Gestão do Conhecimento para Atualização
Profissional, Informação Tecnológica e Educação Superior
Cristovam Buarque
Ivônio Barros Nunes
PARTE I
Educação para Toda a Vida
Os índios ayamara, dos Andes, têm um
poema que se aplica à universidade brasileira e mundial. Segundo
eles, para ter a felicidade, uma pessoa precisa de sete harmonias:
para frente, com o seu passado conhecido,
para não sofrer com remorsos e más lembranças,
para trás, com o seu futuro desconhecido,
para não ter medo nem ansiedades,
para cima, com os deuses e os espíritos,
para ter uma razão superior para existir e um papel superior
a cumprir,
para baixo, com a Terra e o mundo
onde vive, para poder canalizar sua energia e agir,
para o lado esquerdo, com sua família
e amigos, para que sua vida pessoal seja motivo de alegria,
para o lado direito, com os vizinhos
e o seu país, para que sua vida social seja útil,
para dentro de si, com o seu coração,
para reconhecer e usufruir das outras seis harmonias.
Este poema de muitos séculos atrás, elaborado
por um dos mais primitivos povos do mundo, tem muito a ensinar
à universidade, centro e símbolo da modernidade do século
XX.
Debatendo-se em uma profunda crise de
identidade, de função, de competência, a universidade precisa
aprender com os aymara e procurar suas sete harmonias, ligando-se
ao mundo e sua realidade mutante.
1. ligada para frente, com o gosto de
conhecer seu passado.
Os universitários não se interessam pela
história da universidade. Nem da universidade como instituição,
nem de sua própria universidade. Poucos deles, inclusive no
curso de história, dedicam tempo para entender o surgimento
da universidade, no século XI, em Paris e seu rápido desenvolvimento
em seguida por outros países da Europa.
Para a grande maioria dos universitários,
a universidade é apenas uma escola, de um nível superior ao
do curso primário e secundário, com a finalidade de ensinar
uma profissão. E o papel do universitário é dedicar-se a cumprir
o roteiro dos seus cursos e virar um profissional.
Ao pensar assim, deixam de ver que a
universidade mais do que a continuação dos estudos, é uma
ruptura na maneira de criar e transmitir conhecimento usada
nos demais setores educacionais. A universidade não surge
apenas para aprofundar nos jovens os estudos que fazem quando
crianças, ela surge como o produto de uma revolução na maneira
medieval de conhecer o mundo.
Desde o fim do academicismo grego e do
império romano, a Europa se fechou por mil anos em mitos,
na idéia de que o pensamento vinha de revelações espirituais
e deveria ser dedicado à interpretação dos textos religiosos.
Houve avanços científicos, houve contatos com o Oriente, houve
uma arte sacra, mas a população era prisioneira dos mitos.
Foi a luta intelectual entre o iluminismo
que se iniciava com o renascimento e o misticismo que se mantinha,
que levou à criação da universidade.
Entender isso trás a dimensão revolucionária
da universidade. Passar do segundo grau para a universidade
não é uma continuação, é uma ruptura, e cada aluno deve entender
isso. E só consegue ligando-se ao seu passado, através do
conhecimento da história mais antiga da origem da universidade.
Mas não basta ligar a universidade ao
passado de sua origem conceitual, é preciso que cada aluno
conheça também a história específica da universidade onde
ele estuda. O conhecimento conceitual coloca o aluno em sintonia
com o espírito universitário, o conhecimento específico da
história de sua universidade que lhe dá o sentimento de coleguismo
com os demais alunos e ex-alunos, faz dele um grupo, uma família
intelectual.
Por isso, a universidade deve ter como
disciplina introdutória, logo no primeiro semestre, para todos
os alunos, uma disciplina que ensine:
a história da origem da universidade,
o conceito de universidade,
o papel da universidade na história
do pensamento universal,
formas alternativas de pensamento
anterior à universidade ou concomitante à universidade,
a história da própria universidade,
seus fundadores, suas propostas, suas estruturas, seus
cursos, ao longo do tempo.
2. Ligada para trás, com a aventura de
construir seu futuro
A universidade encontrará no seu passado,
motivo de harmonia. Apesar de colaborações com trabalhos pouco
humanitários, como desenvolvimento de armas, com o nazismo
na Alemanha, com o apartheid na África do Sul, a história
da universidade é motivo de orgulho, e não de angústia.
O mesmo não se pode dizer do olhar para
o futuro.
Diante da universidade está um desafio
que a deixa angustiada. Na sua forma atual, seu futuro está
ameaçado.
A universidade atual não resistirá às
velocidades como avançam o conhecimento e sua divulgação.
A cada dia surgem novos conhecimentos que se espalham em forma
instantânea.
Quando a América foi descoberta, a universidade
teve décadas, talvez séculos, para ajustar seu conhecimento
à nova geografia. Fora do mundo dos navegadores e dos políticos,
os professores universitários foram os primeiros a conhecer
e divulgar a nova realidade da geografia mundial, seus alunos
os primeiros a saber. Hoje, quando se descobre qualquer novo
acidente geográfico em qualquer parte do espaço sideral, toda
a população mundial toma conhecimento simultaneamente com
a descoberta. Sem necessidade da intermediação da economia.
O mundo intelectual do começo do século
XXI é um furacão de novos conhecimentos e um turbilhão de
informações sobre eles.
Neste contexto, a universidade enlouquece
por não ser capaz de acompanhar a velocidade daquilo para
o que ela foi inventada: descobrir e divulgar.
Cinco componentes dão esta sensação de
inutilidade:
a) A percepção de que muitos de seus alunos já não encontram
emprego.
Até pouco tempo atrás, a universidade
era uma escada segura de ascensão social para seus egressos.
Isso lhe dava um prestígio automático, independente de qualquer
outro resultado. A universidade adquiria sua harmonia no simples
papel de instrumento social de promoção de seus alunos. Isso
acabou. A mutação tecnológica faz com que muitos dos profissionais
formados pela universidade cheguem ao mercado obsoletos, no
mesmo dia de sua formação. Além disso, o processo de globalização
da economia e da sociedade faz com que cada país tenha acesso
às técnicas e conhecimentos do exterior, sem necessidade de
profissionais locais. O desemprego de seus egressos tira uma
função da universidade e a deixa perplexa, descontente, sem
harmonia com o futuro imediato.
b) O sentimento de que grande parte da
produção já não vem de seus laboratórios.
Ao longo deste século, ainda mais do
que nos anteriores, a universidade foi o centro principal
de geração de novos conhecimentos, através dos laboratórios
de seus departamentos. A partir das últimas décadas, uma grande
parte das invenções e descobertas na ponta do conhecimento
vêm de outros setores intelectuais externos à universidade.
A Nasa, a Microsoft, as grandes empresas, laboratórios acadêmicos
externos à universidade, são centros de pesquisa tão ou mais
importantes do que a própria universidade. E a divulgação
do conhecimento produzidos fora da universidade chega ao público
por fora das salas de aulas e dos laboratórios de pesquisas
das universidades. A universidade fica com uma sensação de
inutilidade.
c) A sensação de que muitos dos produtores
intelectuais já não precisam de diploma universitário.
Ao mesmo tempo em que os egressos ficam
desempregados, a universidade vê, para sua irritação, que
muitos dos novos empregos são preenchidos com profissionais
que não passam pelas bancas universitárias. São jovens autodidatas
(ou que se formaram trabalhando) nas novas áreas que a universidade
não consegue acompanhar, em função da rigidez de seus cursos
e de suas estruturas.
d) A descoberta de que, de repente, as
empresas e o estado montaram instituições próprias, não só
de pesquisa mas também de formação dos técnicos que necessita.
A cada dia a universidade vê surgir,
com o nome de universidade corporativa, centros de formação
para os funcionários da MacDonald’s, da Xerox e de cada uma
das grandes empresas do mundo. A universidade tradicional
vai ficando órfã, por não atender as demandas do mercado de
pessoal superior. Isso não por causa de falta de egressos
ou de vagas, mas porque o ensino da universidade não responde
à demanda. Os cursos fechados nos departamentos, as teorias
que chegam depois de longos doutorados, não são capazes de
acompanhar um novo conhecimento que se faz novo a cada dia,
e cada dia mais necessário. O próprio Estado, que mantém as
universidades, mostra suas desconfianças, ao criar cursos
superior separados da universidade, capazes de formar os profissionais
que ele precisa.
e) O susto de que as pessoas se informam
diretamente, pela mídia, dos novos conhecimentos desenvolvidos
fora da universidade.
Finalmente, o avanço dos novos métodos
de comunicação em tempo real, faz com que a mídia seja o veículo
de transmissão do conhecimento diretamente entre o criador
intelectual e o público em geral, sem necessidade de intermediação
da universidade. A instituição que foi criada para transmitir
conhecimento, toma conhecimento pelas transmissões da televisão.
Os jovens são informados da criação de novos países assistindo
a Copa do Mundo de Futebol, de que existe água na Lua, pelo
Jornal da Noite, sabe dos novos avanços da genética pelas
revistas semanais, e da descoberta de novos planetas diretamente
pelos jornais. Isso quando eles não acessam diretamente na
internet e sabem dos novos conhecimentos antes mesmo das informações
chegarem pela televisão, rádio, jornais ou revistas.
Os alunos não encontram emprego porque
a universidade não foi capaz de se sintonizar com as novas
demandas do mercado de trabalho, baseado no rápido avanço
técnico. A produção intelectual é feita fora porque a estrutura
departamental não basta para fazer avançar o conhecimento
e em conseqüência foi necessário criar entidades externas,
centros de pesquisa, capazes de realizar o pensamento integrado,
multidisciplinar, necessário para setores que não cabem dentro
de nenhuma das categorias do conhecimento tradicional que
estruturaram a universidade rigidamente nos departamentos.
Ao não formarem os cientistas das áreas novas, a universidade
viu surgirem gênios dos novos tempos, sem cursos universitários,
como é caso dos que criam as técnicas nas áreas de computação,
telecomunicações. Ao mesmo tempo, por não formar mão de obra
capaz de resolver os problemas dos grandes conglomerados,
na nova economia global, as empresas foram levadas a criarem
as universidades corporativas.
O resultado é a frustração manifestada
pela universidade no seu dia a dia. O descontentamento, mal
estar, incômodo toma conta de seus quadros, especialmente
de seus professores. Descontentes, eles aumentam a angústia,
no lugar de procurar retomar a harmonia.
Esta situação, dentro do atual quadro
pode ficar mais assustador ainda se olharmos o futuro mais
distante. Quando a neurobiologia se unir a microeletrônica
e a teleinformática, podemos chegar ao ponto de dispensar
grande parte do processo de aprendizagem, fazendo-o através
do implante de chips carregados de conhecimento ligados diretamente
nos neurônios, dos "alunos". A universidade, se
estiver pronta para isso, se limitará a formar os técnicos
que fabricarão os "chips"
Para retomar a sintonia com o futuro,
a universidade só tem um caminho: assumir sua crise de identidade
em um mundo em mutação, fazendo do seu futuro um tema permanente
de estudos. Transformar a frustração em desafio, como um caminhante
perdido, que é capaz de transformar a perda em aventura.
Para isso, cada universidade deve:
Colocar a universidade do futuro
como tema de debate de todos os universitários.
Ao terem o sentimento de que a universidade
é eterna, e de que sua estrutura atual é definitiva, os
universitários deixam de perceber os riscos adiante, e não
imaginam os novos cenários nos quais sua instituição se
situará. Mesmo aqueles universitários que se dedicam a pensar
os cenários de futuro, evitam imaginar em toda radicalidade
os cenários para a universidade. Só o choque do novo poderá
abrir a chance para um trabalho de revisão da estrutura
da universidade.
Experimentar permanentes mudanças
em seus currículos, estruturas, programas, temas de estudo.
Para entrar em sintonia com o futuro,
nada pode ser impedido de ser tentado dentro da universidade.
Como quem tenta avançar tateando, a universidade precisa tatear
seu futuro. E, ensaiar aquilo que considera o caminho correto.
Neste sentido, a universidade deve, de imediato rever todos
os seus princípios:
O princípio dos departamentos
Os departamentos não são suficientes
para produzir o conhecimento e o profissional de um mundo
onde os conhecimentos se unem, onde os problemas exigem ações
diretas sobre eles e suas causas. Um caminho é a estruturação
da universidade também em núcleos temáticos e disciplinares,
que sirvam como encruzilhadas dos conhecimentos específicos.
O princípio dos cursos e dos diplomas
Ao longo de décadas e mesmo séculos,
a universidade organizou seus cursos em períodos fixos, com
um mínimo de quatro anos, e formulou o princípio de que ao
final deste período, o aluno se formava e recebia um diploma
válido para toda sua vida.
A realidade matou este princípio. Ao
se formar, nos tempos de hoje, o estudante já tem superado
uma grande parte do conhecimento que adquiriu. E o conhecimento
pode ser adquirido em tempos muito mais curtos do que os tradicionais
quatro a seis anos.
A nova universidade deverá reduzir o
tempo de seus cursos, e ao mesmo tempo fazê-lo permanente.
Os alunos passarão menos tempo dentro da universidade e jamais
sairão dela.
Neste momento da história da universidade,
no dia de sua formatura, um engenheiro já está com seus conhecimentos
superados, alguns já se formam totalmente obsoletos, por isso
não precisa um curso longo de cinco anos para se formar. Nem
adianta este tempo tão curto. Para continuar engenheiro, ele
terá que estar permanentemente ligado à universidade em um
sistema on-line de atualização. A universidade fica parte
do tempo como formadora e todo o tempo como recicladora e
fonte de informações. Só na lápide do túmulo será possível
afirmar definitivamente a profissão de um universitário. Como
se a lápide de pedra substituísse o diploma de papel, e o
conhecimento só ficasse suficiente depois que o profissional
deixar de trabalhar.
o princípio dos doutorados
Atualmente, as universidades criaram
um altar para os doutores. Em todas as áreas, o diploma de
doutor passou a significar a referência permanente do conhecimento
na área. Isso está asfixiando a universidade. Também no que
se refere aos doutorados, as universidades deverão fazer uma
mudança radical: eles serão cada vez mais necessários, como
cursos pós-graduados, e ao mesmo tempo cada vez menos necessários
como repositários de saber. Todos os universitários devem
caminhar para ser doutores, e nenhum deles pode considerar
seus conhecimentos como definitivos.
o princípio do campus
O campus universitário é uma das grandes
invenções da humanidade. Depois do enclausuramento dos mosteiros,
os intelectuais passaram a viver em espaços abertos, onde
conviviam. Mas, da mesma forma que o campus derrubou os muros
dos mosteiros, a internet está derrubando os muros invisíveis
que cercam os campi. A universidade do futuro não poderá se
limitar a um espaço geográfico. Ela será um espaço virtual
interligando todas as universidades do mundo, alunos e alunos,
professores e professores, alunos e professores.
3. Ligada para cima, com a ética, a espiritualidade
e a linguagem
A universidade ficou tão consciente de
sua importância no ensino das suas disciplinas, em seus departamentos,
que deixou de lado a preocupação com o seu propósito ontológico.
Formar alunos passou a ser a finalidade e não um meio para
fazer o mundo melhor e mais belo, melhor pelas técnicas, mais
belo pela verdade e pela arte. Duas razões faziam com a universidade
não se preocupasse com a dimensão da ética de seu papel.
Primeiro, porque vivia dentro de um paradigma,
onde o mercado ou o planejamento seriam capazes de conduzir
o processo social. A universidade podia se dar ao luxo de
não discutir os seus propósitos, assumir que ela produzia
um fim em si porque se integraria no processo social, servindo
à finalidade mais profunda do projeto civilizatório.
Segundo, porque o poder da ciência e
da tecnologia estava dentro dos limites que asseguravam pequenas
mudanças, capazes de serem corrigidas, em caso de erros.
Nas últimas duas décadas, estes dois
fatos se transformam.
O mundo sai da tendência evolutiva em
direção ao sonho de igualdade e liberdade graças ao avanço
técnico, e se situa em uma encruzilhada, na véspera de uma
ruptura. De um lado a possibilidade de retomar os sonhos éticos,
mas controlando a técnica. De outro, o risco do avanço técnico
levar à divisão da humanidade, partida entre uma parte moderna,
rica, inteligente, longeva com saúde plena, e outra excluída,
pobre, com baixa esperança de vida, fraca e sem saúde.
Surge a necessidade de pensar não apenas
como construir o futuro, mas qual futuro construiu.
Além disso, percebe-se o poder catastrófico
que tem a ciência e a tecnologia ao brincar com as coisas
do mundo.
A bomba atômica foi o primeiro indicador
desta mudança. Depois dela, o mundo percebeu que fazia uma
ruptura com o significado da palavra guerra, e que a ciência
e a tecnologia adquiriam um poder catastrófico. Desde então,
a cada ano, foram surgindo novos indicadores do risco de catástrofe
provocado pelo saber dos homens. Mas a universidade não mudou.
Continuou fazendo físicos como se ainda estivéssemos no tempo
de Newton, biólogos como se não houvesse ainda a possibilidade
de manipulação genética pela bioengenharia, os economistas
continuaram trabalhando com base no aumento da produtividade,
sem preocupação com o fato de que as novas técnicas descartam
a necessidade de emprego.
Prisioneira de sua arrogância de construtora
de um mundo sempre caminhando para ser melhor e mais belo,
mais livre, a universidade ignorou que ela pode ser a construtora
de um mundo trágico. No lugar da beleza, da verdade, da bondade,
da igualdade, a universidade pode ser um instrumento da construção
de uma humanidade partida, entre aqueles que têm acesso aos
benefícios das técnicas e do conhecimento que ela cria, e
as massas excluídas. Se continuar neste rumo, dentro de algumas
décadas, a universidade terá sido um dos mais importantes
instrumentos da ruptura da humanidade em dois tipos diferentes
de seres humanos, uma ruptura da própria espécie dos seres
humanos, em duas espécies distintas, construídas pelos economistas,
pelos biólogos, pelos engenheiros, pelos psicólogos, pelos
próprios filósofos formados na universidade.
A universidade da África do Sul teve
um papel preponderante na legitimação e na implantação do
apartheid, a partir dos anos 30. O mesmo pode acontecer com
a universidade mundial, no começo deste século. O instrumento
de legitimação e construção do desenvolvimento separado, global
para os ricos do mundo formando um primeiro mundo internacional
deles, e o arquipélago de pobres espalhados pelo mundo, com
um corte dentro de cada país.
Para enfrentar seu novo tempo, a universidade
precisa redescobrir a ética como parte de sua preocupação
constante. Nenhum profissional da universidade, estudante
ou professor, pode deixar de se perguntar, a cada dia, porque
e para que está na universidade e não apenas se perguntar
como sair dela com boas notas, como é a pergunta atual.
A preocupação com seu propósito tem que
ser constante. A universidade dos próximos anos deve não apenas
ensinar uma profissão, mas também incorporar nesta profissão
um sentimento do propósito ao qual ela serve, dentro dos valores
fundamentais que a humanidade conseguiu construir até este
momento. Se não fizer isso, ela será o instrumento do avanço
técnico e científico, mas será o instrumento do retrocesso
ético.
Neste propósito, a universidade terá
que redescobrir um valor que estava na sua origem: o valor
da espiritualidade. No momento de sua criação, a universidade
era ao mesmo tempo liberdade dos dogmas religiosos, mas ainda
centro de reflexão e valorização da espiritualidade. Com o
tempo, com o racionalismo, com o cientificismo, a universidade
foi se afastando da espiritualidade.
Para ela, a verdade era apenas aquela
que se apresentava em suas teorias. Ela saiu da espiritualidade
e caiu no dogma do cientificismo. O que hoje acontece no mundo
é uma crescente necessidade de espiritualidade. Não apenas
sob a forma religiosa, também sob a forma das artes, das reflexões
puras, das possibilidades de novos entendimentos e novas formas
de pensar.
A universidade precisa perder a arrogância
de suas teorias e aceitar teorias que surgem no mundo, fora
do Campus. Mesmo que sejam esotéricas, incompatíveis com o
rigor científico, mesmo assim existem no mundo e com um papel
a cumprir: serem instrumentos de avanço na direção da verdade,
ou apenas um direito dos seres humanos a suas crenças, mesmo
que em um espaço intelectual separado da ciência.
Finalmente, na sua ligação para cima,
com o mundo puro das idéias, a universidade precisa ser, nas
próximas décadas, um centro de invenção de novas palavras.
O ponto de mutação que a humanidade atravessa neste momento
exige uma nova leitura do novo mundo que surge.
Depois de um terremoto ou bombardeio,
os mapas perdem significado, suas ruas desapareceram, novos
caminhos surgem por onde antes eram casas. As ruínas exigem
novos mapas. O mesmo acontece com os dicionários; quando o
mundo muda, as palavras perdem sentido e novos conceitos estão
a procura de palavras que os definam. A realidade mudou, mas
as mesmas palavras continuam. É como se entre o pensamento
e a realidade existisse um véu encobridor. O papel da universidade
é desvendar este véu e mostrar a realidade, inventando as
novas palavras que o mundo carece para se descobrir.
Mas para isso ela tem que mudar. O que
se observa hoje é a resistência da universidade, dentro de
cada um de seus cursos, a aceitar o papel de construtora de
novas idéias e com elas novas palavras. Presos aos seus orientadores,
que estão presos aos textos onde estudaram ou àqueles que
escreveram, os professores se negam a colocar de lado as antigas
palavras e os velhos conceitos; não percebem nem imaginam
o que está surgindo; não se aventuram a construir um novo
mapa de conceitos através de um novo dicionário com as palavras
que casem com os novos fenômenos do mundo. A universidade
surgiu de uma guerra entre os velhos livros da idade média
e os livros em construção do renascimento. Mas ela esqueceu
seu papel transgressor e se fez defensora dos novos livros
onde estuda.
Ser universitário hoje deve ser lexicógrafo
do novo mundo em formação, e não o guardião dos velhos dicionários.
A ética, a espiritualidade e a linguagem
não entraram na universidade por nenhum dos departamentos
específicos. Nem mesmo pelo de filosofia, que toma a filosofia
como um fim em si, existente em busca de ser aprendida, e
não consegue ver a filosofia com a construtora do entendimento
de novas éticas.
Para ser infiltrada pela ética, a universidade
precisa de construtores de ética. Um caminho metodológico
para que esta infiltração ocorra é a montagem dentro da universidade
de um centro criador e instigador do pensamento para toda
a universidade. Um Núcleo da Reflexão Filosófica, da Promoção
do Debate Ético, da Receptividade às Formas Alternativas de
Pensar. A este Núcleo caberia promover, diariamente, o debate,
a contestação, a aceitação de dúvidas, a construção dos objetivos
finais da universidade e de cada um de seus profissionais,
suas pesquisas e ensino.
4. Para o lado esquerdo, ligando todas
a universidades com se fossem uma só.
A invenção do quadro negro mudou radicalmente
a forma de ensinar e aprender, a invenção do computador e
da internet mudará ainda mais. A sala de aula do futuro será
mais diferente das salas atuais, do que é diferente as atuais
em relação à academia grega clássica.
As universidades isoladas não serão capazes
de produzir o pensamento original que cada uma elas tem a
obrigação. A universidade do futuro será singular, uma única,
unificando todas em um só sistema de informações.
Os novos meios de comunicação permitem
que o aluno de qualquer universidade tenha acesso aos professores
e às informações e aos cursos de qualquer outra universidade.
Para que isso aconteça é preciso que
cada uma delas procure se interligar em uma imensa rede universitária
mundial, compatibilizando seus sistemas, definindo vocações
específicas.
Enquanto uma integração mundial não é
organizada como algo usual, é preciso que dentro de cada país
seja criada a rede universitária.
Com esta rede montada, a universidade
mudará sua concepção de cursos. Cada aluno poderá ficar muito
menos tempo dentro do campus, os cursos serão reduzidos para
poucos anos, e até meses, mas ao mesmo tempo durarão para
sempre na vida do profissional.
Ligada entre todas elas, a universidade
do futuro estará ligada permanentemente com todos seus ex-alunos.
5. Para baixo, com a ecologia
Como todo o pensamento ocidental, desde
os gregos, a universidade surgiu sem respeito à Terra. A universidade
foi um passo adicional no caminho da arrogância antropocêntrica.
Isso pode funcionar corretamente até os anos 70. Já no final
dos anos 60, os homens começaram a perceber que viviam na
Terra, com recursos limitados.
Esta visão demorou muitos anos, até décadas,
para ser aceita como uma conclusão científica dentro das universidades.
Depois, penetrou nela sob a forma de movimentos ecológicos,
mas, até hoje não penetrou sob a forma de um pensamento holísticos,
não antropocêntrico.
A universidade, em todos os seus cursos,
ignora a ecologia, com exceção dos cursos específicos da área,
que, mesmo assim, consideram a ecologia como um tema de estudos
e não como uma nova maneira de pensar e sentir o mundo.
Em cada um de seus cursos, a universidade
desconsidera o meio ambiente, continua pensando antropocentricamente.
Uma prova disso é que os pensadores que
desejam incorporar o meio ambiente no pensamento, em geral
têm que sair da universidade ou, na melhor das hipóteses,
criar centros universitários independentes dos departamento.
Os cursos de economia não incorporam, raramente se preocupam,
com a redefinição do valor das coisas levando em conta a própria
Natureza. Continuam considerando apenas o valor do trabalho
ou simplesmente o preço de mercado. Os cursos de engenharia
não levam em conta o impacto ecológico das máquinas que seus
alunos criarão.
A universidade precisa estar em harmonia
com o mundo natural onde ela vive. E para isso precisa trazer
o problema ecológico, para dentro de seus pensamentos e sua
maneira de ver o mundo. Não apenas como um tema de militância
pela proteção ambiental, mas como uma nova forma de ver, entender
e criar idéias sobre o mundo. E sobretudo na definição do
mundo futuro que ela constrói.
Para que isso aconteça, é preciso que
o Núcleo de Reflexão Filosófica, independente do curso do
aluno, ponha entre seus temas permanentes, o debate sobre
a relação entre seres humanos e o resto da natureza, no jogo
ou dança de transformação das pedras, plantas e animais, nos
homens e sua civilização. Considerando que a Natureza faz
parte do patrimônio civilizatório e por isso tem que ser respeitada
e considerada.
6. Para o lado direito, com o País e
a comunidade ao redor
Ao mesmo tempo que a universidade deve
se ligar ao conhecimento mundial, através das redes de informática,
formando uma só universidade, cada uma delas deverá também
no futuro se integrar com o seu ao redor, o país, a cidade
onde está
Hoje é o contrário, as universidade ainda
têm medo da ligação internacional no que se refere a forma
de criar pensamento e ao mesmo tempo elas se isolam do seu
ao redor. Estudam isoladamente problemas distantes de sua
realidade.
O caminho para esta ligação da universidade
com o seu redor passa pelos temas de estudo e pela atividade
de extensão.
O futuro da universidade está em se fazer
universal pela ligação com o resto do mundo, mas aproveitando
a vantagem que tem em estudar os temas dos quais está próxima.
É o mergulho no local que dará o respeito
internacional à universidade e é sua ligação com o mundo que
lhe permitirá criar com competência e divulgar universalmente
suas idéias.
Por outro lado, a universidade não deve,
no futuro, se isolar dos problemas locais, não apenas no estudo,
mas também na ação. É inaceitável que uma universidade ignore
o analfabetismo ao seu redor, que seus médicos ignorem as
doenças e os doentes que estão por perto.
A universidade deve se incorporar à campanha
pela erradicação da pobreza, pela luta contra as doenças endêmicas,
pela implantação de condições de higiene nas cidades onde
ela está.
7. Para dentro
A universidade, para estar em harmonia
consigo precisa viver um clima de companheirismo, alegria.
A universidade que não for alegre não será uma universidade.
Lamentavelmente ela perdeu grande parte desta alegria. Para
que ela volte, além da sintonia com as demais harmonias, a
universidade precisa mudar internamente, aumentando o lado
lúdico de seus cursos, incentivando mais atividades esportivas
e festas.
8. A universidade tridimensional
Para estar em sintonia com o mundo, para
ligar-se e ficar em harmonia, a universidade dos departamentos
terá que se transformar em uma universidade tridimensional
com seus departamentos, seus núcleos tématicos, seus grupos
de atividades lúdicas, seu núcleo de reflexão filosófica e
tudo isso ligado ao mundo ao redor pela extensão e ao mundo
inteiro pelos meios atuais de comunicação.
PARTE II
Tecnologia e Educação
Capítulo 1. Inovações na Educação
O processo educativo é um componente
fundamental da vida social moderna, é peça essencial da socialização
dos seres humanos, que acabam se vendo no espelho como diferentes
dos demais animais justamente porque conseguem viver em comunidades
a partir de condições que se expressam de forma histórica.
Somos os únicos animais que têm a referência do futuro, construída
a partir de nossa compreensão do passado e do presente em
movimento.
A organização desse processo de socialização
foi sendo construída ao longo de milênios, mas foi nos últimos
três mil anos que ela foi tomando a forma de um processo educativo,
que agrega elementos que hoje entendemos como parte do processo
ensino-aprendizagem.
A educação, nesse amplo contexto da formação
humana ou da criação da humanidade, deve ser vista como um
caminho de organização de valores, como também um processo
de construção de conhecimentos, formação de habilidades técnicas
e cognitivas. Contudo, apesar de fundamental para a humanidade,
o acesso ao conhecimento foi algo muito seletivo. às plebes
cabia o direito de obedecer – para isso tinham que aprender
algumas coisas, inclusive ter medo - ; às elites era reservado
o direito de mandar, fazer obedecer, criar o temor (material
e espiritual), processar o controle das massas.
Nos cursos de história ou estudos sociais
aprende-se desde cedo que a Revolução Francesa, de 1789, é
uma das maiores referências políticas e históricas da formação
das democracias modernas. Isto porque, naquele momento, estavam
em luta duas formas de governo, duas visões de mundo, dois
sistemas políticos e sociais. Um deles despótico, representando
o velho e o arcaico, o outro parecia ser participativo, dinâmico
e cheio de futuro, pois representava o novo, especialmente
para as classes desfavorecidas e as classes em ascensão.
Vendo de longe, pode-se valorizar ainda
mais aquele momento de passagem se for observado que ali estava
iniciando um longo e difícil processo de construção da cidadania.
Essa referência imediata à Revolução
Francesa se dá porque desde aqueles momentos até os dias de
hoje vivenciamos uma longa trajetória de lutas e mudanças
de comportamento, que foram, pouco a pouco, fazendo com que
pessoas excluídas dos benefícios sociais fossem se transformando
em indivíduos e depois em cidadãos.
Essa conquista da cidadania não é importante
só porque todos os adultos, independentemente de sexo, raça
ou credo, podem votar e ser votados, mas porque a pressão
democrática colocou em tela as necessidades de todos e ampliou
o leque de direitos que hoje consideramos universais (ou quase):
educação, saúde, alimentação, segurança, etc.
É possível, para se compreender melhor
o sentido geral da proposta da Universidade Permanente, fazer-se
uma comparação semelhante àquela que os cientistas sociais
fazem entre os primórdios da democracia e o veloz século XX,
onde grande parte dos direitos foi conquistada. Para o caso
da democracia, as conquistas descortinadas no século, que
acaba de se concluir, somente foram possíveis porque havia
uma base valorativa que se firmou desde a Revolução Francesa.
Dessa mesma forma pode-se dizer, com muita tranqüilidade,
que assim como "literatura é linguagem carregada de significado"
nada mais justo que ver a educação como o processo de construção
e reprodução de valores e saberes; especialmente como o meio
de edificação de modos de vida coletivos com base em valores
éticos e de solidariedade.
A educação é o processo de valorização,
reprodução e construção dos significados e de novos valores.
Dessa forma, as conquistas democráticas
do século XX passam a marcar profundamente o sentido da educação
e as opções que se faz para incorporar as massas e dar-lhes
acesso universal ao ensino. É nesse contexto que surgem as
políticas de educação popular, de educação para o trabalho,
de universalização do ensino, de respeito ao aluno (que aos
poucos, do início do século para cá, vai deixando de apanhar
nas escolas) etc. ...
Ao analisar os conceitos que estarão
sendo sugeridos em seguida, é importante observar que o ambiente
histórico e as referências de valores deste projeto da Universidade
Permanente estão ligados ao século XX, mas nosso olhar estará
voltado para o futuro. O sentimento de viver no futuro pode
ser a marca deste século XXI que começamos a construir. Por
isso nosso foco será sempre o ser humano em construção, o
cidadão que conquista o direito à educação e, ao mesmo tempo,
é desafiado a pensar, a criar, a reinventar seu mundo. Estamos
começando um século que vai ser muito mais revolucionário
e transformador que o anterior. Vai ser mais rápido, mais
frenético ... isso sabemos, o que ainda não sabemos, pois
exige muito de nosso esforço e da iniciativa de cada um é
se ele será mais justo, mais humano, mais verdadeiro. Por
isso é fundamental sempre e sempre insistir nos valores humanos.
Assim, ao mesmo tempo que o olhar da
Universidade Permanente é o futuro, se sabe que os valores
éticos que se moldam como seus alicerces têm uma referência
histórica muito tênue ainda. São valores que marcaram a segunda
metade do século XX, mas ainda não se mesclaram com as fibras
dos corações de todos. Até há pouco ainda se suportava a idéia
de que uma parte da humanidade era formada por seres humanos
e outra parte por algo que se assemelhava a eles, discutia-se
se negros e índios teriam alma ... era "natural",
em grande parte do mundo "civilizado" que homens,
mulheres e crianças negras fossem escravizados e tratados
como animais, como coisas que se trocavam em mercados fétidos.
Por compreender que a tarefa de construção
da Universidade Permanente não é somente um passo a mais no
sentido de criar mecanismos de informação e capacitação, o
foco de sua ação será sempre na educação, como processo de
construção da humanidade em cada um de nós. Assim, deve-se
tratar a educação não como adestramento ou o instrumento de
capacitação do indivíduo para o cumprimento de determinada
tarefa. Lembremos sempre, educação é parte essencial do processo
social de construção da humanidade em cada pessoa. Esse cidadão
em construção será, crescentemente, chamado a descortinar
novos caminhos, novas alternativas, novas formas de se conquistar
o bem-estar da humanidade, combinando isso com o respeito
ao meio ambiente e aos demais seres vivos.
Hoje em dia, a educação está, cada vez
mais, incumbida a desempenhar um papel fundamental na construção
da sociedade democrática. Ela aparece como condição (não única,
é certo) capaz de equalizar oportunidades e dar acesso amplo
e geral ao produto do conhecimento humano acumulado. "Educação
é simultaneamente a causa, a conseqüência e o facilitador
de mudança no interior de uma sociedade". E, fundamentalmente,
a "função social da educação é muito concreta e está
necessariamente vinculada ao processo de conquista e exercício
da cidadania plena por todos os membros de uma sociedade,
que se quer intransigentemente democrática".
É nesse contexto que despertam a educação
a distância e as tendências ao uso de tecnologias informativas
e comunicativas na educação presencial, na segunda metade
do século XX. Especialmente a educação a distância aparece
como meio adequado para criar novas oportunidades educativas
para um número cada vez maior e crescente de jovens e adultos
que desejam retomar estudos, ter acesso a cursos que complementem
sua educação formal ou como meio de manter cidadãos atualizados
sem perder sintonia com as mudanças contínuas e rápidas de
nossas sociedades industriais, que começam a, cada vez mais,
se transformar em sociedades da informação. A educação a distância,
de forma privilegiada, desponta como o meio de se materializar
e proporcionar a educação flexível, de qualidade e ao longo
de toda a vida, que nossas culturas começam a demandar. E,
mais diretamente em nosso caso em particular, a educação a
distância pode ser o grande instrumento para abrir a todos
os profissionais universitários a chance da atualização permanente,
o meio para colocar-se sempre em dia com os avanços do conhecimento
científico e tecnológico e, também, sintonizado com os debates
sociais e profissionais que o ambiente profissional e social
exige e promove.
Começando como educação a distância,
hoje ela tende a se transformar em um processo mesclado de
presencialidade, distância, comunicação instantânea, informação
em rede, trabalho cooperativo, construção universal do conhecimento,
educação por toda a vida.
Neste momento, os conceitos se confundem
e fundem-se. Isso porque há uma maré de transformação que
se avizinha, que chega sorrateira, que penetra nas formas
pretéritas de se educar, mas que ainda não construiu um novo
jeito próprio da contemporaneidade. Ao construirmos esse caminho,
precisamos compreender, em primeiro lugar, o sentido, o caráter
disso que chamamos educação.
A. O caráter da educação
Ao longo da história da humanidade, as
instituições educacionais, nas variadas formas organizacionais
que tomaram, sempre estiveram grávidas de um conflito permanente
entre o ato de conservar e o processo de renovação.
Não obstante seu papel fundamental no
desenvolvimento (e sustentação) da ordem social, a prática
educativa, notadamente aquela que se processa sob a égide
das escolas formais, tem muito mais feição (e função) conservadora
e reprodutora que renovadora ou crítica. Isso se pode observar,
com certa facilidade, tanto no plano ideológico quanto na
forma técnica, na organização institucional e nas metodologias
aplicadas ao processo educativo escolar.
Essa contradição interna pode ser caracterizada
inclusive como o motor da dinâmica da educação. Assim, podemos
ver a educação também como "um processo, individual e
coletivo a serviço da continuidade, da atualização e da renovação
de uma determinada cultura. O processo educativo, enquanto
dinâmica social, deve propiciar a elaboração e o domínio,
por parte dos indivíduos e dos grupos, de novos modelos de
indagação da realidade, de modelos valorativos e normativos
para a ação e de formas de comunicação e expressão que afiancem
a vinculação e coesão do grupo ou comunidade. Em essência,
o processo educativo consiste na permanente transformação
dos comportamentos para uma compreensão cada vez mais integral
e uma ação cada vez mais solidária sobre o mundo, em sua totalidade:
física, biótica e antrópica."
O caráter conservacionista da instituição
e dos agentes educativos pode tanto assumir a forma momentânea
de reação à mudança, como tomar a característica de um modo
de resistência a ataques que se façam contra determinada cultura,
organização societária ou costura social. Talvez por isso
aquelas organizações sociais que se incumbem de promover a
educação e desenvolver o ensino são as que muitas vezes tendem
a apresentar maior resistência à mudança e ao novo .
As instituições educacionais têm carregado,
ao longo da história essa dupla característica: são conservadoras
e, ao mesmo tempo, possibilitam o nascimento do novo.
B. A escola tem história
A escola, tal como a conhecemos hoje
em dia, tem origem no processo histórico que se inicia com
o longo caminho de decadência do regime feudal e constituição
do capitalismo. Aquelas escolas constituídas por Santo Crodegango
foram, após o reinado de Carlos Magno , dando espaço à constituição
da instituição escolar pública, ao lado da episcopal ou religiosa,
muito semelhante a que existe hoje, tanto do ponto de vista
institucional, quanto no que diz respeito à metodologia de
ensino e os rituais a ela relacionados.
Esse ambiente educativo tem, pelo menos,
mil anos de desenvolvimento, porém não se desenvolveu na mesma
velocidade e nem adquiriu a mesma complexidade que a organização
social e as ciências humanas. Mudou muito menos que a realidade
em sua volta. Principalmente, como assinalam alguns críticos
mais contundentes, pouco incorporou do saber científico e
tecnológico produzido ao longo desse período pela sociedade
que está ao seu redor.
As aulas eram em tempo integral e exigiam
dedicação exclusiva dos alunos e professores. Utilizava-se
a memorização, como técnica, e as citações, como demonstração
de erudição. A competição desenvolveu-se como elemento central
do aprendizado, que se acrescentou à dialética professor-aluno.
No início do milênio as aulas, em geral,
eram de tempo integral, os poucos que estudavam o faziam quase
que o tempo todo. No início de cada aula, ou se avaliava o
aprendizado do último período, lectio anterior ou lectionem
reddere (parecido com o que se faz hoje em universidades com
os controles de leitura) ou já se iniciava com a leitura (lectio,
praelectio, lectura) de um trecho clássico ou passagem da
Bíblia.
Em seguida eram feitos comentários e
análise do texto, sua base gramatical, as relações que pudessem
existir com outros textos ou situações. Os alunos faziam,
ao mesmo tempo em que falava o professor, suas anotações (reportationes)
com o objetivo de fixarem a aprendizagem. Usava-se muito técnicas
de memorização. Muito tempo depois, essas técnicas foram retomadas
pela didática jesuítica no Brasil nos séculos XVI e XVII.
Essas anotações eram divididas em notas
gerais, registro de palavras e pensamentos por ordem de assuntos
e, finalmente, os alunos faziam também citações, dando mostra
de erudição, ao lado dos assuntos que deviam desenvolver.
O texto, comentado pelo professor, suscitava
perguntas, tanto dos alunos quanto do próprio mestre. Dessas
perguntas, chamadas quaestiones, "brotava, espontâneo,
o diálogo - disputatio - entre o professor e os alunos, ou
entre grupos de alunos, seguindo o proceder da dialética (...)
Ao mesmo tempo, desenvolviam a competição, como se depreende
do modo que eram organizadas as disputationes. O professor
dividia os meninos em vários grupos, dos quais cada integrante
fazia perguntas a um parceiro. O bom andamento do certame,
a ordem a ser obedecida e a correção dos erros de latim cometidos
ficavam ao cargo do professor. Tudo tinha a feição de verdadeira
justa intelectual" .
Nos horários de almoço e jantar, os exercícios
continuavam. Também era utilizado, como método de aprendizagem,
fazer o aluno copiar trechos de textos (glosae) no centro
de uma folha de pergaminho, com espaço suficiente entre as
linhas para anotações e interpretação de frases ou de palavras
difíceis.
C. Tecnologias na educação
Comparando os métodos de ensino praticados
àquela época e os em vigor hoje em dia, é certo que diferenças
haverá, mas dificilmente se poderá imaginar que houve revoluções
que transformaram substancialmente a prática pedagógica e,
principalmente, o uso de recursos para a aprendizagem. O espaço
físico, a forma de organização de turmas, a sala de aula,
o quadro negro, a separação dos horários, os exercícios, os
estímulos, o currículo escolar, o credenciamento etc., estão
presentes desde pelo menos há seiscentos anos com características
muito semelhantes.
Nesse processo talvez o que tenha marcado
mais as mudanças no ensino não seja a forma de ensinar nem
de aprender, as técnicas e métodos usados, mas sim questões
de caráter social, ideológico e ético. As mulheres hoje são
maioria, por sua própria competência, luta e obstinação, nos
sistemas de ensino, como alunas e mestres. O castigo físico
foi incluído e, depois, excluído do processo pedagógico. A
Igreja não domina mais a escola. Hoje há o ensino gratuito
e o ensino pago. Isso não significa, de modo algum, que a
história da educação não seja rica, o é tanto quanto a história
das idéias e do processo civilizatório.
Contudo, ainda permanece, como característica
de nossas sociedades, certa dificuldade em encontrar outra
forma de disseminar os saberes acumulados e construir o processo
de socialização inteligente por meio de forma diversa daquela
adotada desde mais de um milênio, com a aplicação de tecnologias
diferentes das utilizadas naqueles tempos.
Analisando um período de tempo mais próximo
do presente, Lauro de Oliveira Lima apresenta uma crítica
contundente do que considera retardo entre a pedagogia e a
evolução técnica, metodológica e conceitual verificada nas
demais artes e ciências. Ele diz que a pedagogia é a mais
atrasada das ações humanas no que diz respeito à incorporação
dos conhecimentos científicos.
A tecnologia tem assumido, também, o
papel de elemento de pressão sobre os processos de ensino
e de aprendizagem. "Quarenta anos depois que Gutenberg
converteu uma antiga prensa de lagar em máquina impressora,
com tipo móveis, havia imprensa em 110 cidades de seis diferentes
países. Cinqüenta anos depois que a imprensa foi inventada,
mais de oito milhões de livros haviam sido impressos, quase
todos eles cheios de informação que antes era inacessível
à média das pessoas. Havia livros sobre direito, agricultura,
política, exploração, metalurgia, botânica, lingüística, pediatria
e até sobre boas maneiras. (...) Assim, tanta informação nova,
dos tipos mais diversos, foi gerada que os impressores já
não podiam mais usar o manuscrito do copista como modelo de
livro. Em meados do século XVI, os impressores começaram a
experimentar novos formatos, sendo que entre as inovações
mais importantes estava o uso dos algarismos arábicos para
numerar as páginas".
A impressora de Gutenberg, em razão do
processo social e econômico que dava origem à nova ordem capitalista,
serviu para disseminar conhecimentos, potencializar o poder
das idéias. A palavra poderia, então, caminhar mais rapidamente
que o autor. Não se tratava somente de informação que fluía,
mas de bases para a construção de novos conhecimentos que
se disseminava. O estudante podia ter acesso, talvez com a
mesma facilidade que o mestre, aos conhecimentos, às idéias
e às informações que estavam sendo tratados na escola ou na
universidade.
A reação não tardaria, podem dizer alguns:
"A invenção do que é chamado de currículo foi o passo
lógico para organizar, limitar e discriminar as fontes de
informação disponíveis. As escolas tornaram-se as primeiras
burocracias seculares da tecnocracia, estruturas para legitimar
algumas partes do fluxo de informação e para desacreditar
outras. Resumindo, as escolas eram um meio de governar a ecologia
da informação". Neste caso, usando novamente um conceito
amplo de tecnologia, o currículo é uma tecnologia de organização
do processo de ensino, formada sob a base de uma determinada
cultura que, por um lado, podia estar preocupada em sistematizar
e orientar o processo didático para a melhor forma de se transmitir
determinado conhecimento, como também poderia ser um meio
(ideológico) de controlar essa transmissão de conhecimentos
e valores.
Provavelmente a forma mais acertada de
se entender a resistência da escola e dos agentes educacionais
seja a de perceber esse comportamento como não sendo impeditivo
do desenvolvimento de novas metodologias e técnicas pedagógicas
ou mesmo como sendo incapaz de promover a negação absoluta
da incorporação de novas tecnologias ao ato educativo, mas,
antes de tudo, como uma resistência que retarda a incorporação
dessas inovações, até mesmo, em certos casos, como manifestação
de precaução de cautela frente os modismos passageiros.
Contudo, o importante é saber e compreender
que o processo de formalização do ato educativo é algo com
características históricas, é construído a partir dos anseios,
dos desejos, das realidades sociais, econômicas e políticas,
das relações culturais, dos conflitos e dos acordos, enfim,
tanto a educação em geral, quanto suas instituições e mesmo
as teorias, as metodologias e as técnicas, são criações das
sociedades, dos homens e mulheres. E, assim, têm começo, meio
e fim; ou melhor dizendo, podem mudar, se transformar em outras
formas de se educar ou de possibilitar a construção individual
e social do conhecimento.
O mais importante é ter a mente aberta
ao novo. Não como modismo, mas com meio de achar meios para
cumprir melhor a missão dos educadores, buscando formas de
ampliar o acesso de jovens e adultos à educação, quer na forma
do ensino regular formal, quer como educação continuada ou
universidade permanente.
Melhor ainda se essa ampliação das oportunidades
de acesso estiver acompanhada da elevação da qualidade da
educação.
Abrir a mente à mudança, ao novo, neste
momento, mais que ficar correndo atrás de tecnologias de última
geração, significa pensar formas de flexibilizar o sistema
de ensino, imaginar processos que ajudem a construir o caminho
que os cidadãos vão trilhar nos próximos anos, quer seja com
currículos mais adaptados às exigências no mundo moderno (e
do futuro de incertezas), quer se manifeste também com a introdução
de novos conteúdos, mas principalmente que venha no sentido
de olhar o aluno como sujeito que deve ser capaz de pensar
com criatividade, que tenha auto-estima, que possa enfrentar
mudanças profissionais e de valores.
Nos casos de dificuldades materiais,
orçamentárias e políticas para se mobilizar o que tem de mais
avançado em tecnologia material, deve-se mobilizar a criatividade
tecnológica que está em cada um, fazendo com que mudanças
possam operar no seio do jeito tradicional da se fazer educação.
Isso serve para quase todas as situações.
Não funciona para empreendimentos comerciais ou atividades
que tenham como referência o mercado. Neste caso, imperam
as leis próprias da economia, as quais, quando desrespeitadas,
produzem efeito muito mais devastador e rápido que as leis
civis.
Para o desenvolvimento de um programa
de educação permanente (quer seja ele presencial ou a distância,
ou mesmo uma mescla articulada dos dois), é importante que
a entidade promotora tenha bem claro seus objetivos, conheça
muito bem o seu mercado (para o caso das entidades privadas)
e faça um bom projeto econômico do empreendimento, pois, mesmo
que a demanda hoje seja muito expressiva, a falta de um projeto
detalhado pode colocar o empreendimento (qualquer que seja
ele) em risco.
Capítulo 2. Modalidades Educativas e
Novas Demandas por Educação
Uma das principais inovações das últimas
décadas na área da educação, foi a criação, a implantação
e o aperfeiçoamento de uma nova geração sistemas de educação
a distância, que começaram a abrir possibilidades de se promover
oportunidades educacionais para grandes contingentes populacionais
não mais tão somente a partir de critérios quantitativos,
mas principalmente a partir de noções de qualidade, flexibilidade,
liberdade e crítica.
Os primeiros modelos dessa nova geração
se desenvolveram simultaneamente em muitos lugares, mas de
forma muito exitosa na Inglaterra, na década de 70, por isso
essa iniciativa passou a ser referência mundial. Mais de dois
milhões de pessoas até hoje já estudaram na Open University,
sendo que atualmente estão matriculados cerca de 160 mil alunos
regulares, com 40 mil alunos em cursos de pós-graduação, e
60 mil em cursos extracurriculares. Êxito similar alcançaram
também as universidades abertas da Espanha, da Venezuela e
da China, que oferecem igual número de cursos e atendem a
maior número de alunos.
Além da democratização, a educação a
distância apresenta notáveis vantagens sob o ponto de vista
da eficiência e qualidade, mesmo quando há um grandes volumes
de alunos ou se observa, em prazos curtos, o crescimento vertiginoso
da demanda por matrículas, um calcanhar de Aquiles do ensino
presencial.
A educação a distância é voltada especialmente
(mas não tão somente) para adultos que, em geral, já estão
no mundo do trabalho e dispõem de tempo suficiente para estudar,
a fim de completar sua formação básica ou mesmo fazer um novo
curso. Esse tipo de aluno, tendo em mãos um material didático
de alta qualidade, pode estudar do princípio ao fim toda a
matéria de cada programa, realizando sucessivas auto-avaliações,
até sentir-se em condições de se apresentar para exames de
proficiência.
Para maximizar as vantagens da educação
a distância, há necessidade de se utilizar um arsenal específico
(meios de comunicação, técnicas de ensino, metodologias de
aprendizagem, processos de tutoria etc.), obedecendo a certos
princípios básicos de qualidade. Sua clientela tende a ser
não convencional, incluindo adultos que trabalham; pessoas
que, por vários motivos, não podem deixar a casa; pessoas
com deficiências físicas e populações de áreas de povoamento
disperso ou que, simplesmente, se encontram distantes de instituições
de ensino.
Contudo, os estudiosos da área afirmam
que para maior sucesso pedagógico, há necessidade de se tomar
vários cuidados. Hoje em dia, um curso a distância já não
é mais um curso por correspondência unidirecional, em que
somente se enviam livros e outros textos pelo correio e se
espera que o aluno já saiba estudar e aprender. É preciso
cercar-se de uma multiplicidade de recursos para alcançar
êxito. Primeiro, mesmo em lugares onde uma das ênfases da
escola é ensinar a aprender, desenvolvem-se materiais de alta
qualidade para ensinar a estudar - e, particularmente, a estudar
sozinho. Além disso, combinam-se textos bem elaborados e adequados,
com vídeos, fitas de áudio, programas transmitidos pelo rádio
e pela televisão e assistência de tutores em centros de apoio,
onde se estabelecem relações entre os alunos e entre estes
e os seus tutores, o que é feito de forma presencial ou pela
Internet. Há, ainda, os grandes recursos do computador, da
videoconferência, do telefone e do fax, que podem assegurar
a indispensável interatividade. E,
dentre todas as demais características dos novos processos
de educação, este conceito: a interatividade é talvez o mais
importante. Mas, para se poder chegar a colocá-lo na equação
devida, é preciso analisar com um pouco mais de atenção o
processo de desenvolvimento da educação a distância.
Um Pouco de História
Provavelmente a primeira notícia que
se registrou da introdução desse novo método de ensinar a
distância foi o anúncio das aulas por correspondência ministradas
por Caleb Philips (20 de março de 1728, na Gazzete de Boston-USA),
que enviava suas lições todas as semanas para os alunos inscritos.
Depois, em 1840, na Grã Bretanha, Isaac Pitman passou a oferecer
um curso de taquigrafia por correspondência. Em 1880 o Skerry's
College oferece cursos preparatórios para concursos públicos.
Em 1884, o Foulkes Lynch Correspondence Tuition Service ministrava
cursos de contabilidade. Novamente nos EUA, em 1891, aparece
a oferta de curso sobre segurança de minas, organizado por
Thomas J. Foster. Em meados do século passado as universidades
de Oxford e Cambridge, na Grã Bretanha, ofertavam cursos de
extensão. Depois vieram a Universidade de Chicago e Wisconsin.
Em 1924, Fritz Reinhadt cria a Escola Alemã por Correspondência
de Negócios. Em 1910, a Universidade de Queensland, na Austrália,
inicia programas de ensino por correspondência. Logo 1928,
a Britsh Broadcasting Corporation (BBC) começa a promover
cursos para educação de adultor usando o rádio. Essa tecnologia
de comunicação é usada em vários países com os mesmos propósitos,
inclusive, desde a década de 30, no Brasil.
Do início do século XX, até a Segunda
Guerra Mundial, várias experiências foram adotadas desenvolvendose
melhor as metodologias aplicadas ao ensino por correspondência
que, depois, foram fortemente influenciadas pela introdução
de novos meios de comunicação de massa.
A necessidade de capacitação rápida de
recrutas norteamericanos durante a II Guerra Mundial faz
aparecerem novos métodos (entre eles as experiências de Fred
Keller para o ensino da recepção do Código Morse) que logo
foram utilizados, em tempos de paz, para a integração social
dos atingidos pela guerra e para o desenvolvimento de capacidades
laborais novas nas populações que migram em grande quantidade
do campo para as cidades na Europa em reconstrução ou para
a adaptação dos soldados norte-americanos à vida civil.
Mas, o verdadeiro impulso se dá a partir
de meados dos anos 60 com a institucionalização de várias
ações nos campos da educação secundária e superior, começando
pela Europa (França e Inglaterra) e se expandindo aos demais
continentes. No ensino secundário temos os exemplos de: HermodsNKI
Skolen, na Suécia; Rádio ECCA, nas Ilhas Canárias; Air Correspondence
High School, na Coréia do Sul; Schools of the Air; na Austrália;
Telesecundária, no México; e National Extension College, no
Reino Unido. Já no nível universitário: Open University, no
Reino Unido; FernUniversität, na Alemanha; Indira Gandhi National
Open University, na Índia; Universidade Estatal a Distância,
na Costa Rica. As quais podemos acrescentar a Universidade
Nacional Aberta, da Venezuela; Universidade Nacional de Educação
a Distância, da Espanha; o Sistema de Educação a Distância,
da Colômbia; a Universidade de Athabasca, no Canadá; a Universidade
para Todos os Homens e as 28 universidades locais por televisão
na China Popular, entre muitas outras. Atualmente mais de
80 países, nos cinco continentes, adotam a educação a distância
em todos os níveis de ensino, em sistemas formais e nãoformais
de ensino, atendendo milhões de estudantes.
A educação a distância tem sido largamente
usada para treinamento e aperfeiçoamento de professores em
serviço, como é o caso do México, Tanzânia, Nigéria, Angola
e Moçambique. Programas nãoformais de ensino têm sido utilizados
em larga escala para adultos nas áreas de saúde, agricultura
e previdência social, tanto pela iniciativa privada como pela
governamental. Hoje é crescente o número de instituições e
empresas que desenvolvem programas de treinamento de recursos
humanos através da modalidade da educação a distância. Na
Europa, de forma acelerada se investe em educação a distância
para o treinamento de pessoal na área financeira e demais
áreas do Setor Serviços, representando esse investimento em
treinamento maior produtividade e redução de custos na ponta.
Cuba
Em Cuba, a educação a distância (ali
conhecida como enseñanza dirigida) começou a ser implantada
em 1979. A Faculdade de Ensino Dirigido, da Universidade de
Havana, é o centro reitor dos cursos regulares, oferecidos
em todo o país e que contam com o suporte de outras 15 instituições
universitárias. Os programas curriculares e as estruturas
dos cursos a distância são as mesmas dos cursos presenciais.
Estados Unidos
Nos Estados Unidos, existe mais de uma
centena de importantes universidades e instituições de nível
superior e médio, programas de capacitação profissional altamente
gabaritados e cursos de formação geral de amplo reconhecimento
público. Destacam-se a Pennsylvania State University, com
cursos por correspondência oferecidos desde 1892 (em 1995
havia 18.137 estudantes inscritos em cursos a distância oferecidos
por esta Universidade); Stanford University (com cursos a
distância oferecidos desde 1969); University of Utah (com
cursos a distância desde 1916); Ohio University (cursos a
distância desde 1924), entre outras várias universidades e
faculdades que mantêm cursos de graduação, pós-graduação e
educação continuada. Além das universidades isoladas, há nos
Estados Unidos consórcios de escolas e universidades que ministram
cursos a distância conjugando aquilo que cada uma tem de melhor.
Canadá
No Canadá destaca-se a Athabasca University,
que começou seu experimento piloto em 1973 a partir da idéia
de que poderia criar um campus organizado como uma rede de
telecomunicações. Na realidade, naquele momento não se imaginava
a facilidade de uma rede telemática de hoje, com Internet
e fibra ótica, mas o uso intensivo de telefone, articulado
com um eficiente sistema de tutoria. O contato permanente
ou fácil entre os tutores e os alunos era possível através
do telefone, a conferência telefônica e todas as formas de
contato que esse meio de comunicação possibilitava, eram as
bases tecnológicas que firmavam a idéia da universidade a
distância que se criou logo em 1976 como um modelo próprio,
que foi evoluindo e se desenvolvendo a partir de então, tendo
como paradigma a sociedade da informação.
Austrália
Na Austrália, há dezenas de programas
de educação a distância, desde aqueles dedicados à educação
fundamental até cursos de graduação e pós-graduação de excelente
qualidade, tratados com igualdade de condição de credenciamento
e suporte orçamentário em relação à educação presencial. Dentre
os inúmeros programas existentes, destacam-se as seguintes
instituições, com seus respectivos anos de implantação dos
programas de educação a distância: Universidade de Queensland,
St. Lucia – Centre for University Extension, 1910; University
of Western Australia, 1911; School os the Air, 1956; Open
College Network, 1910 (como parte do Sydney Technical College),
em 1970 passou a ser independente, chamando-se College of
External Studies, em 1985 passou a se chamar External Sudies
College of TAFE, e em 1990 passou a chamar-se Open College
Network; Victorian Tafe Off-Campus Network, 1975; Universidade
do Sul da Austrália (Distance Education Centre), em 1968 era
um centro de extensão universitária, 1989 passou a ser o Centro
de Educação a Distância; Centro de Educação a Distância da
University of Central Queensland, 1968; Centro de Educação
a Distância da University of Southern Queensland, 1967; Divisão
de Educação a Distância da Australian Catholic University,
1957/1991; Open Learning Institute (Charles Sturt University),
1971; Curtin University os Thechnology (Perth), 1972; Edith
Cowan University, 1975/1981; Queensland University of Technology,
1974; University os Newcastle, 1970; Macquarie University
(Centre for Evening and External Studies), 1967; Murdoch University,
1975.
Bangladesh
Em Bangladesh, a educação a distância
foi implantada a partir da organização de um programa de pós-graduação
em educação oferecido, a partir de 1985, pelo National Institute
of Educational Media and Technology (NIEMT), como parte do
programa do governo para a capacitação de professores. No
início da década de 90 esse curso passou a ser mantido pelo
Instituto de Educação a Distância de Bangladesh, com 3.000
alunos.
China
A República Popular da China mantém programas
de educação a distância desde o início da década de 50. Em
1951 foi instituído o Departamento de Educação por Correspondência
da Universidade do Povo. Em 1955, já estavam organizados cursos
através de rádio e material impresso (Beijing e Tianjing)
e no início dos anos 60 as primeiras televisões universitárias
foram criadas em Beijing, Tianjing, Shangai, Sheyang, Harbing
e várias outras cidades. Essa rede funcionou como importante
meio de educação a distância até a Revolução Cultural, depois
ficou desativada até o início da década de 80. No início da
década de 90 as televisões universitárias contabilizavam 1
milhão e 830 mil estudantes em cursos oferecidos em mais de
290 áreas temáticas diferentes.
Atualmente funciona o Sistema Chinês
de Universidade pela Televisão (DIANDA) que reúne 575 centros
regionais de ensino universitário pela TV e 1.500 centros
locais de educação, os quais, por sua vez, coordenam mais
de 30.000 grupos de tutoria espalhados por todo o país. Esse
sistema admite anualmente 300.000 alunos e já formou mais
1.500.000 estudantes. Estudos realizados na China mostram
que algo em torno de 77% dos graduados conseguiram trabalho
nas especialidades em que se formaram pela educação a distância.
Em Hong Kong, desde 1956, funciona a
School of Professional and Continuing Education (University
of Hong Kong); desde 1975 funciona a School of Continuing
Education (Hong Kong Baptist College), com programas de graduação,
pós-graduação e cursos técnicos; o Open Learning Institute
of Hong Kong foi criado em 1989, mantendo cursos nas áreas
de administração, computação, eletrônica, engenharia mecânica
e meio ambiente. O mais antigo programa, nessa região, hoje
novamente parte da China, é o Department of Extra-Mural Studies
da Universidade Chinesa de Hong Kong, instituído em 1965,
com cursos técnicos, de extensão, de graduação e de pós-graduação.
Em Macau, com filial em Honk Kong, desde 1982 funciona o Est
Asia Open Institute.
Índia
Uma das experiências de educação a distância
com maior resultado, notadamente no campo universitário, teve
início na Índia, com um projeto piloto da Universidade de
Delhi, em 1962. A trajetória da educação a distância na Índia
apresentou três fases bem delineadas: um estágio de teste,
que durou de 1962 até 1970, envolvendo universidades como
Delhi, Punjabi, Patiala, Meerut e Mysone; o sucesso das experiências
da Universidade de Delhi deram início a uma rápida expansão,
que caracterizou a fase seguinte, que se estendeu de 1970
até 1980, com a introdução de programas, cursos e departamentos
de educação a distância em várias universidades convencionais,
que ofereceram principalmente cursos de pós-graduação; a partir
de 1980 se consolidou a educação a distância como alternativa
de qualidade, testada e comprovada e, em 1982 foi criada a
primeira universidade a distância da Índia a Andhra Pradesh
Open University. Em 1985, foi criada a Indira Gandhi National
Open University, que funciona tanto oferecendo cursos regulares
como credenciando os cursos das demais universidades a distância.
Depois ainda foram instituídas as universidades abertas Kota
Open University (1987), Nalanda Open University (1987) e Yashwantrao
Chavan Open University (1989). Além dessas, no início dos
anos 90, mais de 35 universidades convencionais mantinham
programas de educação a distância .
Indonésia
A Indonésia, com mais de 200 milhões
de habitantes, também iniciou cedo seu percurso no campo da
educação a distância. Em 1950, o National Teachers Distance
Education Upgrading Course Development Centre foi criado para
oferecer uma alternativa de aperfeiçoamento de professores.
Em 1979, o Ministério da Educação e da Cultura criou uma escola
secundária a distância o Centre for Educational Communication
Technology. Em 1984, o governo nacional, através do mesmo
Ministério da Educação e da Cultura, instituiu a Universitas
Terbuka (The Open University of Indonesia), que atende a mais
de 100 mil alunos nas áreas de educação, economia, administração,
matemática, estatística, administração pública, entre outros
cursos.
Japão
No Japão há relatos de cursos por correspondência
desde fins do século XIX. Na década de 30 uma grande quantidade
de cursos por correspondência foi publicada e enviada por
correio, todos cursos não-formais. Em 1938, foi criado a Escola
Kawasaki para Profissionais da Saúde, uma das primeiras experiências
de educação a distância voltada à qualificação e formação
de pessoal de apoio médico. Em 1947, as leis sobre educação
fundamental e educação escolar incentivaram a criação de programas
de educação a distância. Logo em seguida, em 1948, a Universidade
Chuo criou uma Divisão de Educação por Correspondência, com
ênfase na educação continuada, educação comunitária e desenvolvimento
vocacional. No mesmo ano a Universidade Hosei e a Universidade
de Tokyo também criaram uma divisão idêntica e dois anos depois
a Universidade Feminina do Japão criou uma área de cursos
com ênfase em economia doméstica. A iniciativa mais conhecida
foi iniciada em 1983, quando foi criada a Universidade do
Ar, criada por uma lei especial aprovada pela Dieta japonesa,
que, no princípio da década seguinte, atendia aproximadamente
30 mil estudantes através de cursos veiculados principalmente
pela televisão e rádio, preparados prlo Instituto Nacional
de Educação por Multimeios (NIME) e por materiais impressos.
Nova Zelândia
Na Nova Zelândia a primeira escola por
correspondência, criada em 1922 (The New Zealand Correpondence
School), tinha por objetivo a disseminação de cursos para
crianças (ensino primário e secundário) que não tinham acesso
a escolas, por dificuldade física ou geográfica, como também
para crianças que não residiam permanentemente no país. Os
materiais impressos são enviados por correio (livros, quebra-cabeças,
jogos, brinquedos), há aconselhamento e tutoria presencial
e também se usam materiais áudio-visuais. Em 1946, foi criada
a The Open Polytechnic of New Zealand (inicialmente com o
nome de New Zealand Technical Correspondence Institute), com
a missão de desenvolver cursos profissionalizantes, de educação
continuada e também promover a expansão de oportunidades educacionais
em nível médio. Há também cursos superiores à distância naquele
país, na Palmerston North College of Education (cursos de
formação e aperfeiçoamento de professores), na Massey University
(especialmente na área de agronomia) e na University of Otago
(cursos de graduação e pós-graduação em várias áreas).
São encontradas também importantes universidades
e escolas com cursos a distância também no Paquistão, em Papua
Nova Guiné, Singapura, no Sri Lanka, na Tailândia (com experiência
desde 1933), na Turquia, no Vietnam, entre outros.
Rússia
Na Rússia, centro da antiga União Soviética,
a educação a distância foi um grande instrumento de abertura
e garantia de oportunidades de educação para milhares de pessoas
desde os primórdios da década de 30. Cursos em todas as áreas
foram oferecidos, principalmente aqueles que podiam aperfeiçoar
os trabalhadores e criar novas facilidades ao homem do campo.
Vários líderes políticos e gerentes importantes se formaram
ou tiveram seu segundo curso concluído através de cursos a
distância.
Portugal
Em Portugal, a Universidade Aberta foi
criada em 1988 e sua autonomia foi reconhecida em 1994. Ela
tem o campus central em Lisboa, mas também tem estruturas
na cidade do Porto e em Coimbra. Atualmente, oferece uma série
de cursos de graduação e pós-graduação em várias áreas acadêmicas.
Mantém uma vasta rede de centros de apoio espalhados pelo
país. Seu Instituto de Comunicação Multimídia tem a função
de desenvolver os materiais didáticos e o suporte de comunicação
dos cursos.
A Universidade Aberta de Portugal oferece
cursos de bacharelato em História, Língua Portuguesa, Gestão,
Matemática Aplicada, Estudos Europeus, Ciências Sociais, Literatura,
entre outros; também oferece licenciaturas nas mesmas áreas
e em informática. Também tem cursos não formais, especialmente
de qualificação para o trabalho.
Em seu programa de pós-graduação, a Universidade
Aberta de Portugal oferece cursos de mestrado de Administração
e Gestão Educacional, de Comunicação Educacional e Multimídia,
de Comunicação em Saúde, de Contabilidade e Auditoria, de
Contabilidade e Finanças Empresariais, Ensino de Ciências,
Estudos Ingleses, Estudos sobre as Mulheres, Gestão de Projetos,
Gestão da Qualidade, Relações Interculturais e também um mestrado
interdisciplinar em Estudos Portugueses.
Espanha
A Espanha criou sua universidade a distância
por um Ato do Parlamento em 1972. A UNED-Universidade Nacional
de Educação a Distância é parte integrante do sistema nacional
de ensino superior. Um aluno da UNED tem os mesmos direitos
e deveres de um aluno de qualquer universidade presencial.
Com mais de 200.000 alunos, sendo 130.000 universitários,
cada aluno da UNED custa para a instituição aproximadamente
41% do que custa um aluno de uma universidade convencional.
Como há a possibilidade de se combinar o estudo com o trabalho,
na UNED, 83% de seus alunos são também trabalhadores.
O elemento pedagógico central do processo
de ensino-aprendizagem dessa Universidade é o que chamam de
Unidade Didática, em geral um guia de estudos, com textos
e materiais de apoio, atividades e exercícios. O material
impresso continua sendo o meio de ensino mais importante,
mas também se utiliza da radiodifusão, da televisão e de outros
meios audiovisuais. Mais recentemente, a UNED tem expandido
a aplicação de videoconferências entre seus 15 centros de
estudos e tem investido na comunicação por Internet.
Venezuela
A Universidade Nacional Aberta da Venezuela
começou a ser criada em 1976, quando um grupo de pesquisadores,
comandados pelo Professor Miguel Casas Armengol, apresentou
ao governo um plano de desenvolvimento da universidade, articulando-a
com o processo de desenvolvimento nacional daquele país. A
idéia, que se implantou em seguida, foi criar uma universidade
flexível, que fosse ao mesmo tempo inovativa, catalisadora
de desenvolvimento e facilitadora do acesso ao ensino superior.
Ela foi criada como um sistema articulado de funções e seus
cursos inicialmente tiveram o objetivo de criar novas carreiras,
mas adaptadas às necessidades da sociedade naquele momento
e, também, que pudessem facilitar a entrada no mercado de
trabalho de seus egressos.
Costa Rica
Um bom exemplo, por sua simplicidade
e eficácia, é o Programa Diversificado a Distância do Seminário
Bíblico Latino-americano, da Costa Rica. Em meados da década
de 80, essa entidade evangélica, com o apoio de entidades
não governamentais da área de educação popular, começou a
desenvolver materiais e cursos voltados à educação pastoral,
introduzindo temáticas novas e de valorização da cidadania.
Esse processo gerou, em 1988, o Curso de Educação Pastoral,
com materiais impressos e técnicas de atividade grupal, reflexão
e ação na realidade social. Os materiais tinham como foco
o estudo em grupo, com um facilitador de aprendizagem por
grupo e uma equipe central no Seminário Bíblico Latino-americano.
A Universidade Estatal a Distância –
UNED da Costa Rica é um rico exemplo de aplicação das inovações
educativas em um país em desenvolvimento com fortes investimentos
na educação superior e que tem objetivos claros de aumentar
o número de estudantes de ensino universitário. Criada em
1978, a UNED está ramificada em todo o país, com 29 Centros
Acadêmicos e de Estudos, que cumprem a função de assessorar
os alunos e apoiar tecnicamente o desenvolvimento dos cursos.
Seus cursos têm por base programas desenvolvidos
principalmente por meio de materiais impressos, mas também
conta com vasto conjunto de materiais de suporte em meios
audiovisuais, com vídeos e fitas cassetes e o uso de programas
radiofônicos para a difusão de alguns cursos, especialmente
aqueles dirigidos às comunidades agrícolas e para programas
de saúde e cidadania (que envolve também a educação de adultos).
Inglaterra
A universidade de educação a distância
que tem recebido a referência dos principais estudiosos da
área como a mais importante ou aquela que mais influenciou
as instituições universitárias de educação a distância é a
Open University. Ela foi criada em 1969 e começou a oferecer
cursos em 1971. Hoje tem mais de 200.000 alunos, que estudam
em suas casas e em seus locais de trabalho através de materiais
diversos (impressos, kits, vídeos, fitas de áudio, softwares,
jogos e internet). Há cursos abertos, de extensão ou de conhecimentos
gerais, que estão traduzidos para várias línguas e são oferecidos
por diversos meios. Atualmente há um pouco mais de 40.000
alunos em cursos de pós-graduação. A Open University britânica
nasceu no momento em que se acreditava na capacidade da televisão
em promover as mudanças educacionais desejadas para a incorporação
de grandes contingentes populacionais nos sistemas de ensino.
Tanto que ela, quando do momento da formulação do projeto,
era chamada de Universidade do Ar (igual a similar japonesa).
A BBC (Britsh Broadcasting Corporation) foi instada a servir
de base para a criação da Universidade e depois se transformou
em sua principal parceira. Realmente, no primeiro momento,
o processo educativo estava centrado em cursos oferecidos
pela televisão, depois o lugar de meio articulador do processo
de ensino-aprendizagem foi conquistado pelo texto impresso.
A televisão, de sinal aberto, tem cumprido mais o papel de
animação dos estudantes e do público em geral, de informação
e para veiculação de programas de elevada qualidade que são
produzidos para os cursos (especialmente os de história, artes,
geografia e biologia).
Mais recentemente, além dos cursos de
graduação e pós-graduação, a Open University tem dado ênfase
a cursos criados para o atendimento de demandas de formação
e qualificação de técnicos e trabalhadores. Além de garantir
uma receita maior para a instituição, amplia seu universo
de alunos e o processo de produção desses cursos ajuda na
avaliação e testagem dos demais procedimentos internos da
instituição.
Outras informações sobre instituições
britânicas, cursos e entidades de educação a distância no
mundo, podem ser obtidas nos bancos de dados do Centro Internacional
de Educação a Distância, que é mantido com base em informações
geradas pelo Instituto de Tecnologia Educacional da Open University.
Há centenas de escolas, institutos politécnicos,
universidades e centros de treinamentos espalhados por todo
o Reino Unido desenvolvendo programas de educação a distância,
alguns em estabelecimentos onde se compartilha a educação
presencial com a modalidade a distância, há casos em que o
programa de educação a dist6ancia ainda é insipiente, há também
instituições que se dedicam somente à educação a distância.
Uma dessas instituições é o International Extension College,
uma organização não governamental que mantém vínculo com o
Instituto de Educação da Universidade de Londres. Todos os
anos eles mantêm um curso de especialização, de quatro meses,
voltado a alunos de países em desenvolvimento. Além disso,
são responsáveis por programa de mestrado em educação a distância,
em parceria com o Instituto de Educação. Não há uma preocupação
demasiada com tecnologias comunicativas ou instrumentos sofisticados,
a equipe do International Extention College se preocupa essencialmente
com metodologia, organização de sistemas de fácil acesso e
baixo custo. Contudo, a contribuição mais significativa dessa
organização não governamental são os projetos de educação
que desenvolvem junto a populações marginalizadas na África,
o que tem promovido a instituição de várias entidades de educação
a distância naquele continente, como o Mauritius College of
the Air (1972), Botswana Extension College (1973), Lesotho
Distance Teaching Centre (1974), Namibia Extension Unit (1981),
Sudan Open Learning Unit (1984), South African Extention Unit
(1981), Institute of Inservice Teacher Training, Somália (1981),
Correspondence and Open Studies Institute, Nigéria (1974),
College of Education and Extension Studies, Quênia (1985),
e também no Paquistão apoiaram a criação do Functional Education
Project for Rural Areas, na Allama Iqpal Open University (1982)
.
Há uma série de outras situações que
não foram citadas e que se espalham por todos os continentes,
cada qual com sua história própria, com experiências que acrescentam
benefícios ao desenvolvimento mundial da educação a distância,
quer por meio de novas experimentações tecnológicas, quer
como resultado de novas formas de se fazer educação a distância.
Mas apesar de estar faltando vários exemplos
importantes, com esse panorama geral é possível observar que
a educação a distância tem uma longa e diversificada trajetória,
está em todos os cantos da Terra, e vai se desenvolvendo cada
dia mais.
Dos cursos que tinham como referência
principal a troca de correspondências (um produtor individual
e um aluno ou poucos alunos na ponta), passou-se à utilização
de impressos em instituições escolares (formas organizadas
e atendendo maior número de alunos). Esse salto fez a educação
a distância tomar a forma de um processo organizado de produção
e supervisão do processo de ensino aprendizagem. Naquele tempo
tudo era ainda muito calcado na idéia de que o professor ensina
e o aluno aprende. Depois, na primeira metade do século XX,
já pudemos observar a coexistência de programas com base na
propagação de conhecimentos a partir de sistemas de radiodifusão.
Alguns com base somente na palavra que o ar levava, a maioria
já articulando o rádio com o material impresso e a organização
escolar e curricular.
A II Guerra Mundial acelerou programas
de treinamento que usavam técnicas de educação a distância
e outras tecnologias que promovessem processos de capacitação
em tempo mais curto.
Depois da II Guerra Mundial, esses procedimentos
foram utilizados na Europa e no Japão, ainda com base articulação
do material impresso com o rádio, mas já ganhando formas que
depois vão ser dominantes no campo da tecnologia educacional
em programas de educação audiovisual (que foram muito usados
no Brasil para o ensino de línguas estrangeiras).
A partir da década de 1950 começa a despontar
um novo personagem nessa história: a televisão. Ela já existia
desde a década de 1930 (antes já fôra testada na Inglaterra,
mas teve êxito mesmo na Alemanha), mas é depois da II Guerra
Mundial que a televisão começa a despontar como novo meio
de comunicação de massa.
O avanço da televisão foi lento, especialmente
para os padrões de hoje, mas foi sendo consolidado também
como meio educacional em vários países.
De meados da década de 1960 até o início
da década de 1980 ocorreu o reinado da televisão educativa.
Vários sistemas foram sendo montados no mundo todo, da China
até a Grã-Bretanha, do Japão até o Brasil.
Como se tratava de um meio de comunicação
muito poderoso, que combinava de forma magnífica a voz e a
imagem, muitos desses sistemas educativos foram sendo criados
somente com base na veiculação de cursos através da própria
televisão, sem qualquer atenção a outros suportes.
Ao longo do tempo, os programas com base
somente na televisão foram evoluindo e se articulando com
os outros meios, especialmente buscando novas formas de organização
do processo de ensino-aprendizagem, criando jeitos próprios
de interação entre professores e alunos, criando departamentos
de pesquisa e formação de professores.
Outra característica desse novo momento
da educação a distância foi a criação e o desenvolvimento
de mega-estruturas (ou mega-universidades), que passaram a
atender mais de 100.000 alunos. A Open University, da Inglaterra,
foi criada nesse período. Foram vistos mais atrás vários outros
exemplos de universidades criadas nesse período, na China,
no Japão e em vários outros países. Mas, a experiência britânica
passou a se configurar como paradigma desse tempo, tanto por
sua qualidade e respeitabilidade, quanto pelo método de produção
de cursos, a forma de articular as tecnologias comunicativas
existentes e a preocupação com a investigação pedagógica.
Entre as universidades que atendem mais
de 100.000 alunos, além das já citadas, há ainda a Universidade
da África do Sul (que antes se chamava Universidade do Cabo
da Boa Esperança e foi fundada em 1873), que tinha 130.000
alunos em 1995; a Sukhothai Thammathirat Open University,
da Tailândia, que foi criada em 1978; a Anadolu University,
da Turquia, criada em 1969; a Payame Noor University, do Irã,
criada em 1987; e o Centro Nacional de Ensino a Distância,
da França, criado em 1939, que mantém programas em todos os
níveis de ensino.
As 11 principais universidades, com mais
de 100.000 estudantes, que têm como principal modalidade de
ensino a educação a distância, atendem aproximadamente 3 milhões
de estudantes.
Hoje, está se desenvolvendo um novo processo,
que reúne tanto a apropriação de uma nova tecnologia comunicativa,
a telemática (informática com telecomunicações), como se articula
modelos pedagógicos em construção através de novos conceitos
de organização virtual, a rede, onde vários produtores e usuários
convivem com muito mais capacidade de diálogo e interatividade,
o que era limitado nos meios de comunicação anteriores.
B. O Brasil sempre esteve presente
No Brasil, em 1923, foi criada da Rádio
Sociedade do Rio de Janeiro, "por um grupo liderado por
Henrique Morize e Roquete Pinto", um dos objetivos centrais
da emissora era promover a educação pelo rádio. Em 1937 foi
criado Serviço de Radiodifusão Educativa do Ministério da
Educação.
Desde a fundação do Instituto RádioTécnico
Monitor, em 1939, e depois do Instituto Universal Brasileiro,
em 1941, várias experiências foram levadas a termo com relativo
sucesso. Porém, por muitos anos as empresas que promoveram
cursos por correspondência (além das duas anteriormente citadas
também se destacaram: Escolas por Correspondência Dom Bosco;
Cursos Guanabara de Ensino Livre; Escola Mundial de Cultura
Técnica, e Escolas Internacionais) foram as únicas oportunidades
de ensino de muitos habitantes do interior do país.
Em 1946, "o SENAC - Serviço Nacional
de Aprendizagem Comercial - iniciou suas atividades e organizou,
no Rio de Janeiro e São Paulo, a Universidade do Ar, que em
1950 já atingia 318 localidades".
MEB
A Diocese de Natal, já em 1958, tendo
como referência a experiência da Rádio Sutalenza, da Colômbia,
deu início a experiências de educação popular com a utilização
do rádio, organizando o Serviço de Assistência Rural-SAR,
que, depois, se transformou no nascedouro do Movimento de
Educação de Base . Em 1959, a diocese de Aracajú firmou convênio
com o Sistema de Rádio Educativo Nacional (SIRENA), do Ministério
da Educação e Cultura, para estabelecer em sistema de rádio
educativo regional. Em fins de 1960 essa experiência foi avaliada
no 1º Encontro de Educação de Base, realizado em Aracajú,
e no ano seguinte a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
firmou um acordo com a Presidência da República, que deu condições
financeiras para a operacionalização e instituição do Movimento
de Educação de Base-MEB, responsável pela organização de escolas
radiofônicas no Nordeste, Norte e Centro-Oeste do país. Essa
experiência foi uma das mais ricas que se tem notícia no Brasil.
Envolveu o uso de metodologias de educação por rádio, preparação
de materiais impressos e, principalmente, a mobilização de
animadores culturais e educativos, realização de encontros,
congressos, festas populares e assessorias diversas.
Após o golpe militar de 1964 o MEB sofreu
dura repressão e a experiência de educação popular foi interrompida.
O Movimento de Educação de Base existe até hoje, mas jamais
conseguiu recuperar a paixão educativa e a motivação política
daqueles primeiros anos da década de 1960. Muitos de seus
dirigentes e animadores culturais foram perseguidos, vários
foram obrigados a deixar o país, outros foram presos e mortos.
FEPLAM
A Fundação Educacional e Cultural Padre
Landell de Moura-FEPLAM, de Porto Alegre, foi criada em 1967
e tem origem no desenvolvimento dos movimentos de educação
não-formal da América Latina, onde também se inscrevia o MEB,
"que buscavam melhorar as condições de vida das populações
carentes" . "O início da Feplam foi através de programas
de rádio (Colégio do Ar) e a série Aprenda pela TV (cursos
profissionalizantes). As bases comunitárias são o ponto de
partida e chegada da sua prática educacional". Suas áreas
de atuação são: educação geral, educação cívico-social, educação
rural e iniciação profissional. No início de sua implantação
a Feplam contou com o apoio financeiro da Fundação Konrad
Adenauer, da Alemanha.
Até o início dos anos 90, na área de
educação geral, onde há cursos de alfabetização, educação
básica, pré-escola e educação supletiva, a Feplam já havia
beneficiado 110.703 alunos. Na área de educação cívico-social,
com programas de educação comunitária e de reforço de currículos
escolares, outras 53.000 pessoas foram beneficiadas. Já na
área de educação rural, composta de cursos de capacitação
rural e outros de cunho informativo, já haviam recebido cursos
da FEPLAM, 391.509 agricultores, com uma média de 16.313 por
ano. Além disso, a entidade mantém cursos no campo da iniciação
profissional (mecânica de automóveis, consertos de aparelhos
eletrodomésticos, programação de computadores etc.) e na área
de saúde.
Projeto Minerva
Em outubro de 1970, o governo federal,
através de um acordo entre o Ministério da Educação e o Ministério
das Comunicação, iniciou o Projeto Minerva com o objetivo
de "propor uma alternativa ao sistema tradicional de
ensino como formação suplementária à educação continuada."
A Fundação Padre Landell de Moura preparou os materiais do
curso de capacitação ao Ginasial (100 aulas: Português, 30;
História 15; Geografia, 15; Ciências, 10). O curso de Madureza
Ginasial era composto de 450 aulas, sendo precedido de um
Curso preparatório de 50 aulas. O curso de Moral e Civismo
era formado de 15 programas de 15 minutos cada, e o Curso
Primário Dinâmico, elaborado pela Fundação Padre Anchieta,
foi organizado com 72 aulas de linguagem, 72 aulas de matemática,
72 aulas sobre Trabalho, 36 de Ciências, 36 de Estudos Sociais,
36 de Educação Sanitária e 36 de Moral e Cívica, além de uma
série de programas de informação e atualização.
SENAI
O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial-SENAI,
de São Paulo, criou experimentalmente em 1978, com operação
regular a partir de 1980, o programa Auto-instrução com Monitoria
(AIM), caracterizando-o como "um esquema operacional
de Ensino a Distância, que envolve uma série de programações
autoinstrutivas". Desde então, mantém um curso de Leitura
e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico, cursos de matemática
básica e cursos de eletrônica, estando em fase de preparação
cursos de tecnologia mecânica, usinagem, elementos de máquinas,
resistência dos materiais, eletrotécnica básica e formação
de microempresários. A partir dessa experiência, o SENAI tem
ampliado sua base geográfica de ação e, com as novas perspectivas
abertas com a regulamentação do ensino técnico a distância,
certamente irá multiplicar esses esforços, diversificando
seus cursos e parceiros.
CETEB
A Petróleo Brasileiro S.A.-PETROBRAS,
desenvolveu, a partir de 1975, o Projeto ACESSO, com a finalidade
de proporcionar a escolarização a nível de 1°. e 2°. graus
a seus funcionários e de oferecer profissionalização específica
para a área de petróleo. Esse projeto foi desenvolvido pelo
Centro de Ensino Técnico de Brasília-CETEB, que desenvolveu
a metodologia, elaborou os módulos e acompanhou todo o processo
de implantação e desenvolvimento dos cursos. Para uma clientela
adulta, na faixa de 20 a 40 anos de idade, com interrupção
de estudos em período maior de cinco anos, foi levado um curso
de educação geral, de acordo com os currículos do ensino supletivo,
e profissionalização específica para a indústria petrolífera.
A Fundação Brasileira para o Desenvolvimento
do Ensino de Ciências-FUNBEC, desenvolveu, em 1990 e 1991,
com o apoio do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos-INEP,
o Curso de Matemática por Correspondência, dirigido a professores
de 1°. grau. O curso foi veiculado pelo Jornal do Professor,
editado pelo INEP.
O Centro de Ensino Tecnológico de Brasília-CETEB,
unidade da Fundação Brasileira de Educação-FUBRAE, desde 1973
tem desenvolvido projetos de educação semi-direta, notadamente
para a formação e aperfeiçoamento de professores em serviço.
Foi responsável pela execução do Projeto LOGOS II, do Ministério
da Educação, para a qualificação de professores leigos, iniciado
em 1976 em 19 estados brasileiros. Esse programa de formação
de professores foi organizado com base em materiais impressos
(módulos) entregues aos professores (alunos), que recebiam
supervisão de um orientador de aprendizagem local e podiam
tirar dúvidas também através de cartas, telefonemas ou diretamente,
quando recebiam as visitas de professores do CETEB. A partir
de 1982 esse curso foi operacionalizado de forma descentralizada,
cabendo a cada estado definir o modo de execução do mesmo.
Em 1977, o CETEB firmou convênio com o Serviço Nacional de
Formação Profissional Rural – SENAR, para a operacionalização
do Curso de Aperfeiçoamento a Distância para Instrutores de
Formação Profissional Rural, destinado especialmente a funcionários
de empresas públicas estaduais de extensão e assistência técnica
rural. Na República de Moçambique, em 1993, o CETEB iniciou
um programa de consultoria e apoio técnico para a criação
do Núcleo de Educação a Distância do Ministério da Educação
daquele país africano. Outra entidade da mesma FUBRAE, o Centro
Educacional de Niterói-CEN, também teve atuação pioneira.
Entre 1983 e 1987 foi o responsável pela elaboração e execução
de um programa de educação a distância para a especialização
e aperfeiçoamento de professores da Secretaria de Educação
do estado de Goiás.
ABEAS
A Associação Brasileira de Educação Agrícola
Superior-ABEAS, é uma das pioneiras de programas de formação
superior a distância. Mantém desde 1982 um Curso de Especialização
por Tutoria à Distância (Pós-graduação "Latu Sensu"),
provavelmente o primeiro curso a distância em nível produzido
no Brasil. Esse programa contou inicialmente com o apoio experimental
da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior-CAPES,
do Ministério da Educação, sendo avaliado como de excelente
qualidade e recomendada sua continuidade.
ABT
Ainda neste campo, é importante fazer
referência às ações promovidas pela Associação Brasileira
de Tecnologia Educacional-ABT que, a partir de 1980, iniciou
o Programa de Aperfeiçoamento do Magistério de 1°. e 3°. graus
a distância, integrado por cursos nas áreas de Alfabetização,
Metodologia Geral, Língua Portuguesa, Matemática, Ciências
Sociais e Ciências Físicas e Biológicas, para docentes que
atuam no 1°. grau e o Curso de Especialização em Tecnologia
Educacional Tutoria a Distância, para aqueles que desenvolvem
atividades no 3°. grau. A ABT foi criada em 1971 e, desde
então, promove anualmente um importante seminário de tecnologia
educacional, que reúne profissionais da área de educação a
distância de todo o país, e mantém a publicação periódica
da revista Tecnologia Educacional, o mais importante periódico
técnico da área. O Programa de Pós-Graduação Tutorial a Distância-POSGRAD,
desenvolvimento, entre 1979 e 1983, como projeto piloto da
Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Ensino Superior-CAPES,
do Ministério da Educação, foi operacionalizado pela ABT.
INED
Entre 1989 e 1997, em Brasília, esteve
em gestão a primeira fase do Instituto Nacional de Educação
a Distância–INED, uma organização não governamental dedicada
à pesquisa e a difusão de conhecimentos na área de educação
a distância. Essa entidade editou e publicou a segunda revista
brasileira exclusivamente dedicada ao tema da educação a distância
(a primeira, e mais importante, sem dúvida é a revista Tecnologia
Educacional, até hoje publicada pela Associação Brasileira
de Tecnologia Educacional–ABT). Além disso, foi responsável
pela elaboração e acompanhamento de um curso sobre a elaboração
das leis orgânicas municipais, com mais de 200.000 participantes,
promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.
Realizou um curso sobre cidadania para o Instituto Brasileiro
de Análises Sociais e Econômicas (Educação para a Cidadania)
e desenvolveu uma série de estudos visando a implantação de
programas de educação a distância para a Escola de Administração
Fazendária (ESAF), Governo do Estado do Paraná e Prefeitura
de Curitiba, entre outros.
Em 1996 o INED assinou um acordo operacional
com o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas
– Ibase, dirigido à época pelo sociólogo Herbert de Souza
(que se destacou nacionalmente como o grande líder do movimento
contra a fome), onde se previa que o Ibase iria incorporar
o acervo e a estrutura do INED, passando este a configurar-se
como uma nova área de atuação do Ibase. A idéia era ter na
educação a distância a grande estrada de comunicação e educação
popular do Ibase para a educação da cidadania. O governo italiano,
através da ONG Creoccevia, apoiou parte desse projeto.
No mesmo ano, Herbert de Souza e Darcy
Ribeiro formalizaram uma aliança estratégica para que o Ibase
e a Fundação Darcy Ribeiro instituíssem, o mais rápido possível,
a Universidade Aberta do Brasil.
Darcy Ribeiro, à época senador da República,
procurou o apoio do Ministério do Trabalho e Emprego e do
Ministério da Educação. Com o primeiro, firmou um acordo para
a criação, em Brasília, de um centro de multimeios e difusão
educativa (que seria criado em edifício do Governo do Distrito
Federal, no centro da cidade). Com o MEC, Darcy Ribeiro começou
a esboçar o curso Nornal Superior, que seria o primeiro curso
a ser oferecido pela futura Universidade Aberta do Brasil.
Em 1997, a morte prematura dos dois líderes
desse projeto acabaram por adiar a realização desse sonho,
ninguém mais teve a capacidade de manter a idéia viva.
Atualmente o INED, agora denominado Instituto
Nacional de Educação para o Desenvolvimento, se organiza para
desenvolver programas variados de educação a distância e de
pesquisa em novas tecnologias para a educação e para o desenvolvimento
sustentável com foco nas relações sociais, econômicas e políticas
das comunidades locais e a criação de redes colaborativas
envolvendo instituições locais.
Ceará
A Fundação de Teleducação do Ceará-FUNTELC,
também conhecida como TVE do Ceará, criada no processo de
implantação das televisões educativas na década de 70, se
distinguiu das demais por preservar um projeto de educação
a distância como elemento central da entidade. Desde 1974
essa instituição, seguindo o modelo da Televisão Educativa
do Maranhão, vem desenvolvendo ensino regular de 5ª. à 8ª.
séries do 1 °. grau, com a implantação de telessalas em grande
parte dos municípios do estado e caminha para atingir a marca
de 100.000 alunos regulares em seu sistema. No ano de sua
implantação contava com 4.139 telealunos, nas 5ª. e 6ª. séries,
distribuídos em 8 municípios. Em 1992 já contava com 60.822
telealunos cursando da 5ª. à 8ª. séries, distribuídos em 94
municípios, 400 distritos, 725 escolas e 2.300 telessalas.
Em 1993, a matrícula passou a 102.170 alunos, atingindo 150
municípios.
"A proposta político-pedagógica
do Sistema de Teleducação, embora tenha surgido em pleno regime
militar, se propôs a romper com os mecanismos autoritários
e tecnicistas que imperavam à época lançar-se como uma modalidade
de educação voltada para o humanismo pedagógico, capaz de
superar o parcelamento do saber e corrigir as falhas do individualismo
e do academicismo. Foi gerado um método de ensino nascido
das sérias discussões, estudos e debates de renomado e competente
grupo de educadores, que buscou a melhor utilização possível
de um sistema de multimeios e a mais interessante aplicação
da televisão, tomada como elemento essencial, como veículo
de democratização do saber".
UnB
Uma das primeiras experiências universitárias
de educação a distância no Brasil foi iniciada pela Universidade
de Brasília-UnB em meados da década de 1970. Na época, motivada
pelo sucesso da iniciativa Britânica, com a Open University,
a UnB pretendia ser a Universidade Aberta do Brasil. Adquiriu
todos os direitos de tradução e publicação dos materiais daquela
universidade e começou a produzir também alguns cursos, na
área de ciência política.
Apesar do pioneirismo da UnB, esta não
logrou se constituir na primeira universidade aberta brasileira,
como se pretendia à época, principalmente porque o discurso
de sua direção se apresentou muito inadequado e fora de contexto
já que apresentava a educação a distância como substituto
da educação presencial e um meio de resolver os conflitos
políticos existentes à época. Se difundia a educação superior
a distância como a possibilidade de se alcançar a tranqüilidade
da vida universitária em instituições sem alunos rebeldes
e professores contestadores.
Esse e outros fatores de ordem interna
e âmbito conjuntural fizeram com que se manifestassem inúmeros
focos de resistência, que acabaram por inviabilizar a implantação
do projeto, apesar do sucesso de alguns cursos que se organizaram
àquela época, entre eles o Pensamento Político Brasileiro.
É importante destacar, à luz desse exemplo,
que quando se pretende desenvolver um programa de educação
a distância em uma instituição presencial, não se pode conduzi-lo
em conflito com a cultura existente, ao contrário, deve-se
procurar estabelecer sintonias, procurando criar mecanismos
de cooperação e convívio entre as duas modalidades de ensino,
possibilitando, com isso, que a educação a distância possa,
inclusive, contribuir para melhorar os processos de ensino
presenciais, adotando, no mínimo, os materiais produzidos
pela educação a distância, como acontece em várias outras
universidades a exemplo da Universidade Autônoma de Honduras,
que tem um centro de educação a distância dentro da universidade
presencial e cujos materiais são amplamente utilizados nas
disciplinas presenciais.
Entre 1981 e 1984 esse programa da UnB,
ao que consta, ficou hibernando, atendendo de forma burocrática
e administrativa as demandas por cursos, contabilizando as
inscrições dos alunos e enviando certificados por meio dos
correios. A partir de 1985, quando a Universidade retomou
seu rumo democrático, o projeto de educação a distância foi
reiniciado. Em 1986, a UnB promoveu um curso sobre a Constituição,
que estava por ser elaborada, organizou grupos de estudo e
levou o debate constitucional a mais de 100.000 participantes
do curso, em todo o país. Logo em seguida, em 1987 e 1988,
a Coordenadoria de Educação a Distância passou a articular-se
com as várias instituições latino-americanas de educação a
distância, com o apoio financeiro da Organização dos Estados
Americanos (projeto Edist/Prede), e com outras iniciativas
brasileiras. Foi promovido um curso de capacitação de profissionais
na área de educação a distância, dirigido pelo Professor Miguel
Casas Armengol (primeiro reitor da Universidade Nacional Aberta
da Venezuela), e, também, nesse período, foram elaborados
vários cursos de extensão universitária (Direito Achado na
Rua, Abuso de Drogas, Freud, Rousseau e vários outros). Em
1989, foi criado o Centro de Educação Aberta, Continuada e
a Distância – CEAD, que também continuou a trajetória de produção
de cursos de extensão universitária, produzindo os cursos:
Política de Ciência e Tecnologia para a Década de 90; Introdução
Crítica ao Direito do Trabalho; O Microcomputador Sem Mistérios,
entre outros.
MEC
A Fundação Roquette Pinto (TVE-RJ) produziu
no final da década de 80 e início de 90 uma série de programas
de televisão para o aperfeiçoamento de professores em serviço,
provavelmente essa programação inspirou o Ministério da Educação,
em 1991, a desenvolver o Projeto Piloto de Utilização do Satélite
na Educação, "para a capacitação de recursos humanos,
envolvendo 600 cursistas (docentes e alunos da 3ª série dos
cursos de magistério) de seis estados brasileiros, através
da veiculação de programas educativos de televisão, via satélite,
com recepção organizada em telepostos, e a utilização de televisor,
fax, canal de voz, complementados por material impresso de
apoio. O programa teve o nome de ‘Jornal da Educação: Edição
do Professor’, obteve 96% de aprovação dos cursistas."
No ano seguinte, tendo sido avaliada como extremamente positiva
a experiência desse projeto-piloto, foi criado o programa
Um Salto para o Futuro, como um programa de capacitação e
atualização de professores em serviço, utilizando prioritariamente
a televisão como meio de comunicação e transmissão de conhecimentos.
Curitiba
Em 1994, a Secretaria da Educação da
Prefeitura de Curitiba iniciou a montagem de uma equipe de
educação a distância em sua Gerência de Capacitação. No ano
seguinte, em 1995, começaram a ser capacitadas as integrantes
da equipe e em 1996 o projeto estava suficientemente amadurecido
e com o primeiro produto concluído. Essa experiência foi batizada
como Programa de Educação a Distância - Curitiba: Lições de
Modernidade e Cidadania. O curso, Alfabetização – princípios
básicos, foi organizado em unidades didáticas impressas, fartamente
ilustradas e escritas de forma muito acessível, e, também,
contou com o acompanhamento de professores que respondiam
cartas e telefonemas. A primeira edição foi impressa na própria
Secretaria da Educação, em uma máquina copiadora colorida.
Já para a segunda edição foi obtido apoio do Banco Bamerindus,
que se encarregou da impressão de todos os materiais, em troca,
se permitiu uma publicidade daquele banco na última página.
Mesmo antes da implantação do curso sobre Alfabetização, a
equipe da Secretaria da Educação já estava produzindo cursos
sobre as demais áreas temáticas abrangidas pelo ensino fundamental.
Os cursos seguintes foram o de Geografia – princípios básicos,
Ensino de Arte e Matemática. Esses cursos foram dirigidos
aos professores da rede municipal de ensino, com o intuito
de servir de base a um sistema de capacitação permanente desses
educadores.
FE/UnB
Em 1994, um convênio firmado entre o
Ministério da Educação e do Desporto e a Universidade de Brasília
deu início ao desenvolvimento do Curso de Pós-Graduação Lato-Sensu
em "Educação Continuada e a Distância", realizado
pela Faculdade de Educação daquela Universidade. A primeira
turma foi oferecida em 1994 e segunda em 1997. Profissionais
de todas as secretarias estaduais de educação e do próprio
Ministério fizeram parte da primeira turma. Já na segunda
a clientela se ampliou um pouco mais e a Faculdade de Educação
da UnB está aproveitando a oportunidade para realizar uma
série de pesquisas e investigações sobre o comportamento dos
alunos, o custo dos programas etc.
Educação Física
Em 1995, a Secretaria de Educação Física
e Desportos, do Ministério da Educação, e a Divisão Nacional
de Doenças Crônico-Degenerativas, do Ministério da Saúde,
preparou um curso de educação a distância para professores
e médicos, que atuam na área de educação física, chamado "Exercício
e Saúde". Foi organizado em sete volumes impressos, com
textos e exercícios. No ano seguinte foi feita uma segunda
edição dos materiais, mostrando a grande aceitação que tiveram.
Mato Grosso
Também em 1995, o Instituto de Educação
da Universidade Federal de Mato Grosso instituiu o Núcleo
de Educação Aberta e a Distância-NEAD, desenvolvendo dois
programas: "o curso de Licenciatura Plena em Educação
Básica: 1ª a 4ª séries do 1º grau, dirigido a quase 10.000
professores que atuam nas primeiras quatro séries do 1º grau
da rede pública sem qualificação de terceiro grau e o curso
de Especialização para a Formação de Orientadores Acadêmicos
(tutores) em EAD". A experiência da Universidade Federal
de Mato Grosso é uma das mais importantes que se conhece no
Brasil, especialmente em função do rigor acadêmico e pedagógico
de seu programa, da avaliação constante, como também em razão
da forma participativa e integrada em que se desenvolveu tanto
a elaboração dos materiais didáticos quanto sua aplicação.
Católica de Brasília
Em 1996, a Universidade Católica de Brasília
criou o Centro de Educação a Distância que já produziu dois
cursos superiores: Especialização em Filosofia e Existência
e Especialização em Educação a Distância. Em fins de 1998
várias universidades católicas, entre elas a de Brasília,
do Rio Grande do Sul, de Goiás, de Minas Gerais, de Pernambuco
e a Universidade Vale dos Sinos, iniciaram a organização de
uma rede com o objetivo de oferecer cursos de pós-graduação
de qualidade usando os procedimentos modernos da educação
a distância.
A Universidade Católica de Brasília está
desenvolvendo uma série de cursos pós-graduação a distância,
alguns utilizando material impresso e tutorial, outros já
estão sendo realizados através da Internet. Com outras universidades
católicas está sendo criada uma rede de educação a distância.
Universidade Virtual do Centro-Oeste
Com o mesmo objetivo, várias universidades
federais e estaduais do Centro-Oeste estão criando a Universidade
Virtual do Centro-Oeste, formada pela Universidade de Brasília,
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Universidade Estadual
de Mato Grosso do Sul, Universidade Federal de Mato Grosso,
Universidade Estadual de Mato Grosso, Universidade Federal
de Goiás e Universidade Estadual de Anápolis. A UnB também
é uma das protagonistas da idéia de criação de uma rede de
universidades públicas que oferecerão cursos a distância e
otimizarão seus procedimentos didáticos com o uso da Internet.
Unirede
Em agosto de 2000, mais de sessenta universidades
públicas brasileiras começaram a estabelecer as bases para
a criação de uma forte rede de educação superior a distância.
A idéia central é criar um instrumento de democratização do
conhecimento a partir da utilização das modernas tecnologias
de comunicação e informação. No primeiro ano foram desenvolvidos
dois cursos de extensão universitária: o primeiro de formação
em educação a distância, com o objetivo de ampliar as bases
de compreensão sobre essa modalidade educativa; o segundo,
dirigido aos profissionais da educação, tem como objetivo
capacitar os educadores e técnicos educacionais a melhor utilizar
os equipamentos e as tecnologias de comunicação e informação
que estão sendo colocadas à disposição das escolas.
Na Unirede há duas modalidades de produção
de cursos: há cursos que são desenvolvidos em nome do consórcio
de universidades e há cursos que são realizados por cada uma
das entidades isoladamente, mas que se colocam à disposição
de uso para as demais.
As entidades participantes da Unirede
já estão oferecendo vários cursos, em todas as áreas do conhecimento,
a maioria de extensão universitária, vários de pós-graduação
e três de graduação. Alguns foram desenvolvidos especialmente
por causa do estímulo da rede, outros se apresentam na forma
de edições renovadas de cursos já ofertados anteriormente:
Agroecologia: Bases Teóricas (Atualização) -UFFRJ - Universidade
Federal Rural de Rio de Janeiro e CPDA; Ciência dos Alimentos:
Tecnologia de Frutas e Hortaliças (Pós-graduação) - UFPel
– Universidade Federal de Pelotas; Ciência e Tecnologia de
Sementes (Pós-graduação) - UFPel – Universidade Federal de
Pelotas; Os desafios das biotecnologias para o sistema agroalimentar
(Atualização) - UFFRJ - Universidade Federal Rural de Rio
de Janeiro e CPDA; Produção de sementes de arroz irrigado
(Pós-graduação) - UFPel – Universidade Federal de Pelotas;
Biologia molecular (Extensão) - UNIFESP - Escola Paulista
de Medicina; Fundamentos em ecologia e tópicos da gestão ambiental
(extensão) - UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais;
Genética (extensão)-UNIFESP - Escola Paulista de Medicina;
Sexualidade (extensão) - UNIFESP - Escola Paulista de Medicina;
Clínica Médica (extensão) - UNIFESP - Escola Paulista de Medicina;
Curso básico de dermatologia para médicos clínicos (extensão)
- UNIFESP - Escola Paulista de Medicina; Curso de atualização
em enfermagem em nefrologia (extensão) - UNIFESP - Escola
Paulista de Medicina; Curso de especialização em dependência
química via Internet (Pós-graduação Latu-sensu) - UNIFESP
- Escola Paulista de Medicina; Curso de especiliazação em
nutrição em saúde pública (Pós-graduação Latu-sensu) - UNIFESP
- Escola Paulista de Medicina; Curso de formação pedagógica
em educação profissional da área de saúde: enfermagem (Especialização
lato sensu) - UFPI - Universidade Federal do Piauí; Curso
de Introdução à Bioestatística(extensão) - UNIFESP - Escola
Paulista de Medicina; Curso de Nutrição Clínica (extensão)
-UNIFESP - Escola Paulista de Medicina; Curso de revisão sistemática
em meta-análise (extensão) - UNIFESP - Escola Paulista de
Medicina; Curso de simulação de desastre para equipe de resgate
(extensão)- UNIFESP - Escola Paulista de Medicina; Dermatologia
básica (extensão) - UNIFESP - Escola Paulista de Medicina;
Guia prático de histologia (extensão) -
UNIFESP - Escola Paulista de Medicina;
Histopatologia (extensão) - UNIFESP - Escola Paulista de Medicina;
Informática em saúde (extensão) - UNIFESP - Escola Paulista
de Medicina; Internet como ferramenta de trabalho em EAD para
profissionais de saúde (extensão) UFPR - Universidade Federal
do Paraná; Odontologia em saúde coletiva (extensão) - UnB
– Universidade de Brasília; Patologia mamária (extensão) -
UNIFESP - Escola Paulista de Medicina; Políticas e ações públicas
em segurança alimentar e nutricional (extensão) - UFFRJ -
Universidade Federal Rural de Rio de Janeiro e CPDA; Prevenção
ao uso indevido de drogas (extensão – 1ª edição em 1988) -
UnB – Universidade de Brasília; Prevenção de problemas auditivos
(extensão)- UNIFESP - Escola Paulista de Medicina; Propedêutica
ginecológica e oncologia (extensão) - UNIFESP - Escola Paulista
de Medicina; Saúde no Brasil: Situação atual e perspectiva
(aperfeiçoamento) - UnB - Universidade Nacional de Brasília;
Curso virtual de estruturas (extensão) - UFRJ - Universidade
Federal do Rio de Janeiro; Desenvolvimento e manutenção de
websites (extensão) - UFC - Universidade Federal do Ceará;
fenômenos interfaciais: aspectos elétricos de interfaces e
adsorção (extensão) - UFRJ - Universidade Federal do Rio de
Janeiro; Funções e gráficos: um curso introdutório - UFRGS
- Universidade Federal do Rio Grande do Sul; geometria descritiva
III - UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul; geometria
dinâmica no ensino fundamental - UFRGS - Universidade Federal
do Rio Grande do Sul; Gestão da Informação em ambiente web
(extensão) - UFPE - Universidade Federal de Pernambuco; Modelagem
e simulação aplicadas a sistemas ambientais (extensão) - UFRJ
- Universidade Federal do Rio de Janeiro; O microcomputador
sem mistérios (extensão)- UnB – Universidade de Brasília;
Programação Web com CGI-BIN e Perl (extensão) - UFPE - Universidade
Federal de Pernambuco; Programação em linguagem C - UFMG -
Universidade Federal de Minas Gerais; Rede de comunicação
em EAD(extensão) -UFPR - Universidade Federal do Paraná; Robótica
-
UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul; Windows
95 (extensão)- UnB – Universidade de Brasília; Avaliação institucional
-
UnB – Universidade de Brasília; Capacitação de tutores em
EAD - UFPR - Universidade Federal do Paraná; cultura cyberpunk
(extensão) - UFBA - Universidade Federal da Bahia; Curso de
atualização para professores tutores de cursos a distância
em saúde (extensão) - UNIFESP - Escola Paulista de Medicina;
Educação, município e cidadania (extensão) - UnB – Universidade
de Brasília; Freud, pensamento e ação (extensão) - UnB – Universidade
de Brasília; Gestão (aperfeiçoamento) - UnB - Universidade
de Brasília; Introdução ao discurso filosófico na modernidade
- UFBA - Universidade Federal da Bahia; Introdução ao jornalismo
online UFPE - Universidade Federal de Pernambuco; Introdução
crítica ao Direito (extensão) -Universidade de Brasília; Introdução
Crítica ao Direito do Trabalho (extensão) - UnB – Universidade
de Brasília; Jean-Jacques Rousseau (extensão) - UnB – Universidade
de Brasília; Licenciatura plena em educação básica (graduação)
- UFMT - Universidade Federal do Mato Grosso; Localidade e
relação campo-cidade como temas contemporâneos (atualização)
- UFFRJ - Universidade Federal Rural de Rio de Janeiro e CPDA;
Mídia aplicada à educação - UFPE - Universidade Federal de
Pernambuco; O pensamento inquieto (extensão) - UnB – Universidade
de Brasília; Pedagogia (graduação) - UDESC - Universidade
do Estado de Santa Catarina; Pedagogia (licenciatura)-
UFPR - Universidade Federal do Paraná; Política, Estado e
Globalização na América Latina – (atualização) - UFFRJ - Universidade
Federal Rural de Rio de Janeiro e CPDA; Psicopedagogia (especialização)
- UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro; Supervisão
escolar (especialização) - UFRJ - Universidade Federal do
Rio de Janeiro; Capacitação de recursos humanos em planejamento
e gestão de desenvolvimento regional (extensão) - UFPA - Universidade
Federal do Pará; Curso interativo de design de superfície
-UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul; Gestão
da informação e da comunicação organizacional - UFBA - Universidade
Federal da Bahia; A redação como libertação (extensão) - UnB
– Universidade de Brasília; Língua Portuguesa – visão discursiva
(especialização) - UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Universidade Virtual Brasileira
A Rede Brasileira de Educação a Distância,
também chamada de Universidade Virtual Brasileira (UVB.BR),
começou a se organizar na mesma época da Unirede, a diferença
básica é que congrega estabelecimentos particulares de ensino
superior. Ela atualmente é formada pelas seguintes instituições:
Associação Educacional do Litoral Santista (Centro Universitário
Monte Serrat), SP; Associação Potiguar de Educação e Cultura
(Universidade Potiguar), RN; Centro Superior de Ensino de
Campo Grande (Universidade para o Desenvolvimento do Estado
e da Região do Pantanal), MS; Instituto Cultural Newton Paiva
Ferreira (Centro Universitário Newton Paiva), MG; Instituto
Superior de Comunicação Publicitária (Universidade Anhembi
Morumbi), SP; Sociedade de Ensino do Triângulo (Centro Universitário
do Triângulo), MG; Sociedade Educacional do Espírito Santo
(Centro Universitário Vila Velha), ES; União Superior de Ensino
do Pará (Universidade da Amazônia), PA; Universidade do Sul
de Santa Catarina, SC; Universidade Veiga de Almeida, RJ.
Atualmente a UVB oferece cursos em quase
todas as áreas do conhecimento, a maioria de extensão universitária,
como: Gestão empresarial em tempos globalizados; Gerenciamento
de projetos; Planejamento estratégico de recursos humanos;
Gestão ambiental urbana; Aspectos estratégicos e administrativos
para a redução de custos; Como reduzir custos: aspectos quantitativos;
Introdução às estratégias de comunicação; Cultura em transformação;
Preparação de professores autores e tutores; Sala de aula
interativa; Nutrição Materno-infantil; Técnicas e práticas
de planejamento e orçamento para administradores municipais
– segundo a lei de responsabilidade fiscal; Curso básico de
administração de sistemas Linux I; Acessando banco de dados
com Java; Construção de páginas com ASP; Marketing turístico;
Responsabilidade civil médica; Direito autoral e a internet;
Sentidos do vestir contemporâneo; Desenho básico de moda.
Univir
A Univir foi se organizando como um projeto
que nasceu nas Faculdades carioca (atualmente Universidade
carioca) com o objetivo de fundar a primeira universidade
aberta do Brasil. Desde 1995 esse objetivo vem sendo perseguido.
A Univir concentrou sua atenção na organização de um sistema
fortemente baseado na telemática, fez acordos com importantes
empresas nessa área, mas provavelmente sofreu muito por causa
dos sucessivos adiamentos impostos pelo Ministério da Educação
aos projetos de educação superior a distância no Brasil. A
UniVir oferece cursos técnicos, de extensão universitária
e de pós-graduação e está trabalhando para oferecer também
cursos de graduação.
Santa Catarina
A Universidade Federal de Santa Catarina
montou, a partir de 1995, o Laboratório de Ensino a Distância
a partir da iniciativa Programa de Pós-Graduação em Engenharia
de Produção da UFSC (PPGEP), que já se transformou em referência
nacional no uso de teleconferências (com suporte de materiais
impressos e Internet) como instrumentos preferenciais em programas
de capacitação e formação de nível superior para empresas
de grande porte.
ENSP
Em 1997, Escola Nacional de Saúde Pública
(ENSP), da Fundação Oswaldo Cruz, com o apoio editorial do
Centro de Educação Aberta, Continuada e a Distância (UnB),
elaborou e começou a veicular um curso de educação a distância
(pós-graduação) para dirigentes e gestores municipais na área
de saúde. Esse curso foi dividido em três unidades com cinco
módulos cada, distribuídos através de materiais impressos
e tendo o processo de aprendizagem sido acompanhado por tutoria
oferecida pela ENSP. Esse programa também conta com apoio
científico do Laboratório de Tecnologias Cognitivas, da Universidade
Federal do Rio de Janeiro (NUTES-UFRJ).
IME
Também em 1997, o Instituto Militar de
Engenharia (IME) implantou o projeto chamado Universidade
Virtual, com o objetivo de desenvolver cursos de graduação
e pós-graduação, avaliar os programas de educação a distância
existentes e pesquisar novas tecnologias. Entre os experimentos
que tem realizado destaca-se um Sistema de Videonferência
Seguro (SVS) para uso em programas de educação a distância
que tenham como um de seus meio a teleconferência.
ONGs
No campo das organizações não-governamentais,
o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas-IBASE,
elaborou (com o apoio do INED-Instituto Nacional de Educação
a Distância) um programa de cursos denominado Educação para
a Cidadania, que se materializou, em 1997, em somente um curso
de 10 módulos com materiais impressos e vídeos sobre temáticas
da cidadania. Esse curso foi preparado para fazer parte do
esforço do Ministério da Educação e do Desporto na atualização
de professores em serviço. Dois anos antes, em 1995, a Escola
de Formação Quilombo dos Palmares, uma ONG de Recife, Pernambuco,
organizou o Curso por Correspondência para Dirigentes do Movimento
Popular. Hoje, no campo das organizações não-governamentais,
está sendo gestado um programa de apoio ao desenvolvimento
de educação a distância através da Internet pela Rede de Informações
para o Terceiro Setor – Rits, que está sendo iniciado com
o apoio financeiro da Fundação Kellog, o primeiro curso deverá
ser voltado ao fortalecimento institucional das entidades
não governamentais, especialmente na área de gestão e administração.
CREAD
Em 1993 foi criada a Rede Brasileira
de Educação à Distância READ/BR, sob os auspícios da Organização
dos Estados Americanos e cuja secretaria ficou ao encargo
da Associação Brasileira de Tecnologia Educacional-ABT. Logo
depois, em 1996, a ABT passou também a ser referência do Consórcio
Rede Interamericano de Educação a Distância – CREAD, animado
pela Penn State University, dos Estados Unidos. Idéias similares
estão em franco processo de desenvolvimento em vários países,
no Brasil a idéia de intercâmbio entre entidades diferenciadas
ainda está engatinhando.
ABED
A Associação Brasileira de Educação a
Distância - ABED, foi criada em 1995, a partir da ação articulada
da Escola do Futuro, da Universidade de São Paulo, e da Fundação
Roberto Marinho. "É uma entidade sem fins lucrativos
que tem como finalidades o estudo, pesquisa, promoção e desenvolvimento
de projetos na área de Educação a Distância". Tem realizado
várias atividades, encontros, seminários, congressos internacionais
e conferências. Com a ampliação de seu quadro associativo
começou a publicar um boletim informativo trimestral chamado
"Galáxia da Educação a Distância".
Várias outras experiências importantes
como: da Universidade da Força Aérea, do Banco Itaú, do Banco
do Brasil, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (notadamente
no acompanhamento das constituintes 1987-1991), da Fundação
Roberto Marinho (Telecurso 2000), da Universidade Aberta do
Nordeste (Fundação Demócrito Rocha), da Universidade Federal
de Santa Maria, Universidade Salgado de Oliveira, Universidade
do Vale dos Sinos, Universidade Federal do Rio Grande do Sul,
Universidade Estadual do Ceará, Universidade de São Paulo,
Seminário Teológico Presbiteriano do Rio de Janeiro e muitas
outras instituições.
Além dessas, há uma série de outras experiências,
programas e cursos em andamento, nem todos são de conhecimento
público porque ainda se encontram em fase muito experimental,
outros acabaram, por um motivo ou outro, não logrando sucesso
e não foram devidamente divulgados.
Não é só no campo da produção que o Brasil
tem avançado. No mesmo sentido do processo internacional de
valorização da estratégia da educação a distância e do crescente
uso de tecnologias educacionais como indutoras de melhor aproveitamento
escolar, o Brasil modernizou sua legislação, incluindo na
nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional vários
dispositivos que facilitam o desenvolvimento da educação a
distância; em 10 de fevereiro de 1998 foi apresentada a primeira
regulamentação geral da matéria (Decreto 2.494/98).
Um importante passo no sentido de colocar
a educação a distância como política pública fundamental no
rol das ações de desenvolvimento educacional no Brasil foi
a criação de uma secretaria própria no âmbito do Ministério
da Educação. A criação da Secretaria de Educação a Distância
de fato demonstra a relevância que ganhou a educação a distância
no Brasil e também que o governo federal passou a conferir
importância estratégica a programas que têm como objetivo
a organização de novas alternativas de apoio ao ensino, capacitação
de professores em serviço e criação de bases tecnológicas
nas escolas, os principais programas com essas características
são a TV Escola e o Programa de Informática Educativa.
É provável, em vista da pouca experiência
que se tem no campo da educação a distância, que nos próximos
anos a Administração Pública apresente dificuldade em regulamentar
e supervisionar os programas formais de educação a distância,
ainda mais se não conseguir romper com os padrões tradicionais
e comportamentos do ensino presencial. Apesar disso, o que
se observa é a manifestação de um volume crescente e significativo
de projetos, experiência, propostas e cursos sendo desenvolvidos
por instituições as mais diferentes, governamentais, comerciais,
não governamentais, nacionais e internacionais, envolvendo
universidades, escolas, empresas de informática e centros
de pesquisa. Esse grande movimento em direção à educação a
distância irá, certamente, provocar mudanças institucionais
profundas em várias áreas.
Os primeiros projetos de curso superior
aprovados pela nova estrutura do Ministério da Educação foram
os seguintes:
Universidade Federal do Pará
Curso autorizado: Matemática, nas modalidades Bacharelado
e Licenciatura Plena ( Parecer nº 670/98 CES/CNE, publicado
no Diário Oficial da União de 09/03/99, Seção 1, página
7).
Universidade Federal do Ceará
Cursos autorizados: Biologia, Física, Matemática e Química,
na modalidade Licenciatura Plena (Parecer nº 887/98 CES/CNE,
publicado no Diário Oficial da União de 09/03/99, Seção
1, página 7).
Universidade Federal de Mato Grosso
Curso autorizado: Educação Básica: 1º a 4º séries, Licenciatura
Plena (Parecer nº 095/01 CES/CNE, Portaria nº 372 de 05/03/01
publicado no Diário Oficial da União de 06/03/01, Seção
1E, página 8).
Universidade Federal do Paraná
curso autorizado: graduação em Pedagogia, licenciatura
plena, com as habilitações Magistério dos Anos Iniciais
do Ensino Fundamental e Magistério da Educação Infantil.
Universidade do Estado de Santa Catarina
Curso autorizado: curso de Pedagogia, na modalidade licenciatura
plena, (Parecer nº 305/2000CES/CNE, Portaria
nº 769/2000 de 01/06/2000, publicado no Diário Oficial
da União de 02/09/2000, Seção 1E , página 9).
Universidade Braz Cubas
Curso autorizado: Especialização em Direito Civil e em
Direito Penal (Parecer nº 796/00 CES/CNE, e Portaria nº
1556 - A publicada no Diário Oficial da União de 05/10/00,
Seção 1E, página 8).
Capítulo 3. Características e usos da
educação a distância
Walter Perry e Greville Rumble afirmam
que a característica básica da educação a distância é o estabelecimento
de uma comunicação de dupla via, na medida em que professor
e aluno não se encontram juntos na mesma sala, requisitando,
assim, meios que possibilitem a comunicação entre ambos como
correspondência postal, correspondência eletrônica, telefone
ou telex, rádio, "modem", vídeodisco controlado
por computador, televisão apoiada em meios abertos de dupla
comunicação, rede digital de serviços integrados etc.
Analisando os conceitos apresentados
pelos mais destacados pesquisadores de educação, Desmond Keegan
, também um dos mais importantes estudiosos e pesquisadores
da área de educação a distância, sumariza os elementos que
considera centrais para o entendimento da educação a distância:
separação física entre professor
e aluno, que a distingue do ensino presencial;
influência da organização educacional
(planejamento, sistematização, plano, projeto, organização
dirigida etc), que a diferencia da educação individual;
utilização de meios técnicos de comunicação,
usualmente impressos, para unir o professor ao aluno e
transmitir os conteúdos educativos;
previsão de uma comunicação de mão
dupla, onde o estudante se beneficia de um diálogo, e
da possibilidade de iniciativas de dupla via;
possibilidade de encontros ocasionais
com propósitos didáticos e de socialização; e
participação de uma forma industrializada
de educação, a qual, se aceita, contém o gérmen de uma
radical distinção dos outros modos de desenvolvimento
da função educacional.
Miguel Casas Armengol, um dos formuladores
da proposta do governo venezuelano que deu origem a Universidad
Nacional Abierta e, depois o seu primeiro reitor, enumerou,
com base em seus estudos sobre educação superior a distância
e nos trabalhos de Börje Holmberg, Anthony Kaye e Greville
Rumble, as seguintes características da educação a distância,
vamos usar essa referência e comentá-la, a seguir, à luz das
novas experiências e das perspectivas atuais e, também, de
outras referências e estudos de Desmond Keegan, Tony Bates
e Otto Peters.
1. População estudantil relativamente
dispersa, devido a razões de posição geográfica, condições
de emprego, incapacidade física etc.
Além daqueles que apresentam enorme
dificuldade de acesso ao ensino por motivos físicos (portadores
de necessidades especiais) e geográficos, uma grande quantidade
de alunos, principalmente adultos, ao mesmo tempo em que
têm uma enorme necessidade de prosseguir seus estudos
ou de aperfeiçoar-se, apresentam grande dificuldade de
subordinar-se à disciplina de horários e locais das escolas
presenciais, por isso não conseguem acesso ao ensino,
isto porque trabalham ou têm outros afazeres, ou mesmo
porque têm dificuldade de se subordinar a determinadas
regras ou condicionantes dos cursos presenciais.
No caso daqueles que já têm uma profissão
e estão trabalhando em horário integral, é quase impossível
compatibilizar seus horários profissionais e suas responsabilidades
familiares com um novo curso. Assim, a educação a distância
aparece como o único meio adequado de dar-lhes acesso
a um novo saber. O tempo passa a ser uma condicionante
de aferição da acessibilidade e não ter tempo, nas sociedades
modernas, deixa de ser uma questão de opção passando a
se constituir em característica da vida social atribulada,
que impõe aos trabalhadores de baixa renda longas horas
de deslocamentos em transportes coletivos e aos de renda
média outras tantas horas em engarrafamentos.
Há outros casos que também devem
ser levados em consideração: muitas vezes as instituições
educativas se especializam no atendimento à determinada
clientela mais jovem e quando um adulto já de certa idade
deseja freqüentar os cursos encontra barreiras geracionais,
de linguagem, de comportamento etc, preferindo, nesses
casos, alternativas que lhe garantam certa tranqüilidade
para seguir o curso.
Essa dispersão da população estudantil,
então, pode ser tanto física ou geográfica, quanto geracional
ou de comportamento.
Um adulto pode se sentir muito inibido
a freqüentar um curso presencial que ele acredita ser
somente destinado a jovens (mesmo que isso não seja totalmente
verdadeiro). Esse mesmo curso oferecido à distância pode
significar a diferença entre o acesso à educação ou a
apartação.
2. População estudantil predominantemente
adulta, que apresenta peculiaridades que justificam enfoques
educativos mais voltados à educação de adultos.
Quanto a este aspecto, Keegan afirma
que a educação "pode prover um programa educativo
completo para ambos, crianças e adultos".
No caso de tratarse de curso destinado
a público infantil e adolescente, é fundamental que se
observe a necessidade de um forte apoio logístico e institucional
que institua meios permanentes de estímulo social e motivação
individual, quer incorporando as instituições sociais
locais, quer dando forte destaque aos meios de comunicação
com forte base emotiva e enfatizando a interatividade.
É recomendável que os cursos sejam mediados por orientadores
de aprendizagem treinados a estimular os jovens e a valorizar
sua aprendizagem individual. Exercícios e experimentos
práticos, ligados à realidade concreta dos jovens devem
ser uma constante no processo de ensino.
Para o adequado atendimento da população
adulta, que, então se constitui na maioria da clientela
da educação a distância, é fundamental que os projetos
tenham, desde seu início, a perspectiva de valorização
da experiência individual, não somente no que se refere
ao tema a ser estudado mas, principalmente, no tratamento
dos conteúdos a partir da experiência de vida e cultura
dos alunos.
Quanto a valorização da experiência
anterior, devese levar em conta aspectos importantes
da cultura geral e local. Em se tratando de pessoas com
pouca escolaridade formal ou indivíduos educados em processos
que pouco incentivam a iniciativa individual, é recomendável
que os cursos sejam precedidos de (ou, preferencialmente,
em todos os seus estágios incorporem) pequenos cursos
(ou módulos) que ensinem como estudar, como utilizar seu
tempo e estimulem o aluno a tomar iniciativas e a construir
sua autonomia. Essa introdução pode ser a distância ou
realizada como uma atividade presencial, como foi feito,
por exemplo, neste curso que você está fazendo agora (lembra
daquela semana inicial?).
Os problemas e o grau de complexidade
do curso, também, devem levar em consideração os aspectos
culturais e o aprendizado anterior do aluno. Esse processo
deve ser adequadamente controlado, como meio de avaliar
se o curso está realmente atingindo seus objetivos e se
os alunos estão verdadeiramente superando estágios de
apatia e subordinação, vencendo barreiras e desenvolvendo
sua autonomia e independência.
Observa-se aqui um ponto em que a
tecnologia de informação e comunicação ganha destaque
quando apresentada como base para a constituição de um
novo modelo de educação. Ao longo do tempo, quando a sociedade
demandava mais acesso à educação, a única opção era massificar
o ensino, ampliando o número de estabelecimentos e o número
de alunos por sala de aula. O relacionamento entre professor-aluno
que se estabeleceu com esse modelo (já na Idade Média)
subordina, de forma contundente, o indivíduo ao grupo.
Várias teorias inclusive já foram elaboradas para justificar
essa subordinação como adequada.
Nesse caso, o professor se dirige,
em geral, a um aluno-médio, inexistente, ou exclui a quase
totalidade da sala de aula e exerce o magistério somente
com uns poucos estudantes.
Ao se desenvolver, a tecnologia de
informação possibilita que, agora, se possa começar a
construir modelos educativos que tenham realmente como
referência o estudante, estabelecendo mecanismos de acompanhamento
individualizado mesmo que o curso esteja sendo freqüentado
por milhares de estudantes ao mesmo tempo e em vários
países.
O acompanhamento (tutoria, avaliação
e apoio) de cada estudante começa a ser possível, mesmo
que as turmas tenham milhares de alunos. Mas, para que
isso realmente seja possível, é necessário dotar-se os
sistemas educativos a distância de inteligência computacional
(programas próprios) que valorizem a centralidade no aluno
(bancos de dados, customização dos acessos via rede de
computadores, bom gerenciamento de informações, garantia
de privacidade etc).
3. Cursos que pretendem ser autoinstrucionais,
mediante a elaboração de materiais para o estudo independente,
contendo objetivos claros, auto-avaliações, exercícios, atividades
e textos complementares. Estes cursos podem ser autosuficientes
e constituirse em guia para o estudo de um conjunto de outros
textos, fomentando a capacidade de observação e crítica e
o pluralismo de idéias, aspectos especialmente valiosos nos
estudos universitários.
Do ponto de vista da preparação dos
materiais, há uma diferença fundamental entre a educação
presencial e a distância. Neste último caso, é importante
que os materiais sejam preparados com antecedência e por
equipes multidisciplinares/transdisciplinares que incorporem,
nos instrumentos pedagógicos escolhidos, as técnicas mais
adaptadas para a auto-instrução, tendo em vista que o
processo de aprendizagem deverá se dar com uma pequena
participação de apoios externos.
O centro do processo de ensino passa
a ser o estudante, a aprendizagem. Não mais o professor
e o ensino.
É essencial também que se procure
ir ampliando as possibilidades de escolha dos estudantes,
oferecendo visões alternativas sobre o mesmo problema
e materiais complementares que auxiliem na formação de
um pensamento crítico e analítico.
Uma escola realmente aberta faz-se
cada vez mais necessária para a concretização desse modelo
hipertextual e de múltiplas conexões que a autonomia e
a centralidade no estudante (deslocamento do eixo do ensino
para a aprendizagem) demanda; uma nova escola ou uma nova
forma de fazer-se educação.
O hipertexto que a imprensa começou
a proporcionar, se expande e adquire nova forma no tempo
da comunicação informatizada da rede mundial. Os cursos
oferecidos por meio digital tiram proveito da miríade
de produtores conectados entre si pela Internet, multiplicam-se
os fornecedores de cursos e amplia-se a facilidade de
troca de informações e impressões entre os alunos. Mas,
novamente aparece o "problema" que despontou
depois da invenção de Gutenberg: como sobreviver nesse
mar de informação que quase instantaneamente nos cerca?
(ver um pouco atrás a nota 16: "as escolas eram um
meio de governar a ecologia da informação").
Em qualquer uma dessas características
cabe fazer uma referência à tutoria. Na maioria dos programas
educacionais a distância ela está presente, que na forma
de assessoria, de animador, ou mediador. Em geral, recomenda-se
não reproduzir as mesmas relações existentes no ensino
presencial, deixando para o tutor a cobertura de todas
as deficiências que se verifiquem nos materiais, ou dando-lhe
autonomia para interferir no processo de desenvolvimento
do curso. A tutoria complementa, facilita, apoia, mas
não ensina, ministra aulas ...
Por isso é importante articular bons
materiais, produtos de uma boa concepção e adequado planejamento
do curso, testagens e reformulação dos programas, com
uma tutoria que ajude o aluno a ter iniciativa, a pesquisar
e a refletir.
Sempre que possível, é importante
ir atualizando os materiais, incorporando as experiências
e os conhecimentos proporcionados pela aplicação dos mesmos.
Não se recomenda fazer uma reedição de materiais impressos
sem que se aproveite essa oportunidade para melhorá-los.
No caso de mídias como os vídeos, isso pode significar
maior custo, já que não é igualmente fácil editar um vídeo
antigo. Mas, se houver profissionais competentes, isso
pode ser feito com a mesma tranqüilidade e com pouco aporte
de recursos.
4. Cursos préproduzidos, que geralmente
ainda usam de forma predominante livros ou apostilas impressas,
mas o fazem combinando os textos com uma ampla variedade de
outros meios e recursos tais como: suplementos de periódicos
e revistas, livros adicionais, rádio e televisão educativos
em circuito aberto ou fechado, filmes, computadores e, especialmente,
redes de microcomputadores, vídeodiscos, vídeotextos, comunicações
mediante telefone, rádio e satélite, equipamentos portáteis
para testes ("kits"), vídeo-conferência, teleconferência,
rede digital de serviços integrados, etc. A adequada integração
desses diversos meios para conquistar objetivos instrucionais,
constituiu o denominado "enfoque multimeio". A logística
desses cursos se caracteriza pela centralização da produção,
combinada com uma descentralização da aprendizagem.
Para a implantação de um sistema
de educação a distância ou mesmo a ampliação de um já
existente, há que se considerar, além desses aspectos
enunciados acima, as tendências comunicativas, tanto no
que diz respeito a equipamentos (hardware) quanto a programas
(software), para que não se faça investimentos que se
tornem obsoletos no curto prazo. Atualmente, tendo em
vista a grande flexibilidade que adquiriram os microcomputadores,
há uma forte tendência em poderse utilizálos em substituição
a outras formas de comunicação, principalmente para a
educação, que em breve terá, a custo relativamente baixo,
a possibilidade de utilização em massa da multimídia e
de teleconferências com base em computadores pessoais
ou redes de computadores (ver as características técnicas
das redes mais adiante).
A possibilidade de incorporar-se
no computador quase todos os demais meios de comunicação,
potencializada com a ligação em rede, transforma esse
equipamento no condutor físico da mensagem educativa mais
apropriado ao momento de desenvolvimento da educação a
distância. Facilita sua escolha o fato de estar cada dia
mais fácil utilizá-lo, notadamente quando se trata de
públicos mais jovens.
5. Comunicações massivas; uma vez que
os cursos estejam preparados é possível, conveniente e economicamente
vantajoso utilizálos para um grande número de estudantes.
Na educação tradicional os custos
de produção de um curso tendem a ser semelhantes de um
período para outro, mantendo-se no mesmo nível dado um
determinado número de alunos. Ampliar o número de turmas
significa ampliar quase que igualmente o custo do programa.
O peso do curso tradicional está no custo variável. É
relativamente barato para um grupo pequeno de pessoas,
mas muito dispendioso e difícil de operar quando se amplia
demasiadamente o número de estudantes (isso sem falar
no risco com a perda de qualidade).
Na educação a distância é um pouco
diferente (dependendo do modelo que se adote). O peso
está nos custos iniciais, como veremos um pouco mais adiante.
Há um determinado custo fixo exigido para se fazer um
determinado curso, utilizando-se esta ou aquela tecnologia,
independentemente do número de alunos que terá. Aumentar
o número de alunos não diminui o custo inicial, mas o
reparte entre mais beneficiários. O aumento de dispêndios
que se tem com a elevação substancial do número de alunos
pode ser insignificante, sem comprometer a qualidade do
curso
O gráfico acima ilustra uma comparação
entre custos de várias tecnologias de comunicação formulado
por BATES
Por isso se afirma que a educação
a distância é uma estratégia educativa para grandes quantidades
de estudantes.
Além disso, a existência de uma grande
quantidade de materiais educativos, de livre reprodução
ou de custo baixo, disponíveis em bibliotecas digitais
de acesso fácil, pode proporcionar o aparecimento de outros
cursos de modo exponencial.
6. Comunicações organizadas em duas direções,
que se produzem entre os estudantes e o centro produtor dos
cursos. Esta comunicação se cumpre mediante tutorias, orientações,
observações sobre trabalhos e ensaios realizados pelo estudante,
autoavaliações e avaliações finais. O meio principal de comunicação
é a palavra escrita, entretanto usase com freqüência o telefone,
o rádio e reuniões entre tutor e aluno ou com pequenos grupos.
Em 1960, Börje Homberg ao criar o
conceito de conversação didática guiada teve por base
a necessidade de manter o estudante motivado, dar ênfase
à necessidade de estar sempre presente nos materiais didáticos
a noção de um diálogo de dupla-via, as mensagens deveriam
ser facilmente lembradas e entendidas, a forma de apresentação
do texto deveria ser simpática e amistosa, estabelecendo
um diálogo informal e, finalmente, o plano de curso deveria
ser explícito e explicitado ao estudante o seu conjunto
de conceitos e objetivos.
Ele acabou mostrando, com a aplicação
de seus conceitos, que seria possível estabelecer, mesmo
sem a mediação de um professor, uma conversação entre
o estudante e a equipe de produção dos materiais, com
a mediação dos próprios materiais.
Conversação Didática Guiada (Holmberg)
Se verdadeira essa condição com relação
ao texto impresso, a educação a distância pode, no mundo
digital, ganhar postura de interlocução permanente, inteligente,
libertária, aberta com o texto quadridimensional (e também
adimensional) que se forja na rede Internet ou nas redes
de computadores das instituições de ensino que estejam
ligadas às bibliotecas digitais e ao universo de páginas
e sítios (sites) que se abrem diariamente.
7. Estudo individualizado, sem pretender
que ele seja uma característica exclusiva desta forma de ensino.
Contudo, "aprender a aprender" constitui um recurso
especialmente importante para o estudante a distância e é
a partir desse ponto que seu desenvolvimento deve ser impulsionado
neste tipo de educação para que o novo tipo de educação e
escola que a sociedade requer possa ser construído.
Mesmo para os projetos/cursos que
sejam fortemente baseados na recepção grupal, há que se
considerar este aspecto importante: o estudante é um indivíduo
com características próprias, que devem ser respeitadas;
do mesmo modo, deve merecer atenção o ritmo de estudo
individual. Portanto, devese considerar seu comportamento
e os mecanismos facilitadores de aprendizagem nessa situação.
Um dos projetos de maior significância,
do ponto de vista da eficácia da educação a distância,
é a incorporação de procedimentos educativos que auxiliem
o estudante a ingressar na modalidade educativa a distância.
Os alunos, geralmente, têm forte influência dos métodos
presenciais e, principalmente, são pouco educados a estudar
a partir de seu próprio esforço individual. Neste caso,
é fundamental que se oriente o estudante (não só em um
momento inicial, mas durante todo o período em que estiver
realizando atividades a distância) a estudar por conta
própria, desenvolvendo habilidades de independência e
iniciativa.
Em cursos que tenham como principal
meio de comunicação entre o aluno e o sistema de ensino
(materiais, bibliotecas, aulas, etc.) algum tipo de rede
de computadores, Internet por exemplo, é possível utilizar-se
de procedimentos informatizados para acompanhar aluno
por aluno, verificando suas dificuldades, o tempo que
despende em cada atividade, quais as informações que procurou
e não achou ... Isso pode ser feito geralmente com pouco
esforço ou quase nenhum gasto de tempo de professores
e assessores já que se pode adaptar bancos de dados relacionais
fazendo com que todas as informações geradas pelos alunos
possam ser imediatamente transformadas em informações
gerenciais ou fontes de dados para verificações e pesquisas.
Os principais programas computacionais orientados à produção
e gestão de cursos a distância que hoje estão disponíveis
no mercado já incorporam, pelo menos parcialmente, essa
idéia.
8. Tipo industrializado de ensino aprendizagem,
a produção massiva de materiais autoinstrucionais implica
em uma clara divisão do trabalho na criação e produção, tanto
intelectual como física dos materiais. Ainda que além deste
modelo existam outros, este constituise no mais utilizado
e importante em escala mundial.
É importante observar que esse modelo
pressupõe ou, no mínimo, traz como conseqüência a valorização
do trabalho multidisciplinar/transdisciplinar e em equipe,
quase sempre ausente ou tendencialmente ausente do processo
de educação presencial, onde a figura central do professor
acaba por valorizar o trabalho artesanal e solitário do
mestreartesão produzindo sua obra prima e reproduzindoa
de forma sempre concêntrica ou linear, depois.
9. Crescente utilização da "Nova
Tecnologia Informativa", Scriven afirma que a informação
não é educação, mas o conhecimento se firma na informação.
A antiga tecnologia informativa utilizava principalmente meios
mecânicos e elétricos para cumprir suas funções; ao contrário,
Hawdrigde explica que a nova tecnologia informativa depende
mais da eletrônica e fundamentalmente compreende três tecnologias
convergentes: computação, microeletrônica e telecomunicações.
As possibilidades dessas novas tecnologias para a educação
a distância são extraordinárias. Obviamente, também a educação
presencial pode beneficiarse desses novos meios, porém com
um alcance mais limitado que nos sistemas a distância. Atualmente
é também comum chamar-se esse conjunto de tecnologias como
Tecnologias da Informação e de Comunicações (TIC) ou, também,
como Novas Tecnologias da Informação (NTI).
Os avanços na área de micro-informática
indicam uma tendência excepcional para a educação, quando
da universalização, a baixo custo, da multimídia e da
"realidade virtual". Esta última, quando melhor
desenvolvida, será muito útil certamente para o ensino
de matérias que requerem exercícios e experiências simulados,
como mostram experimentos que estão sendo feitos com disciplinas
como química, biologia, geometria e física.
Pierre Lévy nos diz que "o processo
de unificação do campo da ‘comunicação’ jé é bem antigo,
na ordem econômica e financeira. Começou recentemente
no plano das habilidades e das profissões durante o desenvolvimento
da telemática. Com a constituição da rede digital e o
desdobramento de seus usos tal como imaginamos aqui, televisão,
cinema, imprensa escrita, informática e telecomunicação
veriam suas fronteiras se dissolverem quase que totalmente,
em proveito da circulação, da mestiçagem e da metamorfose
das interfaces em um mesmo território cosmopolita"
.
Há muitos críticos da utilização
de tecnologia comunicativa na educação. Grande parte das
observações contrárias à utilização de modernas tecnologias
na educação dáse não por causa da tecnologia em si, mas
principalmente pelo uso que dela se faz. Por um lado,
não se prepara os profissionais da educação para tirarem
o máximo proveito da tecnologia e, por outro, esta tem,
em várias ocasiões, servido simplesmente como meio de
fixação de uma mensagem única e a crítica.
Na medida em que for sendo desenvolvida
a tendência à convergência das várias tecnologias comunicativas,
como imagina Pierre Lévy na observação que citamos acima,
é provável que também se reduza essa crítica, especialmente
se também vier a se materializar um grande investimento
em qualificação de pessoal para o desenvolvimento de materiais
educativos, softwares e para a implantação de situações
de telepresença no ensino tradicional.
Os computadores progridem em potência
de memória, de cálculo, em velocidade de manipulação de
informações, imagens e dados, numa velocidade estupenda.
Reduz-se também o preço dos equipamentos. Melhora-se a
qualidade das comunicações (telefonia, vídeo etc.). Em
breve os computadores poderão estar sendo produzidos com
telas de boa definição e suficientemente flexíveis para
que se comece a pensar em utilizá-los como meio essencial
para a educação, quer presencial quer a distância.
Atualmente, os principais programas
de educação a distância, quer sejam eles as grandes universidades
ou os centros de capacitação de empresas (universidades
corporativas), centram seus investimentos no uso de tecnologias
de ponta, agregando mais e mais ferramentas tecnológicas
aos processos de ensino e aprendizagem.
As organizações de capacitação empresarial
"estão dando uma importante atenção a esse ‘novo
ambiente de aprendizagem’, fazendo experiências com uma
variedade de ferramentas educacionais no ambiente de negócios.
Ao longo do tempo, o treinamento corporativo em sala de
aula, conforme o conhecemos hoje em dia, será apenas uma
parte – e em certos casos uma pequena parte – da abordagem
adotada pelas organizações para a educação de seus funcionários."
10. Tendência a adotar estruturas curriculares
flexíveis, por meio de cursos organizados através de módulos
e currículos organizados por créditos; tais estruturas permitem
uma maior adaptação às possibilidades e aspirações individuais
da população estudantil, sem que isto se dê em detrimento
da qualidade acadêmica do material instrucional. Tampouco,
neste caso, podese pretender que este aspecto seja exclusivo
da educação a distância, mas indubitavelmente para ela representa
a possibilidade de oferecer a seus estudantes uma abertura
e facilidades que na educação presencial realmente só se pode
oferecer nos estudos de pósgraduação.
Com respeito a este aspecto, o método
desenvolvido por Fred Keller, denominado PSI-Personalized
System of Instruction, apresenta grande contribuição para
a organização de um processo continuado, centrado no aluno,
que a educação a distância pode absorver e incrementar.
Por outro lado, há que se observar que não basta a preferência
pelo sistema de créditos, tendência dominante das universidades
brasileiras hoje. A questão está em como administrar esse
sistema de modo a oferecer realmente liberdade de ação
ao estudante. O sistema de créditos atualmente utilizado
no Brasil não tem contribuído para a flexibilidade que
a proposta original apontava. Na educação a distância
essa maleabilidade se dá com a adoção de uma concepção
aberta de ensino e a existência prévia de grande variedade
de materiais, que podem constituir créditos suficientemente
numerosos que proporcionem a administração matricial dos
cursos.
Holmberg apresenta estudo que indica
a superioridade do PSI sobre outros métodos de ensino
convencional, destacando-se alguns paralelos entre a educação
a distância e os princípios basilares do PSI, contudo
aponta uma crítica ao caráter eminentemente condutivista,
em seu entender, do método PSI. Mas, em que pese esse
aspecto, Holmberg assinala como importante o caráter essencial
da comunicação de dupla via entre o aluno e o professor,
o respeito ao ritmo do aluno, a importância do uso de
meios impressos, e a acentuação da motivação.
Os métodos de ensino que mais se
desenvolveram nas décadas seguintes à II Guerra Mundial
tinham por base as experiências militares, quer no campo
da instrução programada, quer na área do planejamento
e acabaram por dar contorno a uma disciplina chamada Tecnologia
Educacional, que durante muito tempo e para muitas pessoas
se confundia com educação a distância.
Se por um lado ainda se encontra
dificuldade de superar o estágio da instrução programada
nos cursos de educação a distância, as agências governamentais
que têm responsabilidade regulatória, também têm apresentado
dificuldade de superar as concepções metodológicas, logísticas
e temporais da educação presencial, por isso às vezes
aparecem documentos com pouca base lógica exigindo que
cursos de educação a distância tenham como referência
as práticas da educação presencial. Ao fazer isso, imagina-se
que a qualidade está sendo preservada, mas, após alguns
anos de experiência, acaba-se vendo que a qualidade em
educação a distância, na maioria dos casos, requer certo
distanciamento com as práticas e as concepções logísticas,
temporais e de avaliação da educação tradicional.
11. Custos decrescentes por estudante,
depois de elevados investimentos iniciais e sempre e quando
se combinem uma população estudantil numerosa com uma operação
eficiente, a educação a distância pode ser mais barata.
Há muitos exemplos e estudos que mostram
que realmente a educação a distância pode ser muito mais barata
que a educação convencional quando as condições acima estiverem
preenchidas. No caso da Open University da Inglaterra, os
custos de cursos universitários regulares ficam entre 37%
e 47% dos custos totais de universidades presenciais, para
outros tipos de cursos os custos ficam entre 55% e 80% daqueles
praticados por universidades convencionais. No caso do Sistema
Chinês de Universidade pela Televisão, os custos por aluno
ficam entre 43% e 51% daqueles observados nas universidades
convencionais, John Daniel faz uma comparação interessante,
ele mostra que "os 3.500 centros universitários e universidades
dos Estados Unidos têm aproximadamente 14 milhões de estudantes
e um gasto anual com educação superior por volta de 175 bilhões
de dólares. Isso representa um custo de US$ 12,500 por aluno.
As 11 mega-universidades atendem 2,8 milhões de estudantes
e envolvem um orçamento de 900 milhões de dólares, isso representa
menos de US$ 350 por aluno".
Mas, é importante frisar que apesar de
observarmos um custo médio em instituições de educação a distância
bem inferior ao custo por aluno de universidades e organizações
educacionais convencionais, o investimento inicial da educação
a distância geralmente é muito elevado, principalmente porque
normalmente se compara esse dispêndio com aquele realizado
por uma instituição educacional já estabelecida. Nesse caso,
é uma comparação que apresenta certa dificuldade, já que não
está se contando com os custos de implantação da escola convencional,
como construção, equipamentos e manutenção, pois se comparam
normalmente os custos variáveis e não os custos totais, dos
primeiros três anos, por exemplo.
Mas mesmo fazendo essa comparação desse
jeito, os cálculos que se tem é que a educação a distância
pode apresentar custos médios de duas a cinco vezes menores
que os cursos convencionais.
Isso não significa, de nenhuma forma,
desemprego de professores, que seriam substituídos por máquinas.
Com o crescimento de oportunidades de educação, elevação do
número de alunos, pode-se empregar um número crescente de
pessoas que desempenharão diversos papeis no processo de produção,
acompanhamento (tutoria, assessoria etc.), avaliação e administração
de cursos a distância.
Capítulo 4 . Análise Prospectiva
Escolas digitais: Uma Evolução da Tecnologia
educacional e da Educação à Distância
É clara a tendência não só para o uso
de novos instrumentos didáticos, por absorção cada vez mais
acelerada de novas tecnologias, como uma "abertura"
maior para o conceito da educação. Pode-se perceber, nas últimas
décadas, uma pedagogia mais diversificada conforme seus fins
e mais utilizadora de recursos das tecnologias comunicativas.
Os novos tempos exigem flexibilidade
no aprendizado, inclusive para que se possa perseguir o objetivo
de elevar a qualidade da educação. A transição para uma Sociedade
do Conhecimento e da Informação já está em curso no mundo
inteiro. Não se trata de um processo homogêneo, dadas as diferenças
culturais e sociais que existem e devem presidir as prioridades
das decisões de políticas públicas na educação.
Ainda mais no caso brasileiro onde as
profundas desigualdades de acesso à educação requerem uma
abordagem muito específica, já que se precisa, ao mesmo tempo,
superar o analfabetismo funcional e promover a inclusão digital
de todos os cidadãos.
Esta não é uma questão apenas de tecnologia.
Trata-se de uma questão óbvia de eqüidade e, principalmente,
uma saída para o avanço do processo de democratização do País
e um campo de prioridades para o exercício da cidadania.
Além das características enumeradas anteriormente,
selecionadas entra várias outras também presentes em importantes
estudos sobre a matéria, podemos considerar, com destaque,
uma tendência crescente, que tem se verificado nos últimos
cinco anos: a aproximação do ensino tradicional da aprendizagem
a distância, incorporando no primeiro muitas características
que existe na segunda, notadamente quando se observa os programas
de absorção de novas tecnologias no ensino. Mas isso também
está presente nos textos didáticos, nos métodos de ensino
individualizado, na centralidade na aprendizagem etc.
De toda sorte, mesmo que apresentem características
que os separam, a convergência entre os dois sistemas é muito
saudável para o aluno, desde que o credenciamento social das
escolas se dê em igualdade de condições, sem discriminação.
Mas, para o caso da educação a distância,
além das aplicações mais constantes dessa modalidade de ensino
- cursos universitários de graduação e pós-graduação - há
uma série de campos que merecem atenção especial.
Uma abordagem da educação a serviço da
cidadania
É importante enumerar, mesmo que ligeiramente,
alguns campos onde a educação a distância pode ser utilizada
dentro de um programa amplo de prestação de um serviço que
a cidadania está a exigir e que o novo impulso das telecomunicações
nacionais pode garantir:
Democratização do saber e educação por
toda a vida passo fundamental nesse sentido é dado pela educação
formal, na medida em que possa conseguir garantir mínimas
condições de acesso à cultura a milhões de cidadãos, principalmente
através da universalização do ensino básico (meta constitucional
a ser atingida - Constituição Federal, art. 214). Contudo,
isto não basta. Em um mundo que vive sob a égide das transformações
e mudanças, o acesso às informações sistematizadas e às formas
de capacitação para a tomada de decisões independentes e autônomas,
requisita ações que vão além das fronteiras da educação formal.
No campo da educação nãoformal e informal, a educação a distância
pode desempenhar papéis múltiplos, que vão desde a atualização
de conhecimentos específicos, educação permanente, até a formação
profissional. Além disso, por meio de procedimentos adequados
e sistematizados, pode a educação a distância contribuir sobremaneira
para que o acúmulo de informações assistemáticas jogadas ao
público através da mídia sejam processadas de forma organizada,
contribuindo para o fortalecimento de uma mentalidade crítica
e criativa, rompendo a barreira da passividade muitas vezes
provocada por processos manipuladores de opinião pública.
Mais que substituta da educação presencial
a educação a distância, no Brasil, pode ser utilizada como
forma complementar de educação, atualizando conceitos e conhecimentos,
auxiliando a permanente tomada de consciência dos profissionais
sobre os avanços promovidos em suas áreas específicas e, principalmente,
gerando processos continuados de acesso ao conhecimento acumulado
pela humanidade à milhões de cidadãos.
A introdução de programas educacionais
mais flexíveis, de qualidade e bastante diversificados, no
que diz respeito a campos de abrangência e temáticas, pode
ser um passo importante para a introdução da educação aberta
e da educação para toda a vida.
Formação e capacitação profissional
em que pese a polêmica, sadia por sinal, sobre o papel da
profissionalização no processo de educação formal, não há
dúvida quanto à eficácia e pertinência de projetos de educação
a distância neste campo fundamental da existência social,
notadamente se observarmos os exemplos internacionais. Foi
justamente por este caminho que a educação a distância começou
a trilhar seu desenvolvimento, ainda nos cursos por correspondência.
Tanto no campo da formação profissional básica quanto em níveis
universitários, a educação a distância tem demonstrado ser
uma modalidade com grandes potencialidades, ainda mais por
ser um meio de educação de massa que pode ser desenvolvido
com padrões de qualidade superiores mesmo quando se acrescenta
contingentes significativos de alunos.
Do ponto de vista tecnológico, a presença
da informática nos processos de capacitação tem gerado grandes
avanços nos procedimentos de treinamento a distância ou treinamento
independente com ajuda do computador. Caso notório são os
procedimentos adotados pelas grandes companhias aéreas e setores
das Forças Armadas, com a utilização de simuladores (de vôo,
de combate, etc.) altamente sofisticados e bancos de dados
interativos, que utilizam sistemas de inteligência artificial.
Com níveis de sofisticação tecnológica
mais simples e barata, é cada vez maior o número de empresas
que descobrem as vantagens do treinamento a distância para
a capacitação e atualização de seus funcionários, não somente
por conta da redução dos custos, mas principalmente pela possibilidade
de envolver um grande número de pessoas ao mesmo tempo e em
regiões distantes.
No caso de instituições especializadas
no treinamento de pessoal é importante observar que a modalidade
de educação a distância não somente pode introduzir ganhos
de eficiência e eficácia, como também reduzir custos relativos,
quando se tratar de processos de treinamento de contingentes
numerosos de alunos e, também, elevar a qualidade, através
de processos de definição de conteúdos elaborados por equipes
multidisciplinares altamente qualificadas a custo relativo
baixo. A educação a distância, como modalidade complementar
da presencial pode auxiliar na introdução de novos instrumentos
tecnológicos para o acompanhamento dos alunos em sua ação
prática, em serviço. Seus materiais instrucionais poderão
igualmente ser de grande utilidade na educação presencial.
Temos como exemplo em outras situações o caso da Universidade
Nacional Autônoma de Honduras, onde o setor de educação a
distância nutre toda aquela Universidade de materiais para
os cursos presenciais.
A dinâmica própria das transformações
tecnológicas atuais, que devem ser incorporadas rapidamente
pelas empresas produtivas e do setor serviços, bem como a
sofisticação e o requerimento de agilidade no trato de informações,
como também a necessária qualificação para o trato de um mercado
consumidor mais exigente, fará com que grandes empresas e
conglomerados sejam forçados a adotar procedimentos de formação,
qualificação e capacitação de pessoal, que atendam a requisitos
de celeridade e custo, que somente a educação a distância
poderá realizar.
No que diz respeito aos serviços públicos,
já se observa a necessidade de formação e atualização profissional
de servidores em quantidade e com características de dispersão
geográfica que irão exigir a implantação de sistemas adaptados
de educação a distância que atendam aos reclamos da população
por melhores e mais ágeis serviços públicos de qualidade.
A introdução cada vez maior de elementos
tecnológicos e científicos nos mais variados campos da ação
humana, incluindo-se o serviço público, exige a atualização
de procedimentos de trabalho em velocidade que o ensino formal
não consegue acompanhar. Esse também é um diferencial de tempo
em que a modalidade de educação a distância se destaca. Aqui
custo e tempo lhe dão preferência, caso haja capacidade para
a produção de materiais de elevada qualidade didática.
Ademais, a veloz transformação tecnológica
que a microinformática está processando, como o aparecimento
de equipamentos mais rápidos, com maior confiabilidade e capacidade
de processamento, aliado ao fato de estarem sendo colocadas
à disposição do público linguagens interativas, fará do microcomputador
um instrumento indispensável à formação e capacitação de pessoal,
utilizando processos de multimídia, com a interação de bancos
de dados muito poderosos, capazes de fornecer aos educadores
instrumentos eficientes e céleres de comunicação de duplavia
com os alunos, e proporcionando maior liberdade no manuseio
de materiais autoinstrucionais amigáveis e fáceis de usar.
O desenvolvimento, no Brasil, de modernos
meios de comunicação de dados, a partir dos investimentos
que vinham sendo feitos pelo setor público no antigo Sistema
TELEBRÁS, pela EMBRATEL e, agora, pelas companhias privadas
que estão adquirindo concessões públicas no setor, criará
as bases tecnológicas para que organizações governamentais
e não governamentais possam organizar, em conjunto com as
empresas privadas, a formação de bancos de dados de utilização
múltipla que sirvam de suporte a projetos que objetivem a
redução dos custos de preparação de materiais instrucionais
e educativos.
Com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador,
está sendo promovido um programa de capacitação de centenas
de milhares de cidadãos, em todas as áreas e setores, quer
com o objetivo de criar condições para que esses cidadãos
ingressem no mercado de trabalho com melhores condições de
competitividade, quer para ajudar o trabalhador a manter o
seu emprego.
Apesar do volume de recursos e da extensão
das metas de capacitação, a educação a distância não tem sido
muito utilizada nesse programa como estratégia de formação
massiva. Uma explicação: falta de produtores, inexistência
de materiais didáticos (com exceção dos cursos de informática),
falta conhecimento do potencial e efetividade da educação
a distância. A Universidade Federal de Santa Catarina foi
uma exceção, desenvolveu com recursos dessa fonte um programa
de capacitação de professores na temática da tecnologia educacional
e educação a distância, produzindo textos impressos, um CD-ROM
ensinando a usar a Internet e organizou conferências e debates
via satélite para todo o estado.
É importante observar que a educação
a distância não é necessariamente sinônimo de sofisticação
tecnológica. Ela pode ser desenvolvida a partir de meios econômicos
e populares. De fato, as modernas tecnologias somente passam
a ser instrumento adequado da educação a distância quando
ganham dimensão econômica de massa. Custo baixo e facilidade
de uso e de acesso são elementos importantes na análise e
escolha dos meios em programas educação a distância. No caso
da informática e da telemática, a indústria de equipamentos
e de softwares tem caminhado no sentido de baratear significativamente
os equipamentos e facilitar enormemente o uso de programas
e aplicativos.
Capacitação e atualização de professores
apesar de se inscrever no item acima merece destaque, no
caso brasileiro, essa questão, dadas as características de
nossos quadros de professores, notadamente aqueles responsáveis
pela educação de crianças e jovens que se encontram em nossas
escolas tentando concluir o ensino básico. Contudo, é importante
salientar, que não bastam programas esporádicos de formação
de professores para que o problema da capacitação para o magistério
seja minimizado. Há necessidade de promoverse ações integradas
e permanentes, envolvendo as capacidades locais e as instituições
sociais.
Educação aberta e continuada - por meio
da educação a distância é possível promover a proliferação
de experiências de grande alcance social, para a formação
cultural da nacionalidade, dando acesso à educação a grandes
contingentes afastados das instituições formais de ensino,
ou que têm dificuldade de acesso a elas. Cursos sobre saúde,
ecologia, tecnologia e artes podem ser veículos muito importantes
para a integração social de grandes parcelas da população,
principalmente se forem respeitadas as formas comunitárias
de organização social e as instituições da sociedade civil.
A educação a distância poderia estar
sendo muito bem desenvolvida no Brasil em regimes de cooperação
entre o Estado e a sociedade, para a disseminação de conhecimentos
básicos e operativos, para a prevenção da AIDS, para o conhecimento
de técnicas e métodos de higiene e saneamento comunitário,
organização espacial urbana, capacitação massiva para a formação
de empresas autogestionárias, entre outros.
Educação para a cidadania um conjunto
significativo de ações educativas podem ser levadas a termo
com a educação a distância, transformando processos cívicos
obrigatórios por lei em processos realmente participativos
e conscientes. Temas fundamentais da existência contemporânea
de nossa sociedade podem, e devem, ser tratados de forma sistemática
através de cursos, ou meios educativos sistemáticos, capazes
de elevar o nível de participação responsável da sociedade
no processo de construção da nacionalidade. A integração das
organizações da sociedade civil com os movimentos populares
certamente produzirá frutos fundamentais, apoiados por procedimentos
educativos a distância.
Nesse caso inscrevemse os cursos dirigidos
à segmentos definidos da sociedade, que carecem muito de informação
e de formação, para atuarem concretamente na sociedade, como
cursos de formação sindical, cursos de cidadania, cursos de
prevenção de doenças, organização comunitária, organização
social, formação política etc.
Capítulo 5 – As Tecnologias da Informação
e de Comunicações e a Educação
As novas tecnologias da informação e
de comunicações, em suas aplicações educativas, podem gerar
condições para um aprendizado mais interativo, através de
caminhos não lineares, em que o estudante determina seu ritmo,
sua velocidade, seus percursos. Bibliotecas, laboratórios
de pesquisas e equipamentos sofisticados podem ser acessados
por qualquer usuário que disponha de um computador conectado
por linha telefônica a uma central distribuidora de serviços.
A grande vantagem do armazenamento digital
das informações decorre da facilidade com que o usuário pode
interagir ativamente com as informações.
Pierre Lévy propõe esquema abaixo para
explicar o processo de composição de novas formas de comunicação
neste limiar do século XXI.
A Circulação das Interfaces no Começo
do Terceiro Milênio
O que esse gráfico mostra é que o centro
do processo de comunicação (onde a educação está também presente)
são as redes digitais de alta velocidade e de baixo custo,
operadas e operando computadores de alto desempenho, pelos
quais trafegará texto, voz, imagens, sons, dados etc. Mas
não é só o tráfego, são os cálculos, os bancos de dados, a
potência da inteligência e das informações.
Essa miscigenação de recursos e meios,
no entender dele, já está criando a possibilidade de tratarmos
o processo educativo como algo diferente do convencional,
criando comunidades realmente ligadas a interesses de informação
e desenvolvimento do conhecimento.
É bem provável, tendo em vista a velocidade
de crescimento das redes instaladas, o avanço exponencial
da tecnologia da informática, possa ser ultrapassada a previsão
da União Internacional de Telecomunicações (UIT), que durante
o Telecom Interactive (realizado em Genebra em setembro de
1997) informou estimar o crescimento de 38% no uso da Internet
até o ano 2001, conforme tabela abaixo:
CRESCIMENTO DAS REDES
Categorias
Base Instalada
Base Instalada
Previsões de base instalada
Taxa de crescimento anual composto
Taxa de crescimento anual composto
1991*
1996*
2201*
1991-1996
1996-2001
Linhas telefônicas principais
545
741,1
1000
6,3%
6,2%
Celulares
16,3
135
400
52,76%
24,3%
Computadores pessoais
123
245
450
14,8%
12,9%
Hosts Internet
0,7
16,1
110
85,8%
46,8%
Usuários Internet Estimados
4,5
60
300
67,9%
38%
RELAÇÕES
Usuários Internet para cada Host
6,2
3,7
3
-9,6%
-4,2%
CENTROS INTERNET POR
100 linhas telefônicas
0,1
2,2
11
74,7%
38,2%
USUÁRIOS INTERNET POR
100 linhas telefônicas
0,8
8,1
30
57,9%
29,9%
Centros Internet para cada 100 PCs
0,6
6,6
24,4
61,8%
30%
Usuários Internet para cada 100 PCs
3,7
24,5
66,7
46,3%
22,2%
em milhões
Fonte: UIT-1997
Esse crescimento, mesmo que não se
reflita nas instalações residenciais, especialmente em países
pobres como o Brasil, certamente será significativo e poderá
causar grandes impactos nas corporações e até mesmo nas
pequenas empresas e escolas.
E, o interessante disso tudo, é que
não existe mais a barreira do aprendizado prévio ou do domínio
do instrumento, como acontecia com a televisão e o rádio.
No caso daquelas tecnologias, se o
professor (ou o conjunto de professores) quisesse não se
afetar com a introdução das novas tecnologias, ele podia
fazê-lo, haja vista que os seus colegas que desejassem ter
acesso a essa tecnologia não iriam fazê-lo com facilidade.
Normalmente esses colegas não estabeleceriam nenhum nível
de competição interna e, em geral, tinham que sair da escola
ou da repartição, indo para um centro de audiovisual ou
uma televisão para poder trabalhar ou vivenciar a tecnologia.
Com a informática se desenvolvendo
em direção ao usuário, saindo dos centros de processamento
de dados, essa situação se modificou completamente. Por
isso, agora quando se abre a possibilidade de expandir a
disseminação de meios de comunicação através de uma mesma
rede virtual, a internet, reunindo várias formas de comunicação,
informação e disseminação de conhecimentos em instrumentos
e ferramentas fáceis de operar, os que se recusarem a aceitar
as novas tecnologias estarão se fragilizando imediatamente,
pois a concorrência do colega será imediata. Mesmo que não
seja do colega professor, pode ser até mesmo do colega aluno,
que lhe exigirá um comportamento e conhecimentos diferentes
daquele que lhe moldaram a função de mestre.
Contudo, o importante não está nisto.
O mais interessante desse processo é a possibilidade concreta,
real e inevitável de se trabalhar em grupo, criando e desenvolvendo
cursos, debatendo, avaliando e revisando projetos em coletividade.
Capítulo 6 . Tecnologias: da comunicação
ao conhecimento
A seleção dos meios de comunicação em
um programa de educação a distância não é tarefa simples,
ou pelo menos deveria ser uma escolha feita a partir de critérios
que envolvessem especialmente aspectos pedagógicos e estratégicos
à aprendizagem.
Em geral, os meios de comunicação utilizados
são escolhidos a partir de critérios de custos, disponibilidade
interna, domínio de meios ou outros motivos menos complexos.
Cada projeto educacional pode requerer
o meio ou articulação de meios de comunicação mais apropriados
para o desenvolvimento de seus objetivos. Mas, nem sempre
é possível ter acesso aos meios mais apropriados. Isso não
significa que não se deva conhecê-los todos, nem tampouco
que não se deva considerá-los na análise de nosso projeto
específico de educação a distância.
Provavelmente o caminho mais adequado
é a construção do projeto pedagógico incluindo, desde o início,
os meios tecnológicos que forem definidos como os necessários
à realização dos objetivos do programa. Depois, em função
das limitações institucionais, econômicas, culturais, técnicas
e políticas, é que se faz a adequação do projeto do ponto
de vista tecnológico.
Esse processo, de construção do projeto,
incorporando as tecnologias informativas existentes e depois
deputando-as em função da realidade específica é interessante,
principalmente porque manterá sempre certa atenção aos meios
de comunicação existentes e que estão em processo de evolução
permanente. O movimento seguinte, o da adequação e depuração
dos meios, tem outro mérito, o de fazer com que a discussão
sobre os mecanismos internos, pedagógicos e de inteligência
educacional, sejam repensados constantemente com a utilização
de linguagens e meios tecnológicos diferentes, em geral mais
simples, daqueles que apareceram no primeiro momento do projeto
do curso. Isto é, um projeto que requereria teleconferência
ou maior nível de interatividade, ao se feito somente por
meio impresso pode orientar não somente a forma e a linguagem
de apresentação, como determinar a quantidade de suporte e
assistência e a maneira em que se comportará a tutoria.
Novamente, o que se está propondo, com
esse aparente vai-e-vem, não é uma tarefa burocrática, entendida
como aquela que complica em vez de simplificar, é um exercício
de inteligência, sensibilidade e de apuração do projeto. Isso
pode proporcionar que se incorpore ao meio mais simples a
lógica operativa que se imaginava ter também no meio mais
sofisticado. Um bom exemplo é o texto impresso: se o projeto
assinala como importante o estabelecimento de determinada
forma de empatia e proximidade entre o professor e o aluno,
e por isso (somando-se outros fatores) se opta pela utilização
do vídeo ou da teleconferência, no primeiro momento, mas logo
em seguida se observa restrições de ordem financeira e tecnológica
e se descobre que o meio mais adequado é o texto impresso,
aquela escolha anterior, por exemplo, de uma conversação guiada
em estilo coloquial, pode ser reproduzida no texto com a introdução
de um outro estilo de linguagem ou forma de tratamento das
questões, incorporação de exercícios que provoquem maior estímulo
à reunião de grupos e reflexões e diálogos que possam ser
apresentadas por meio de troca de cartas, telefonemas ou encontros.
Capítulo 7. Escolha de Meios na Educação
a Distância
Nas décadas de 70 e 80 um dos temas mais
abordados na área de educação a distância foi justamente a
escolha de recursos e meios de comunicação. Provavelmente
isso passou a ocorrer em vista de crescentes facilidades de
utilização de recursos comunicativos antes inexistentes, dispendiosos
ou de difícil acesso. Mesmo com a existência, há muito, do
rádio, não se impunha muita dificuldade aos educadores a escolha
de meios antes dos anos sessenta. O meio de educação a distância
por excelência, até essa época, era o material impresso, os
demais eram sempre vistos como formas subsidiárias e, em alguns
casos, complementares (apesar de existirem grandes experiências
de cursos por rádio antes desse período).
Mesmo que o texto impresso tenha continuado
como o meio central de qualquer programa de educação a distância,
a partir de então, por vários motivos, começou-se a pensar
na possibilidade de articular vários meios de comunicação
na direção de objetivos educacionais comuns.
Essa idéia de articulação de meios, apesar
de nascer nesse período, não foi implantada senão em alguns
poucos casos, o texto impresso continuou como a base de grande
parte dos programas de educação a distância, mas foi perdendo
status para a televisão e os chamados recursos audiovisuais.
Principalmente durante a década de 70,
a televisão foi considerada como a forma redentora dos programas
de massificação do ensino.
Ao mesmo tempo em que a televisão ia
ganhando espaço nas políticas públicas de educação, com a
criação de universidades do ar, televisões educativas, satélites
educativos etc., o texto impresso também se desenvolvia, com
a introdução de novas tecnologias de impressão e a disseminação
da informática também para a editoração. As cores, as formas
e novas abordagens de instrução programadas davam ao texto
impresso outra feição.
O rádio passou a ser quase sinônimo de
recurso educativo para países atrasados ou muito pobres. Em
um mundo dividido em classes, dizer que uma coisa só serve
para os mais pobres, para os marginalizados, é destrui-la
de fato.
Em verdade, o recurso radiofônico tem
uma potência comparável a televisão, mas foi literalmente
afastado das opções dos formuladores e projetistas de cursos,
em seu lugar vieram os "kits" com fitas cassetes
e os laboratórios audiovisuais (famosos nos cursos de línguas).
O interessante é que a tecnologia mais
sofisticada de todas essas, pelo menos assim é considerada
hoje, a informática, está ajudando a reabilitar o rádio e,
também, a televisão, que acabou por fracassar no final dos
anos setenta e início de oitenta. Desejava-se que ela operasse
milagres, ela não fez isso.
7.1. Materiais Impressos e os Correios
Com a invenção da escrita o mundo mudou
radicalmente. Passou a ter uma memória diferente, capaz de
voltar aos fatos e analisá-los independentemente do interesse
do narrador de plantão.
"A escrita permite uma
situação prática de comunicação radicalmente nova.
Pela primeira vez os discursos podem ser separados
das circunstâncias particulares em que foram produzidos.
Os hipertextos do autor e do leitor podem portanto
ser tão diferentes quanto possíveis. A comunicação
puramente escrita elimina a mediação humana no
contexto que adaptava ou traduzia as mensagens
vindas de um outro tempo ou lugar. Por exemplo,
nas sociedades orais primárias, o contador adaptava
sua narrativa às circunstâncias de sua enunciação,
bem como aos interesses e conhecimentos de sua
audiência. Da mesma forma, o mensageiro formula
o pensamento daquele que o enviara de acordo com
o humor e a disposição particulares de seu destinatário.
A transmissão oral era sempre, simultaneamente,
uma tradução, uma adaptação e uma traição"(Pierre
Lévy) .
O texto impresso pode ser construído
de modo linear, com hierarquia de assuntos, indo de um tema
a outro, sempre. Mas pode ser desenvolvido, também, como um
texto multidimensional, mais flexível, já na perspectiva do
hipertexto.
Cursos técnicos ou de algumas áreas de
ciências exatas tendem a ter materiais elaborados de forma
hierárquica, primeiro o aluno deve conhecer determinado assunto,
dominar certas habilidades, fazer alguns exercícios práticos
e adquirir uma competência específica, depois o passo seguinte,
assim por diante.
Já cursos nas áreas de ciências humanas
e os estágios superiores de cursos técnicos, onde os alunos
se defrontam com um ambiente não tão exato assim e, principalmente,
se incorporam a cursos que têm como um de seus objetivos ajudar
o aluno a aprender a pensar, tomar decisões, analisar alternativas,
esses cursos não podem ou não deveriam ser organizados de
forma estruturada, hierárquica e por demais guiada.
O texto impresso facilita a apresentação
de cursos hierárquicos e lineares, haja vista a própria materialidade
do texto apresentado como livro, caderno ou mesmo módulos
seqüenciais.
O texto em meio digital, na Internet,
em CD-Rom, ou outra forma similar, já consegue ter maior facilidade
de se transformar em hipertexto, aumentando a liberdade da
caminhada do aluno, que pode ir e vir de várias formas possíveis,
construindo alternativas de leituras diversas.
Além do texto, linear ou não, coloquial
ou técnico, o material impresso pode ser desenvolvido incorporando
todo tipo de linguagem. Isso pode ser um instrumento importante
para se aproximar de determinados símbolos e traços de cultura
para melhor atingir os objetivos educacionais. Podemos imaginar
cartilhas populares, fotonovelas, cordel, e várias outras
formas e linguagens.
7.2. Rádio e Telégrafo (sem fios e sem
estradas)
O rádio foi a primeira experiência de
tornar instantânea, ou quase, a comunicação entre pessoas
e comunidades distantes. Poderia ser simplesmente um meio
de entrega de conteúdos de um curso, na forma de um diálogo,
um debate, uma radionovela ou forma similar. Como também podia
ser feito simulando a participação dos alunos, com entrevistas,
perguntas ao vivo etc.
Essa possibilidade da instantaneidade
conferiu ao rádio uma condição superior aos demais meios.
Junto com ele também se pensou que o telégrafo poderia ser
uma alternativa para aproximar o aluno do professor, especialmente
quando se tratasse de responder provas e mandar as correções.
Cedo demais, queria se fazer com o telégrafo o que hoje se
faz com o fax e com o correio eletrônico. Não foi possível
atender aos desejos dos que viam nesse meio uma nova forma
de comunicação imediata.
O telégrafo não vingou. Passou a ser
simples forma de comunicação de pequenas mensagens, lembretes
etc. Mas o rádio se desenvolveu e ganhou o mundo da educação.
Através do rádio se desenvolveu e organizou importantes programas
de alfabetização, de ensino regular e técnico e de suporte
a outros meios e recursos.
Como não se conseguiu ou não houve mais
interesse em fazer com que a forma e os conteúdos dos cursos
levados através do rádio evoluíssem como as demais linguagens,
alguns horários, no Brasil, destinados à educação (depois
da Voz do Brasil, por exemplo) fossem se transformando em
um estorvo.
Mas, é possível pensar-se em cursos e
programas educativos através do rádio que sejam atuais, modernos,
dinâmicos e, até, sofisticados, tanto em áreas bem pobres,
como em grandes cidades (lembre-se dos congestionamentos de
São Paulo, Rio de Janeiro e outras cidades) ou para públicos
que exercem atividades repetitivas e manuais.
Se houver uma preocupação maior em utilizar
os recursos disponíveis para transformar a educação em uma
mania nacional, certamente o rádio será redescoberto como
meio eficaz e dinâmico.
O texto impresso é, provavelmente, antes
da Internet e dos meios digitais, o único que se basta. Por
meio dele se pode simular todas as situações de aprendizagem.
Já o rádio e a televisão podem, na maioria das situações,
requisitar o suporte de outros meios. Talvez isso tenha ajudado
a destacar o enfoque multimeios, que hoje domina a visão da
educação a distância.
A combinação do rádio com o material
impresso foi a forma mais adequada que se encontrou para o
desenvolvimento de cursos radiofônicos a distância.
Você pode imaginar, em sua região, várias
situações efetivas de atendimento, através dessa combinação
rádio/texto, a populações e grupos que não estão sendo atendidos
pelos sistemas tradicionais de ensino. Faça uma pausa e pense
um pouco nisso. Que tal uma radionovela para ajudar os operários
a discutirem a saúde e segurança do trabalho ou um debate
para auxiliar no entendimento de determinados procedimentos
de higiene?
7.3. Televisão, o primeiro passo da telepresença
A partir de meados da década de sessenta,
a televisão passou a figurar como o veículo e a linguagem
mais atrativa para a educação de massas. Na China, no Japão,
na Inglaterra, foi eleita como a forma educativa que iria
revolucionar a educação popular.
Iniciava-se uma onda que se espalharia
por todos os continentes.
Ainda estávamos no auge da tecnologia
educacional, da instrução programada, das máquinas de ensinar,
da vulgarização de formulações teóricas relacionadas ao comportamento
humano e ao pensamento, transformando-as em instrumentos de
massificação instrucional.
Apesar de todas as limitações, que hoje
se imagina que caracterizaram esse processo, houve, a partir
de então, um vertiginoso crescimento do universo temático
da educação nos meios de comunicação e, com a criação das
televisões educativas, programas de grande impacto social
foram levados a cabo em vários países.
A própria Open University (Britânica)
foi concebida nesse processo, chamava-se, inicialmente (ainda
no projeto) Universidade do Ar.
Ao longo dos anos, foi perdendo força
a idéia inicial, haja vista que se percebeu que a dominância
do enfoque centrado na televisão não estava surtindo o efeito
esperado.
Pesquisas e investigações científicas
começaram a impulsionar outros encaminhamentos, hoje predomina
o enfoque multimeios, que preconiza a articulação de meios,
a partir da mescla de potencialidades e características próprias
de cada meio.
7.4. Tecnologias da Educação (a febre
dos laboratórios): a ênfase no ensino
Ao mesmo tempo em que se reduzia o espaço
da televisão, começava outra onda, ainda não centrada na educação
a distância, mas a ela se fazia sempre referência: a introdução
da informática na escola.
Os primeiros movimentos nesse sentido
foram dados nos primórdios da década de oitenta (no Brasil
um pouco depois). Imaginava-se que os microcomputadores seriam
as verdadeiras máquinas de ensinar e todos deveriam conhecer
informática, pois isso seria o futuro.
No Brasil se espalharam laboratórios
de informática, para ensinar computação para os jovens. Uma
febre que durou pouco, mas consumiu muitos recursos.
Durou tão pouco que não atingiu a educação
a distância. Estávamos, ainda, no nascimento da microinformática
(pelo menos no que se refere a acesso de massa aos equipamentos).
Contudo, os primeiros passos da informática
e da telemática, no final da década de setenta e início dos
anos oitenta, foi influenciar a educação a distância pelo
lado da organização de sistemas universitários de larga escala
e na implantação de modelos de sistemas para o planejamento
de cursos.
7.5. Informática e Telemática, o início
da convergência de meios
Mantyla e Gividen afirmam que são comuns
dois erros nos estágios de planejamento de programas de educação
a distância: primeiro, tentar escolher somente uma única tecnologia
para todas as situações e necessidades de cursos; segundo,
selecionar tecnologias antes de identificar as necessidades
e requerimentos educacionais.
Esse ponto de vista, dominante hoje em
dia, leva o nome de enfoque multimeios e passou a ser factível
a partir do final dos anos oitenta, com a aceleração do desenvolvimento
de ferramentas computacionais de baixo custo e alto desempenho,
aliado ao desenvolvimento de soluções tecnológicas que possibilitaram
uma imediata integração entre telecomunicações e informática,
formando o que hoje conhecemos como telemática.
Esse desenvolvimento da informática deu
novo alento a uma série de outros meios. Ficou mais fácil
produzir materiais impressos de qualidade e com custos decrescentes
(maio número de organizações podiam pensar em produzir bons
materiais), assim como ficou mais acessível a produção e edição
de vídeos.
Porém, a mudança de paradigma começa
a se processar quando se observa que esse novo estágio de
desenvolvimento da informática poderia transformar efetivamente
o planeta em uma comunidade de comunicação (e porque não de
educação).
A organização da Internet foi a grande
novidade. Em poucos anos milhões de computadores se interligaram,
trocando mensagens (bilhões por dia), organizando cursos,
produzindo, de forma colaborativa, programas, cursos e materiais
…
A nova onda da telemática não indica
ser um modismo passageiro, ao contrário, está apontando no
sentido de um tipo de evolução que potencializará suas tendências
atuais: integração dos vários meios de comunicação, possibilidade
de um processo de construção do saber totalmente não hierarquizado,
acesso universal a bibliotecas e grandes bancos de dados,
possibilidade democrática de publicação.
Um dos problemas que geralmente se observa
na introdução de novas tecnologia em educação é que se procura
adaptar a nova tecnologia à velhas práticas (e velhas tecnologias),
exigindo que isso dê certo em qualquer condição.
No caso da utilização da Internet para
a educação (articulada com materiais impressos, programas
radiofônicos e outros meios), vê-se um grande esforço da maioria
dos projetos de cursos e dos softwares em produção para se
transpor para a rede mundial a tradicional sala de aula, sua
disposição, sua cultura, sua hierarquia, seu ritmo ...
O desafio que ainda não foi devidamente
colocado para os desenvolvedores de soluções tecnológicas
é a superação da sala de aula (em sua forma atual) e a criação
de novas alternativas de organização de comunidades de aprendizagem
ou comunidades de auto-fomento intelectual.
Hoje a tendência de expansão das redes
telemáticas se confirma no desenvolvimento de novas formas
de trabalho, novos meios de organização da produção no setor
serviços e, no nosso caso, de novas formas de educação (veja
o quadro abaixo).
7.6. Possibilidade de Uso de Redes Telemáticas
e Informática Colaborativa
Função
Uso em sala de aula
Organização de salas de aula
Estratégia de ensino
Fontes de informação
Fluxo de informação
Tele-acesso
Acesso e recuperação de informações de fontes remotas
Sala de aula única
Convencional com a facilitação para o uso de recursos
on line
Professor, recursos on line e livros-textos
Unidirecional para o aluno
Publicação virtual
Acesso on line ao material publicado
Sala de aula única
Parte convencional e parte servindo como editor dentro
da sala de aula
Professor e textos baseados em recursos on line
A partir da sala de aula
Tele-presença
Acesso à eventos "ao vivo"
Sala de aula única
Convencional junto com a orientação e monitoração de
alunos
Recursos on line suplementado por livros-textos e pelo
professor
Da fonte para a sala de aula, com elementos de interatividade
Tele-consulta
Consulta on line a especialistas
Sala de aula única
Convencional junto com a facilitação da interatividade
entre alunos e especialistas
Professor e livros-textos acrescidos por especialistas
on line
Interatividade bidirecional entre alunos e especialistas
Tele-participação
Participação em salas de aula distintas
Grupos de salas de aula trabalhando com tarefas participativas
Facilitação para o trabalho cooperativo a distância
Membros da comunidade e recursos on line com suporte
do professor e suplementado por livros-textos
Informação flui da sala de aula e também para ela
Tele-colaboração
Colaboração entre salas de aula
Salas de aula unidas para a prática conjunta de atividades
Construção colaborativa do conhecimento
Membros da comunidade e recursos on line com suporte
do professor e suplementado por livros-textos
Informação flui da sala de aula e também para ela
Capítulo 8. O Apoio ao Estudante é a
Parte mais Importante do Sucesso
Apresentando os fatores de sucesso de
algumas universidades a distância, John Daniel afirma que
a Universidade Aberta da Inglaterra e a Sukhothai Thammathirat
Open University, da Tailândia, conquistaram uma boa reputação
dentro dos sistemas universitários aos quais pertencem pelo
trabalho de qualidade que têm apresentado. Ele enumera como
elementos comuns de qualidade e sucesso dessas universidades:
bons materiais de curso; redes de apoio e de tutoria nas regiões;
rica mistura de meios de comunicação; significativas taxas
de graduação de seus estudantes (formandos); número apropriado
de professores, pesquisadores e técnicos; vibrante atividade
de pesquisa e o estabelecimento de um bom senso de comunidade
acadêmica.
Vários desses aspectos já fora, vistos
nos tópicos anteriores, agora é importante passar em revista
ao tema da tutoria, um dos mais importantes aspectos de programas
de educação a dist6ancia, como também de educação permanente.
Na maioria das situações educativas,
especialmente nos cursos formais e regulares, o estabelecimento
de algum sistema de apoio, acompanhamento e avaliação da aprendizagem
é recomendável.
E, nessas situações, uma das mais fortes
tendências daqueles que têm pouca experiência com a educação
a distância é ver esse segmento de suporte e tutoria como
uma função do professor que domina o tema ou os conteúdos,
pois assim poderá ensinar o aluno, quando este apresentar
alguma dificuldade.
Além de representar uma visão um pouco
ultrapassada da figura do professor, esse tipo de abordagem
pode provocar algumas dificuldades ao processo de desenvolvimento
dos cursos a distância. Problemas de toda ordem, tanto metodológicos
e pedagógicos, quanto organizacionais e de custo. Contudo,
há várias situações ainda em que esse tipo de abordagem, que
vê o aluno como um sujeito capaz de participar do processo
de elaboração e desenvolvimento de seu próprio processo de
aprendizado, não é aplicada. Nesses casos, o sistema de tutoria
replica as funções tradicionais do professor em sala de aula.
Porém, temos observado que tanto nas
escolas tradicionais, quanto nas organizações de educação
a distância, o papel do professor tem se alterado um pouco
e, muito provavelmente, nas próximas décadas, vai mudar ainda
mais.
Vamos trilhar um caminho um pouco diferente
para analisar o papel da tutoria em uma entidade de educação
a distância, vejamos primeiro o professor, depois o sistema
ou rede de tutoria e acompanhamento.
8.1. O papel do professor
Com a educação a distância ou mesmo na
educação tradicional, há muito o mestre todo-poderoso deixou
de existir. Não é obra da educação a distância essa mudança
do papel e do status do professor na sociedade. É fruto de
um processo histórico, que se traduziu na massificação do
ensino, com o conseqüente aumento das oportunidades de acesso;
com a maior diversificação da sociedade e a ampliação da complexidade
das relações sociais. Mas, mesmo sabendo que se trata de um
processo social, que está presente em todos os países, existe
ainda quem acredite poder voltar a roda da história e os professores
retomarem o seu papel na sociedade.
Hoje temos um mundo diferente. Se ainda
não conseguiu resolver os problemas da fome e da miséria,
tornou-se um mundo bem pequeno. A informação navega à velocidade
da luz e está presente em todos os lares. Qualquer que seja
ela. Informação na forma de cenas de uma guerra eletrônica,
na forma de cenas de banalização do sexo, como também no corpo
de programas educacionais, científicos e de massificação do
conhecimento.
Especialmente para as crianças, que dominam
com muita facilidade as linguagens da comunicação eletrônica,
principalmente dos grandes centros urbanos, a informação não
tem segredo. Falta-lhes, contudo, organizar esse mar de informação,
de conteúdo variado e de valoração inexata ou contraditória.
Isto é, falta-lhes o sentido das coisas, que nem sempre a
informação traz de per si.
A escola que tem por missão informar,
não vai mais existir, essa já acabou, foi ultrapassada por
um milhão de outras alternativas vivenciais e institucionais.
Para alguns meninos e meninas, a rua substitui essa escola.
Escola que, em alguns casos, os expulsou, em outros, não os
recebeu. A escola que tinha somente por missão "educar
as massas", já foi ultrapassada.
A escola que tem por missão formar, continua
e continuará importante e necessária. Não a escola em si,
o prédio e a sua organização burocrática, mas a organização
social que lhe sustenta e o cimento dela, o professor... Essa
organização, o prédio, o quadro-negro, o giz, as carteiras,
a burocracia, os horários, foi uma das grandes invenções da
humanidade no final da Idade Média (que se aperfeiçoou um
pouco ao longo desses últimos séculos), ainda é muito presente
em nossa vida cotidiana e continuará assim por muitos anos.
Mas como inovação, provavelmente será superada por outra inovação,
produto da mente criativa dos homens.
O historiador Caio Prado Júnior dizia
que se aprende vivendo o que se está assimilando (exemplo
que dá em Dialética do Conhecimento, Tomo I, para o aprendizado
da linguagem pela criança). Outros podem dizer, com a mesma
base doutrinária próxima, que se aprende construindo vivencialmente
o conhecimento.
Nesse processo, o professor adquire nova
e maior importância. Não é o dono da verdade, nem sabe de
tudo e de todos, mas raciocina e pode chegar à verdade, pela
pesquisa, pela razão e pelo sentimento/intuição. Esse processo
de descoberta, de pensar e de reflexão é que transforma a
essência da escola moderna, que convive com o mundo em permanente
ebulição e num momento em que a história se acelera. De uma
escola que se une à sociedade e à transformação ou morre anacrônica
e desnecessária. Não por isso uma escola revolucionária, nem
evolucionária, só uma escola contemporânea, que reproduz,
como as demais, os valores e os sentidos dominantes, mas que
se inquieta na contradição entre o novo e o velho, entre o
estabelecido e o justo, entre a opressão e a liberdade.
Nos últimos anos, mais que qualquer teoria
pedagógica, talvez o que mais mexeu com os processos educacionais
foram as novas tecnologias da informação e da comunicação.
Não como parafernálias de equipamentos e fios ópticos. Mas
porque essas tecnologias, materializadas em equipamentos e
processos, representa um momento do desenvolvimento societário
de profundas contradições e explosivas perspectivas. Não acompanhar
isso faz a escola anacrônica, faz a sociedade vê-la perdendo
eficiência, traduz a crise mundial do ensino.
As mudanças nas formas de trabalho humano,
nas formas de relacionamento dos homens com a escassez, nas
maneiras em que os grupos sociais se localizam no espaço político
regional e mundial ... se traduzem em novidades que o processo
educacional não capta, dada a velocidade em que isso se dá
e com que as pessoas se vêem informadas sobre a instabilidade
do ser.
A era digital, carregada de valores sociais
e políticos, também é a era da possibilidade de se superar
a fragilidade da instituição escolar através da revitalização
do professor, como ser social e como membro de uma equipe
que tem uma missão especial, que complementa a mãe, a família
e a vizinhança na formação da criança, do jovem e na construção
do mundo adulto pensante, livre, ético e criativo.
O potencial que as tecnologias informativas
e comunicativas podem abrir ao processo educativo depende
muito do professor, que as usará ou as transformará na escola
e na vivência da aprendizagem. Elas podem ser bem utilizadas,
e o potencial é fenomenal. Podem ser mal utilizadas, e o resultado
será medíocre.
Não conheço nenhum experimento ou ação
que veja nas tecnologias comunicativas a capacidade de operar
valores, dar sentido às coisas e à vida, organizar processos
de formação e orientar o ser humano em construção. Nem é esse
o desafio dos cientistas e pesquisadores.
Quem opera tem a palavra final: para
expandir os limites dessa tecnologia ou prender-se na paranóia
da dominação do homem pela máquina ou mesmo na mediocridade
da incompetência em lidar com o novo.
Essa pessoa é o professor. Talvez não
mais o professor solitário, cujo ideal do magistério e a luta
cotidiana pela sobrevivência relatou Orígenes Lessa em O Feijão
e o Sonho (1939), por intermédio de Campos Lara (ou Juca)
e de seu conflito permanente com Maria Rosa. Hoje esse professor
está representado muito mais no coletivo de educadores que
no indivíduo, ou melhor ainda, no indivíduo que trabalha cooperadamente,
interagindo com outros profissionais, tanto quanto com o aluno.
Trabalhar em cooperação, fazer parte
de um grupo ou de uma equipe, discutir com outros os meios,
os sentidos, os objetivos de um curso, não diminui o papel
do professor, não reduz o professor a algo inferior. Certo,
ele não será mais o todo-poderoso; quer queira ou não, solitário
ou em equipe, já não o é mais na prática.
A cooperação entre saberes, artes e técnicas,
por um lado, e a tecnologia da informação, por outro, representa
o novo potencial da educação neste fim de século.
No primeiro momento, o que as principais
ferramentas computacionais e de redes telemáticas trazem à
educação é a nova capacidade de se ter acesso a um conjunto
muito grande de bases de dados (bibliotecas, museus, universidades,
ONGs, empresas, arquivos pessoais etc.). Isso, em um certo
sentido já é uma revolução, na medida em que abre efetivamente
a milhares de crianças e jovens a real perspectiva de entrar
em contato com fontes de informação que jamais estariam abertas
a eles, principalmente em uma país onde quase não existe bibliotecas
e as que estão instaladas, salvo poucas exceções, são pobres
e pequenas.
Certamente o telefone, o computador e
a conexão com a Internet chegará em todos os municípios brasileiros,
mesmo os mais longínquos, antes das bibliotecas.
Abrir esse mundo à criança, ajudá-la
a correr o mundo de uma maneira mais animada, motivada, criativa
e crítica, transformando essa viagem em educação e construção
do cidadão, é a grande tarefa (desafio) do professor dessas
localidades. Estará ele preparado? Esse é outro problema.
Certamente não, ainda. Da mesma forma que ainda a escola não
se preparou para ler criticamente a televisão, quer porque
a repudiou, quer porque a mitificou como instrumento pedagógico
de primeira linha. Ambos os comportamentos fizeram com que
o professor não se diferenciasse do telespectador mediano,
sendo assim incapaz de formar outros telespectadores (críticos
e independentes). Talvez essa deficiência somente venha a
ser superada agora, com a introdução da informática.
Mas não é só isso. As novas tecnologias
da informação trazem a possibilidade de outras abordagens
tanto para a educação formal (desde a infantil até a universidade)
quanto para a educação continuada e para a não-formal.
A primeira conseqüência é a introdução
de formas de educação não estruturadas, não hierarquizadas,
lineares, cartesianas. Formas que podem incorporar a disciplina
do pensamento crítico, mas não através dos métodos burocráticos
e sim da pesquisa, da vivência na dúvida questionadora, no
conhecimento em construção.
Isso se dá principalmente porque o aluno
passa a ter mais poder, para usar o livre-arbítrio, para questionar.
Situação que pode ser bastante vantajosa se o professor também
souber usar as ferramentas de comunicação, pesquisa, armazenamento
e manipulação de dados, para que a orientação ao aluno se
efetive. Caso contrário, pode-se voltar ao sistema onde se
confundia pesquisa com cópia de verbetes de enciclopédias.
A não hierarquização do estudo pode se
unir à virtualidade de simulações, trazendo ao ambiente escolar
público (a custos compatíveis com as dificuldades do país)
realidades e situações que somente são encontradas em escolas
de elite, como laboratórios de análises químicas, laboratórios
de física, observatórios astronômicos, laboratórios de línguas
etc. Além de poder-se criar uma comunidade escolar sem fronteiras
geográficas, com leitores coletivos.
A animação e o estímulo ao estudo tem
se verificado em variadas situações. Grande parte dos relatos
norte-americanos de experiências sobre a introdução de computadores
em escolas e como instrumento de facilitação da aprendizagem
apresentam essa como uma das mais importantes características
de suas vivências positivas.
No cérebro humano a informação, em geral,
é selecionada, armazenada, recuperada e esquecida. Cada passo
tem suas características próprias e o estímulo antes visto
como elemento de sucesso nas experiências de introdução da
informática tem sua explicação.
O processo de reconhecimento de uma informação
se dá em primeiro lugar pela atenção que se tem sobre um determinado
fato que vai ser guardado. Essa seleção da informação se processa
a partir de duas origens distintas: a) por vontade de quem
vai guardar a informação e b) por estímulo externo. Quando
a vontade e a atenção do receptor estão estimuladas ou aguçadas
e o estímulo externo é suficientemente diversificado e medianamente
impactante sobre os sentidos humanos (audição, tato, olfato,
visão) e sobre as experiências anteriores (razão e emoção),
pode-se configurar um momento de maior probabilidade de fixação
na memória e de maior facilidade de recuperação da informação,
haja vista que se foi diversificada o impacto sobre os sentidos
haverá grande variedade de enlaces que se poderá usar para
apressar o processo de recuperação e manipulação da informação
ou de esquecimento proposital e sistemático de informações
não necessárias ou indesejáveis.
A maneira como isso ocorre no cérebro
humano é algo fascinante e muito mais complexa que a descrita
anteriormente, mas o caminho é esse mesmo e esse resumo rápido
nos serve para os objetivos desse texto: as novas tecnologias
da informação, se bem utilizadas por professores bem capacitados,
podem abrir um novo mundo de oportunidades educativas, desde
o momento da animação ao estudo, passando pela ampliação do
raio de atuação dos alunos e por maior facilidade dos professores
na obtenção de materiais de aula e também em comunicação com
cada aluno, completando o processo de aprendizagem com uma
nova relação professor-aluno, onde a orientação pode ser mais
individualizada e atendendo aos anseios e características
de cada um dos alunos.
Essa individualização em processos massivos
também é uma característica do uso dessas ferramentas e tecnologias
no campo da educação a distância. Pode-se, com a informática
e a telemática, dar tratamento individualizado ao aluno, ao
mesmo tempo em que se ganha em oportunidade de expansão da
educação e agregação de alunos.
A educação a distância, neste caso, deve
ser vista especialmente voltada para jovens e adultos, em
cursos de aperfeiçoamento, educação continuada e profissionalização,
educação não formal e cidadã ... Mas também para a educação
formal seriada, quando inexistirem condições objetivas para
a implantação de escolas presenciais ou houver muita dificuldade
no deslocamento do aluno.
Para a educação a distância, mesmo que
a tecnologia não esteja impregnada na essência do conceito
dessa modalidade educativa, o avanço das tecnologias comunicativas
e da informação dá e esse modo de educar um perfil e um alcance
que não se imaginava décadas atrás.
Essas novas tecnologias, ao mesmo tempo,
impelem os educadores a pensarem outras linguagens e diferentes
formas de educar, de orientar e animar o processo de construção
do conhecimento.
E, novamente, se reforça a presença do
professor, como parte de uma equipe ou de equipes que compartilham
a elaboração de cursos, sua difusão e manutenção, o acompanhamento
dos alunos e a avaliação dos processos.
O que a educação a distância procura,
e os novos progressos tecnológicos estão cada vez mais atendendo,
é a eliminação de distâncias. Aproximar verdadeiramente o
aluno do professor e dos outros alunos. Na educação presencial
tradicional, a expansão da oferta tem produzido, na maioria
das vezes, o aumento do número de alunos por cada sala de
aula, ampliando, mesmo nesse caso (educação presencial) a
distância entre o professor e cada um de seus alunos. Fisicamente
esse professor irá dar atenção a um grupo limitado de alunos,
os demais jamais terão sua atenção.
Por isso, mais e mais escolas presenciais
estão adotando métodos e procedimentos que têm sido bem testados
na educação a distância, promovendo a convergência entre essas
modalidades educativas.
No Brasil essas situações ainda são raras.
Mas, muito provavelmente isso estará mudando nos próximos
anos, quer porque está sendo ampliado de forma vertiginosa
o parque instalado de computadores e redes, como se diminui
rápida e sistematicamente a resistência à educação a distância
e ao uso de novas tecnologias na educação.
Mas, utilizar técnicas multimídias e
instrumentos tecnológicos em educação não significa transplantar
para esses meios e ferramentas a prática da educação presencial.
Começando, pelo professor, que se vê obrigado a compartilhar
conhecimentos e esforços no sentido de construir, junto com
outros profissionais, seu curso ou aula e todos os produtos
que o acompanham.
Aprender a compartilhar, a cooperar e
a respeitar outros profissionais, outros conhecimentos e outras
experiências, é o primeiro grande desafio do professor.
Nos próximos anos a crescente interatividade
proporcionada pela tecnologia da informação, a facilidade
no uso das ferramentas computacionais e a vertiginosa redução
dos custos de implantação de redes, fará com que se dissemine
em uma velocidade estrondosa a infra-estrutura necessária
para a ligação de escolas, empresas, casas e indivíduos a
um mundo diferente de comunicação educativa, que dará sentido
mais dinâmico ao que um dia se chamou de educação permanente.
Essa situação se torna mais presente
quando se alia a interatividade com a interconectividade,
isto é, a possibilidade, crescente, de uso de vários meios
de comunicação e tipos de equipamentos, sem medo de que não
venham a falar entre si: televisão, rádio, livro, revista,
jornal, computador, quadro-negro, telefone, poderão em breve
receber o mesmo fluxo de informação, gerar outros, transformando
aquilo que alguns chamam hoje de mundo virtual em parte de
nosso cotidiano, tão real quanto o ato de respirar.
Desconhecer essa situação potencial e
prender-se ao passado é uma reação pouco construtiva, que
certamente promoverá, se essa reação se generalizar, conseqüências
muito desastrosas para o desenvolvimento da educação no país.
Mas, quais os principais papéis que podem
ser exercidos preferencialmente por professores nas equipes
de especialistas em educação a distância?
O professor, ou melhor, os professores
estão presentes desde a concepção do projeto, onde são fundamentais
para a escolha dos conteúdos, da forma em que os assuntos
são encadeados, como tratar o público, como escolher os meios
mais adequados para tratar o temário escolhido com o público
determinado. Estão presentes no acompanhamento dos especialistas
temáticos, analisando e escolhendo a melhor forma de apresentar
os conteúdos. Na aplicação desses conteúdos aos meios tecnológicos
de comunicação, os professores também têm presença marcante,
acompanhando e testando, quando for o caso. Na definição dos
meios de aplicação do curso, na determinação do modo de acompanhamento
do aluno (tutoria, orientação, centro de ajuda, aulas presenciais,
laboratórios etc.), no exercício da tutoria e na definição
e aplicação do processo de avaliação.
Como podemos ver, o desenvolvimento da
educação, com a ampliação da clientela e diversificação de
campos de atuação e, também, através da incorporação de novas
tecnologias da informação, antes de substituir o professor,
o valoriza, dá-lhe novas funções pedagógicas, realça sua essência.
Porém, o mais importante, é que ele deixa de ser um ente solitário,
responsável por inúmeras atividades administrativas e pedagógicas,
de pesquisa e extensão, animação e elaboração de projetos.
O professor passa a ser parte de um sistema cooperado de funções
e aspirações.
Parte desse sistema está representado
nas funções tradicionais do professor: elaborar as aulas,
ministrar aulas, acompanhar o aluno, avaliar seu aprendizado
e credenciar o seu conhecimento.
8.2. Tutoria e acompanhamento do estudante
Na Universidade Nacional Aberta, da Venezuela,
Maria de Jesús Bermúdez explica que o papel do tutor é fundamental
ao processo de desenvolvimento do sistema universitário, ele,
o tutor, cumpre funções que tanto ajudam o estudante em seu
processo de auto-aprendizagem, "de modo a que possam
fazer uso apropriado dos meios disponíveis e das estratégias
instrucionais no contexto de sua situação particular de aprendizagem",
como servem para alimentar o sistema de avaliação da instituição.
A mesma autora nos brinda com o seguinte
quadro comparativo entre 4 universidades que têm sua principal
atividade na educação a distância, duas da Europa e duas da
América Latina, mostrando a situação no final da década de
80, vejamos:
a. Quanto aos objetivos da tutoria
a.1. Universidade Aberta da Inglaterra
assegurar que o estudante entende
as idéias e argumentos apresentados nas unidades e programas
de curso
remediar as dificuldades acadêmicas
dos alunos
a.2. UNED da Espanha
ajudar o aluno na correta assimilação
dos conhecimentos contidos no material didático e o domínio
das técnicas próprias do campo científico correspondente
a.3. UED da Costa Rica
dar aos estudante o assessoramento
pedagógico que seu campo de estudos requer
colaborar no processo de avaliação
do estudante
a.4. Universidade Nacional Aberta, Venezuela
ajudar o estudante a fazer uso apropriado
dos meios e estratégias instrucionais disponíveis no seu
contexto particular de aprendizagem
retroalimentar o sistema de avaliação
que controla o sistema de ensino-aprendizagem
b. O papel do tutor
b.1. Universidade Aberta da Inglaterra
Tutor-Conselheiro
orientador, motivador
facilitador
avaliador da aprendizagem
Tutor de Curso
facilitador
avaliador da aprendizagem
b.2. UNED da Espanha
Professor-Tutor
orientador, motivador
facilitador
avaliador
b.3. UNED da Costa Rica
mediador
facilitador
avaliador
b.4. Universidade Nacional Aberta, Venezuela
assessor acadêmico
mediador
facilitador
avaliador
c. Funções típicas do tutor
c.1. Universidade Aberta da Inglaterra
Tutor-Conselheiro
ajudar o estudante a organizar padrões
de estudo, familiarizar-se com os métodos de ensino e
tomar decisões sobre os cursos a escolher
realizar tutorias
Tutor de Curso
atender consultas dos estudante sobre
o material didático
corrigir provas
organizar grupos e círculos de estudos
ministrar conferências em escolas
de férias
servir de intermediário entre os
estudantes e a escola
c.2. UNED da Espanha
atender consultas dos estudante sobre
o material didático
corrigir provas e exercícios
assessorar e orientar o estudante
sobre problemas de seu estudo
organizar reuniões de estudo e de
convivência
c.3. UNED da Costa Rica
informar os estudantes sobre os programas
e serviços da UNED
assessorar os estudantes sobre condutas
e métodos de aprendizagem a distância
resolver dúvidas com respeito ao
material didático
aplicar e corrigir provas
participar do processo de elaboração
da avaliação e de materiais complementares
c.4. Universidade Nacional Aberta, Venezuela
aclarar dúvidas dos estudantes sobre
o material didático
assessorar os estudantes na seleção
e uso de recursos de aprendizagem
participar da avaliação do estudante,
mediante exames, ensaios práticos e exercícios.
participar da avaliação dos materiais
didáticos
d. Estratégias e meios de tutoria
d.1. Universidade Aberta da Inglaterra
Tutoria regionalizada (centros de
estudos)
Número pequeno de cursos para cada
tutor
Tutor-conselheiro atende estudante
de primeiro ano e Tutor de Curso atende alunos de cursos
avançados
Número de sessões de tutoria são
variáveis de curso para curso
Modalidades de Tutorial
contígua: cara-a-cara
a distância: por correspondência,
por telefone, gravação, computador
Meios de tutoria:
entrevista em grupo, presencial
entrevista em grupo, por telefone
entrevista individual, por telefone
atividades por escrito
fitas de áudio
computador
d.2. UNED da Espanha
Tutoria regionalizada (centros associados)
Número limitado de cursos por tutor
Número variável de estudantes por
tutor
Número de sessões de tutoria fixas
por curso
Modalidades de tutoria:
presencial
a distância: por telefone, correspondência
(hoje provavelmente se usa a internet)
Meios de tutoria:
entrevista em grupo, presencial
entrevista individual, por telefone
Cadernos de Avaliação a Distância
Correspondência
d.3. UNED da Costa Rica
Tutoria Regionalizada (centros acadêmicos
e centros de estudos)
Número limitado de cursos por tutor
Número variável de estudantes por
tutor
Número de sessões de tutoria fixas
por curso
Modalidade de tutoria:
presencial
a distância: por telefone
Meio de tutoria:
entrevista em grupo, presencial
entrevista em grupo, por telefone
entrevista individual, por telefone
d.4. Universidade Aberta da Venezuela
Tutoria regionalizada (centros
locais)
Número variável de cursos por
tutor (segundo o nível de estudos)
Número variável de estudantes
por tutor
Número de sessões de tutoria
variável
Modalidades de tutoria:
presencial
a distância: por telefone
Meio de tutoria:
entrevista individual, presencial
entrevista em grupo, presencial
entrevista individual, por
telefone
Algumas coisas mudaram nos últimos
anos, mas essas mudanças, no geral, dizem respeito à
introdução e uso de tecnologias comunicativas e um pouco
de inteligência no trato das informações e gerenciamento
da vida dos alunos. A maioria das universidades ainda
não usam adequadamente seu parque computacional, mas
a tendência é que o façam mais e mais. A Open University
da Inglaterra foi a primeira universidade a começar
a usar a inteligência computacional em sistemas de apoio
a estudantes e gerenciamento de informações (dos estudantes,
de pesquisas de opinião, dos professores e equipes,
dos materiais etc.), em 1992 foi iniciado o programa
de reordenamento do parque computacional da Universidade,
saindo de uma lógica baseada em computadores de grande
porte, centralizados, para a lógica da rede distribuída
(que também usa computadores de grande porte).
Algumas situações não aparecem
em quadros descritivos publicados para públicos mais
abrangentes. Por exemplo, na Universidade Nacional Aberta
da Venezuela (e também na Espanha), nesse mesmo período,
uma das tarefas mais importantes da tutoria (como também
de outros profissionais que recepcionam aos alunos em
suas dúvidas) era a animação e a motivação.
Relatos de tutores nos centros
locais na Venezuela nos deram conta de que boa parte
de seu tempo era dedicado ao estímulo e à motivação
dos alunos, sempre que estes faltavam a alguma sessão
de tutoria e apresentavam alguma dificuldade de ordem
pessoal. A tutoria também tem essa função e ela não
pode ser vista com algo menor, sem importância, ao contrário,
a motivação e a introdução de calor humano nas relações
entre os alunos e o sistema de ensino ajudam muito na
eficácia do processo educativo.
Na medida em que se investe na
melhoria da qualidade dos materiais, incorporando-lhes
o conhecimento e a experiência das gerações anteriores
de cursos (quando não é somente a reedição de cursos,
mas sua reelaboração), e também se promove melhor utilização
dos meios de comunicação, as funções dos tutores relacionadas
ao ensino de conteúdos vai diminuindo.
Os próprios tutores vão, ao longo
do tempo, sendo melhor formados para suas várias funções.
Os ex-alunos de cursos a distância podem desempenhar
muito bem essa função. Na Rússia, lembra John Daniel,
todos os tutores têm que primeiro fazer o curso como
alunos, para somente depois poderem ser candidatos à
função de tutor.
A tutoria por telefone é uma das
mais usadas. Mesmo que o correio eletrônico venha a
reduzir substancialmente esse procedimento, muitos sistemas
de ensino irão continuar, por muito tempo, utilizando
a telefonia convencional por causa de seu impacto positivo
no estabelecimento de canais motivacionais.
******
Capítulo 9. Diferenças e Semelhanças
entre a Educação Aberta e a Educação a Distância
Vimos que várias escolas e universidades
que oferecem cursos a distância se chamam escolas abertas
ou universidades abertas, por isso muitos se perguntam
se educação a distância e educação aberta significam
a mesma coisa.
Na verdade há uma forte tendência
à articulação dos dois conceitos, mas eles são diferentes.
A educação aberta tem por referência
direta o tipo de oferta e a forma com que os cursos
ou processos educativos são desenvolvidos. Em uma escola
aberta não há qualquer exigência de escolaridade anterior
para que o cidadão venha a fazer um de seus cursos.
A idéia é essa mesma, ela não restringe a inscrição
à formalidades de escolaridade. Ao mesmo tempo, a idéia
é que o aluno possa ir construindo seu currículo e ir
vencendo os cursos no seu próprio ritmo.
Considerando as características
próprias do público adulto, Terezinha Diniz acredita
que "sua aprendizagem deve ser concebida e organizada
preferencialmente como uma aprendizagem aberta e flexível
em todos os sentidos" , isso porque observa que
a experiência de vida do adulto pode dar condição para
o estabelecimento da base do processo de aprendizagem
aberto, tal qual definido anteriormente.
A educação a distância, como já
vimos a partir de suas características, de sua história
e das formas de sua aplicação guarda semelhança com
a educação aberta na medida em que é uma estratégia
pedagógica que também procura vencer as barreiras que
impedem o cidadão de se transformar em estudante, quer
seja ela a distância física, quer sejam os impedimentos
de horários ou outros já referenciados.
Contudo, como estratégia pedagógica
que articula meios tecnológicos, procedimentos didáticos
próprios, metodologias de aprendizagem centradas no
aluno e sistemas administrativos focados na redução
de custos e na organização do trabalho coletivo, a educação
a distância pode ser tanto um instrumento para o desenvolvimento
da educação aberta, quanto uma ferramenta para a difusão
do ensino formal.
A idéia de dar ao aluno o controle
do processo de aprendizagem é algo muito sedutor, especialmente
quando se observa que, a partir de determinadas condições
de experiência e vontade, o estudante adulto pode realizar
as ações necessárias e tem a maturidade requerida para
construir o seu próprio currículo e para definir seu
próprio tempo e ritmo de estudo.
Transformar essa idéia em algo
concreto, na maioria das vezes é um desafio que não
se consegue vencer, já que pressupõe a existência de
estruturas educacionais com grande capacidade de flexibilizar
espaços físicos, infra-estruturas laboratoriais ou pedagógicas
e também profissionais da educação.
Experiências de educação a distância
com forte carga de tutoria, especialmente no caso do
ensino supletivo, tentaram chegar a esse conceito, notadamente
no que diz respeito à construção do ritmo e do tempo.
Mas, como se trata de um processo de ensino formal,
o aluno não tem autonomia sobre o currículo, assim o
ensino supletivo, mesmo o mais flexível, não se enquadra
perfeitamente na noção de educação aberta.
A educação aberta pode ser tanto
presencial quanto a distância. Na Inglaterra, especialmente
nos anos 50 e 60, várias experiências de cursos de extensão
(extra-muros, como chamavam), que tinham como centralidade
o aluno, eram muito próximos desse conceito, já que
o aluno e o professor pactuavam um curso e o seguiam
conforme o tempo e as características do aluno. Mas
essa experiência não pôde ser massificada, já que dependia
de um alto grau de contato entre o professor e o aluno,
tal qual o mestre e o pupilo do passado.
Hoje, com o avanço vertiginoso
da tecnologia de comunicação, aliado ao crescente poder
de manipulação de dados (volume e velocidade) que a
informática propicia, é possível pensar-se em programas
educacionais a distância que possam ter como concepção
metodológica a idéia da educação aberta. Isso provavelmente
nos será apresentado por várias instituições nos próximos
anos.
Em geral, a educação a distância
tem se guiado não pelos padrões da educação aberta,
mas da educação formal, onde os pré-requisitos curriculares
e de escolaridade estão presentes.
Essa situação se dá não somente
porque o propósito central dos programas de educação
a distância tem sido o de oferecer escolaridade àqueles
que, por um motivo ou outro, não tiveram acesso ao ensino
regular ou para aqueles que estão precisando continuar
seus estudos e não podem fazê-lo na forma presencial
(trabalho, distâncias, etc.), mas também porque as instituições
e os profissionais de educação a distância têm precisado
mostrar que seus projetos têm mérito e qualidade, assim,
nada mais adequado que mostrar isso no campo tradicional
do ensino.
Você sabe muito bem que a inovação,
em si, já algo difícil de ser gerida, imagine quando
a gente tem que apresentar um método inovador e a gente
resolve revolucionar também no conteúdo e na forma,
aí o problema fica muito maior. Foi isso que ocorreu
com a educação a distância até muito recentemente.
Várias universidades, especialmente
aquelas de países em desenvolvimento, viram a possibilidade
de, ao se criar os cursos a distância, fazê-lo introduzindo
novas carreiras ou novos currículos. Vimos isso na Venezuela
e na Costa Rico, por exemplo.
Nada mais lógico. Já que se iria
desenvolver uma nova universidade, porque não fazê-lo
com cursos mais próximos das demandas da sociedade e
do mercado de trabalho? Em vez de se fazer, por exemplo,
um curso superior de administração convencional, poder-se-ia
fazer um curso de administração de cooperativas de exportação
...
A fusão da inovação metodológica
e organizacional com a inovação curricular fez com que
os dirigentes e professores dessas universidades pagassem
um alto preço, já que tinham que vencer também os preconceitos
quanto a qualidade de seus novos cursos (carreiras).
Algo parecido pode ser observado
no Brasil. Muitos fazem uma relação da educação a distância
com o ensino supletivo, já que aqui o segmento que mais
fez uso dessa metodologia foi a suplência. Novamente,
nada mais lógico que assim fosse, o público adulto tem
características que facilitam sua inscrição em cursos
a distância, poderia se utilizar o rádio e redes de
apoio, assim por diante.
Porém, ao se aplicar a educação
a distância essencialmente em programas de suplência,
fixou-se na elitizada opinião pública, que a educação
a distância não era uma estratégia pedagógica de qualidade.
Hoje isso começa a mudar, tanto
a educação a distância inicia no Brasil uma trajetória
de credibilidade, há muito conquistada no resto do Planeta,
como também se começa a dar importância a processos
educativos não-formais e à educação continuada.
Na verdade algo maior está ocorrendo.
As pressões sociais sobre a educação estão dando a esta
atividade social um novo impulso valorativo. Cada vez
mais se compreende que a educação é um bem da humanidade
e um bem de cada indivíduo. O conhecimento é algo que
não se possui, como uma mercadoria, mas algo que se
cultiva, como um jardim. Deixá-lo sem cuidado é o mesmo
que perdê-lo com o tempo.
Nesse contexto, revigora a idéia
de que a educação é um processo de toda a vida, não
mais uma obrigação que se cumpre de forma seriada, mas
o caminhar permanente que hoje se faz facilitado com
o uso do conhecimento científico sistematizado e com
a referência dos valores éticos que vamos descobrindo
ao olharmos para todos como iguais e como portadores
de beleza.
É a partir da possibilidade de
usar-se a tecnologia da informação e da comunicação
e de se compreender que cada pessoa pode ser tratada
e respeitada como tal, como indivíduo e como parte de
uma sociedade em construção, que podemos começar a pensar
em uma nova forma de universidade, uma universidade
que esteja permanentemente ligada, colada, envolvida
com o dia-a-dia de seus alunos, aqueles que vão entrar
em seus quadros, aqueles que estão passando pelas salas
e os demais que já receberam um diploma temporário.
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