coletivo, criando marcas, reconhecidas
na comunidade.
CURSO "MANTENEDORAS E MANTIDAS: DUAS ENTIDADES E
DOIS ESQUEMAS DE GESTÃO"
Data: 5 e 6 de novembro de 2002-10-18
Local: Auditório Victorio Lanza - Sede da ABMES,
Brasília
Objetivos
Refletir sobre os novos desafios para a gestão das instituições
de ensino superior; Discutir a flexibilidade das concepções
organizacionais das instituições mantenedoras e das instituições
mantidas, tendo em vista a legislação vigente; Compreender
a tipologia das entidades mantenedoras; Estabelecer os contornos
das relações entre instituições mantenedoras e instituições
mantidas; Aprofundar a discussão de temas na constituição
e administração de entidades mantenedoras e mantidas.
Programação
Dia 5 de novembro
Manhã (9 horas às 12 horas)
Cenário atual do mercado educacional brasileiro na visão
do marketing educacional. Cenários, tendências e perspectivas
para a educação brasileira. Erros de interpretação das estatísticas
do setor privado. Posicionamento, foco e políticas de marketing
para IES. Planejamento estratégico de marketing educacional.
Mercado Educacional brasileiro e mundial: cenários.
Conferencista: Ryon Braga (Diretor da Hoper
Marketing Educacional e Revista @prender)
Constituição e administração de entidades mantenedoras
e mantidas: estrutura e responsabilidade social das instituições;
indissociabilidade ensino, pesquisa e extensão; autonomia,
gestão, custos versus resultados, profissionalismo, estabelecimento
de políticas e compromissos; projeto institucional.
Conferencista: Édson Franco (Presidente
da ABMES)
Tarde (14 horas e 30 min. às 18 horas)
Relações de trabalho no ensino superior. Plano de
carreira exigido pelo Ministério da Educação, sua legalidade
e suas implicações; remuneração por tarefa; educação a distancia
na relação de trabalho e o direito autoral; cooperativa de
trabalho; terceirização.
Alteração da natureza jurídica das mantenedoras. Entidades
mantenedoras e a organização da Sociedade Civil de Interesse
Público; transformação da natureza jurídica das entidades
mantenedoras; transferências; fusão; cisão; venda; busca de
investidores; vendas de ações; desatrelamento do Estado.
Conferencista: José Roberto Covac (Assessor Jurídico
do Semesp)
Dia 6 de novembro
Manhã (9 horas às 12 horas)
Relações de trabalho no ensino superior: plano de
carreira na relação de trabalho; plano de carreira exigido
pelo Ministério da Educação; regime integral e parcial; contrato
de trabalho e a atividade docente e não docente.
Conferencista: Antônio Carbonari Neto (Vice-
presidente da ABMES)
Custos da instituição e de seus cursos: planilha de
custos; proposta orçamentária e sua execução; controle financeiro
e orçamentário.
Conferencista: José Luis Poli (Pró- Reitor Acadêmico
do Centro Universitário Anhanguera)
Tarde (14 horas e 30 min. às 17 horas)
Seção Plenária
Com a participação de todos os conferencistas