Avaliação Institucional:
O Papel do Gestor Frente às Interfaces da Avaliação
Interna e Externa
Mara
Regina Lemes Desordi*
Introdução
Palavras tais como credenciamento e avaliação passaram
a fazer parte do dia a dia dos responsáveis pela gestão dos
estabelecimentos de educação superior em função dos novos
dispositivos legais. A pressão que as instituições de
ensino vêm sofrendo para obter, manter e exibir resultados
que atestem a qualidade de seus “produtos”, tem
contribuído para um certo reducionismo na resposta ao problema.
Alguns gestores têm-se posicionado frente às exigências legais
de modo no mínimo pragmático. Resolvem a questão simplificando-a
e empobrecendo a riqueza de dados que poderiam ser obtidos
se a avaliação que se propõe como porque inevitável,
porque imposta pela agenda educativa governamental, fosse
explorada em toda a sua positividade para revitalizar o projeto
institucional. Esse texto pretende focalizar sua atenção nas
interfaces possíveis e desejáveis entre a avaliação interna
e externa. Destaca ainda o papel dos gestores como decisivo
ao bom uso da avaliação e os riscos contidos em uma
avaliação praticada desconsiderando os aspectos ético-filosófico-políticos
que a perpassam e que explicam as opções de ordem prática
que a antecedem e sucedem, anunciando os eixos do projeto
institucional.
Interfaces da avaliação
interna e externa: duelo ou dueto?
A crescente incidência de processos de avaliação sobre os
sistemas educativos aponta-nos a necessidade de buscar uma
melhor fundamentação teórica para proceder à análise das concepções
que atravessam as propostas legais e para embasar a decisão
de posicionamento a ser assumido frente às mesmas. Muitos
estudiosos do campo da avaliação têm destacado a
indiscutível importância de se avaliar a universidade, visando
a construir um conceito de qualidade de ensino mais condizente
com a pós-modernidade. A avaliação aparece como rica
oportunidade para redefinir ou reafirmar a missão institucional
e seus valores, revelando-se excelente exercício formativo
para a comunidade acadêmica que passa a se responsabilizar
pelo uso dos resultados, possibilitando os câmbios necessários.
Cabe, no entanto, não desconsiderar algumas ciladas das atuais
proposições avaliativas centradas no produto e que subestimam
seu processo de edificação. Essa lógica avaliativa já estava
sendo superada a partir da crítica rigorosa e desveladora
que vinha sofrendo dos especialistas da área, conhecedores
de seus limites e disfuncionalidades, dando lugar a uma concepção
de avaliação processual, contínua, integralizadora.
O retorno a uma avaliação orientada por princípios positivistas
acaba servindo à regulação e à manutenção do estabelecido
sob outras formas. Mesmo anunciando a mudança, a base que
a sustenta é a negação da própria mudança, pelo menos em seus
aspectos substantivos. Guarda nítida dependência dos
critérios quantitativos pensados por técnicos, a luz dos interesses
que representam e que não são facilmente identificados.
Esta forma da avaliação institucional, que tanta preocupação
tem trazido aos administradores das instituições de ensino
superior, valoriza sobremaneira a avaliação externa, a que
se atribui pretensa neutralidade dando-lhe ares de credibilidade
incontestável. Representam essa tendência o Exame Nacional
de Cursos (ENC), bem como o parecer avaliativo emitido pelas
Comissões de Especialistas entre outros, que amparados no
enorme espaço que ganharam na mídia, quase que fizeram
desaparecer o Paiub do cenário educacional. Este outro paradigma
avaliatório orientado pelos princípios da adesão voluntária,
do respeito ao projeto institucional, à não-premiação ou punição,
defende uma avaliação não comparativa, nem classificatória
e acena para o compromisso de envolvimento, de legitimidade
e de globalidade do diagnóstico a ser realizado gradualmente,
percorrendo todas as dimensões e atores envolvidos no processo
de construção da qualidade da instituição (Dias Sobrinho,
1997). Sua lógica organizativa implica a articulação entre
a avaliação interna e externa em um movimento de complementaridade
rico e gerador de potencial
de mudanças pensadas a partir das possibilidades do grupo
envolvido no projeto educacional. Atento ao tempo político
e às condições objetivas existentes, a mudança acontece em
decorrência da constância do projeto de intervenção continuamente
alimentado pelos dados da avaliação, instrumento de
trabalho permanente. Como se percebe nesse segundo modelo,
a comunidade interna se apropria dos resultados da
avaliação e deles se vale para o aprimoramento da proposta
educacional que juntos constróem e refazem solidariamente.
Ao serem regidos por concepções de avaliação diametralmente
opostas, o Paiub e o ENC tomados como exemplo, imprimiram
direções no mínimo conflitantes ao processo de avaliação institucional
que se iniciava e que paradoxalmente era proposto pela mesma
instância governamental, apenas com diferenças acentuadas
nas ênfases que receberam.
Todo discurso sobre avaliação traz em seu interior fortes
componentes ideológicos que permitem antever efetivamente
o esquema axiológico que o rege. Não é apenas o que
se fala, mas a forma como se fala e o quanto se fala
que subsidiam a comunidade acadêmica e o público em geral
para compreender o que vale em avaliação. O espaço e o tempo
destinados para fazer circular as propostas inovadoras crescem
na razão direta da importância das mesmas para a agenda educativa
nacional. E esta vêm sendo concebida a partir das regras definidas
pelo Banco Mundial (Fonseca, 1997). Como esperar resultados
diferentes do que se viu? A busca obsessiva de um padrão de
qualidade abstratamente definido, desarticulado do critério
da relevância e eficácia social, parece ter sido uma forte
tendência. Nessa queda de braços o que se viu foi uma corrida
das instituições rumo às respostas certas impostas pelo Provão.
Universalizando determinados conteúdos ou valores comprometeu-se
em muito a autonomia das instituições na definição dos eixos
norteadores de seu projeto educacional. A divulgação dos resultados
na forma de classificação comparativa, sob o discurso de pretensa
transparência, oportunizou o surgimento de vários questionamentos
e tomadas de decisão. O questionável ranqueamento das
instituições passou a ser explorado como valor de troca no
mercado educacional, em detrimento de valor de uso dos dados
da avaliação como diagnóstico precioso das vulnerabilidades
e potencialidades de cada escola e subseqüente implementação
de medidas restauradoras, comprometidas com um determinado
conceito de qualidade de ensino, concretamente concebido pela
comunidade interna da instituição. Implícita na absolutização
dos resultados divulgados, ficou a mensagem de que havia
um padrão a ser seguido ainda quando isso pudesse implicar
a negação de compromissos anteriormente assumidos.
Mesmo reconhecendo que algumas instituições só se mobilizaram
para a busca de um outro patamar de ensino ao serem atingidas
pelo conceito desprestigioso de avaliação, não podemos defender
a ideia de que seja essa a melhor alternativa para mudar a
cara da universidade brasileira.
Os exames finais tendem a impor de fora para dentro determinados
padrões de qualidade, sem esclarecer quem são os beneficiados
dessa opção. E as instituições, por meio de seus representantes
legais tendem a fazer leituras parciais dos dados reduzindo
seu significado e sua complexidade. Parece que o problema
que surge é descobrir o mais rápido possível formas de recuperar
posições na lista, de modo a melhor enfrentar o acirrado mercado
educacional. Assim, o Estado consegue, via avaliação, exercer
o controle e a supervisão do sistema de ensino, interferindo
drasticamente, negando o discurso da descentralização. O Estado
mínimo é máximo nas avaliações.
Como enfrentar esse estado de coisas parece ser o grande
desafio. Afinal, em clima de grande competitividade, parece
estranho perder tempo tentando entender, quando o lógico seria
agir em conformidade com a lei. Cury (1998,p:73) nos alerta
a respeito da leitura da LDB: “Pela imperatividade
legal o sujeito se conforma dentro das regras do jogo democrático,
mas pela criticidade ele se distancia para ver o objeto em
planos diferentes”. Nessa perspectiva é que enfatizamos
a necessidade de se buscar condições para fazer as várias
leituras possíveis da lei, reinterpretando-as em favor de
um determinado projeto. Como Cury destaca, prosseguindo sua
análise:
A LDB aprovada não é – como também outras não
foram – um texto mas um intertexto. Ao final, a lei aprovada
acabou por conjugar diferentes vozes com distintas potências.
As vozes dominantes, as recessivas, as abafadas e as ausentes
que as constituem continuam sendo uma “rede intertextual”
a ser lida e reconstruída. De seu movimento correlativo participam
diferentes intencionalidades presentes na prática social e
nas referências legais identificadoras de cada projeto (idem,
p:74).
Nossa insistência na tese da existência de alguma autonomia
para os gestores planejarem seu trabalho, embasa-se na negação
do caráter inexorável das coisas. Cremos na possibilidade
de nos submeter aos processos avaliativos externos, sem abrir
mão de nossa titularidade na condução do projeto institucional.
Do contrário, de que nos serviria poder definir proposta pedagógica,
eliminar o currículo mínimo, descentralizar as instâncias
decisórias, se no final, na outra ponta aparece a avaliação,
com todo seu potencial definidor, controlador, negando a flexibilidade
que nos foi oferecida anteriormente como avanço?
Reconhecemos que ocupar esse espaço de autonomia, não ocorre
sem que adentremos em uma certa zona de riscos. Mas não será
esta a condição básica e verdadeiramente diferencial entre
uma educação superior de boa ou má qualidade?
A positividade da opção
por credenciamentos críticos
A luta das instituições de ensino superior para se manterem
no sistema educacional é compreensível. As formas utilizadas
para tal intento é que podem ser postas em causa. Reproduzindo
a cultura vigente de avaliação que se assenta no produto quantificável,
plenamente em condições de ser apreendido e tornado público,
não há espaço para titubear. Descoberto os critérios avaliativos,
cumpre perseguí-los e alcançá-los. O que está em jogo é o
recredenciamento. Nessa opção corre-se o risco de se participar
dos processos de avaliação de modo artificial. Quais são as
exigências para ser aprovado, pergunta-se o gestor? A resposta
é óbvia, pouco importando os caminhos percorridos. Não há
nenhum desconforto na produção dos resultados, pode-se também
optar pela maquiagem dos dados. A mera prestação burocrática
de contas ao sistema desvinculada de qualquer compromisso
com a construção de uma qualidade de ensino que possa vir
a converter-se em diferencial qualitativo da instituição pode
ser a forma escolhida para participar. Identificam-se as áreas
vulneráveis: falta de docentes capacitados, inexistência de
regime de dedicação, laboratórios defasados entre outros...
A solução vai na direção da contratação emergencial de grandes
nomes titulados, que emprestam seu prestígio para a instituição,
reduz-se o número de professores horistas para mais facilmente
atingir as metas numéricas da lei. Nada que um pouco de criatividade
e visão administrativa não possa resolver.
Cabe indagar se tais medidas mudarão de fato a cara da instituição.
A construção de um modelo de ensino competente não se resolve
artificialmente. Exige projeto de longa duração. Impõe seriedade
na leitura da realidade vigente. Leitura referenciada ao “dever-ser”
institucional. O congelamento do real e o uso utilitário de
medidas restauradoras da qualidade perdida ou pretendida,
resolve em parte a situação. Não se extrai grande vantagem
do auto-conhecimento institucional. Este pretende tão-somente
confundir e não explicar. Desaconselhamos esse encaminhamento
por conta da relação custo-benefício. Investe-se muito e recupera-se
quase nada na medida em que as partes não se envolvem com
a aventura da reconstrução do projeto educacional do qual
fazem parte mas não se sentem integrados. Mas é um caminho
possível. Haverá gestores interessados em praticar modelos
tão redutores de sua criatividade?
Outra opção que nos parece saudável é usar com sabedoria
a positividade da avaliação que embora apresentada como
inimigo a ser enfrentado, contém em si mesma os germes da
mudança indispensáveis para enfrentar o futuro em condições
de construí-lo numa feição mais humana e humanizadora. Como
desconhecer a função social da avaliação? Por que não convertê-la
em aliada para providenciar um futuro que não nos desaponte?
Um futuro preocupado com a política dos homens e não das coisas
conforme nos ensina Milton Santos (1998).
Planejar a gestão das instituições de ensino sob essa lógica
pode parecer insuficiente para dar respostas ao sistema.
Este, regido pelos critérios da racionalidade, produtividade
e eficienticismo pode não compreender opções mais abrangentes.
No entanto, defendemos a total compatibilidade das dimensões
éticas e técnicas que ao se articularem na proposta que justifica
o recredenciamento, qualificam a qualidade do projeto educacional.
Não há porque dicotomizar. Os efeitos dessa opção integralizadora
ao longo dos tempos farão sentido e emprestarão significado
inequívoco à missão institucional, obra em construção permanente.
Vale a pena contestar a lógica do sistema. Desafiar sua linearidade.
Conjugar os dados da avaliação externa com os da avaliação
interna, imbricar os dados quantitativos e qualitativos numa
leitura dinâmica e contextualizada. Problematizar o diagnóstico
à luz de referências claras manejadas por um gestor competente
capaz de reinterpretar as brechas da lei e de se posicionar
com criticidade na condução dos rumos de sua instituição.
Dessa forma, a avaliação institucional se justifica pelos
objetivos que reafirma e que não podem ser examinados de forma
massificada na medida em que a homoge-neização das instituições
põe a perder a riqueza da sua diversidade. Cabe lembrar conforme
nos ensina Leite (1998, p; 12) citando Correia:
A inovação instituinte desenvolve-se num jogo entrecruzado
de relações de força institucional que ao mesmo tempo que
atravessam a instituição, são atravessadas por ela. Ela obriga
deste modo a instituição a falar, permite ouvir a sua voz.
Novos olhares sobre a avaliação:
quatro propostas para o novo milênio
Lembramos que a avaliação que se impõe como exigência legal
às instituições para a manutenção no sistema de ensino
superior pode e deve ser concebida, praticada e interpretada
a partir de novos olhares. Parafraseando Calvino (1995), defendemos
que para enfrentar a complexidade que envolve os processos
avaliatórios, é necessário considerar os novos contextos em
que estão inseridos os velhos problemas que afligem avaliadores
e avaliados. Leveza, exatidão,
visibilidade e multiplicidade são atributos que devem
permear o trabalho daqueles que estão envolvidos de uma forma
ou outra com a avaliação.
• Leveza,
entendida como característica fundamental para instalar o
debate como a comunidade, como componente que assegura a flexibilidade
na reinterpretação da lei de modo a maximizar seus avanços
e atenuar os retrocessos eventualmente invisibil-izados e
que dá suporte para a interpretação dos dados, favorecendo
as rupturas com o instituído e as mudanças paradigmáticas.
Leveza para conduzir o processo de modo proativo, buscando
a emancipação dos sujeitos envolvidos pelo respeito à autonomia
da instituição para definir sua missão. Leveza para enfrentar
as tensões inerentes a todo processo avaliativo, em especial
aqueles regidos pela competitividade e pelo alto grau de comparação
interinsti-tucional.
• Exatidão,
entendida como busca do rigor metodológico e ético para atender
aos indicadores selecionados como imprescindíveis à inclusão
ou a manutenção da instituição no sistema. Essa exatidão envolvendo
as duas dimensões propostas justifica-se pela convicção que
temos que o desrespeito a uma delas pode significar a desconsideração
do papel que o ensino superior deve cumprir para fazer
diferença na qualidade de vida social.
•Visibilidade,
entendida como a explicitação do que se pretende com a avaliação,
os micro e macro-objetivos que se buscam ratificar. Consideramos
imperativo ético que subjaz a avaliação evidenciar as lógicas
que orientam as opções em todos os níveis: do local ao central,
do nacional ao transnacional, do interno ao externo.
•Multiplicidade,
entendida como o reconhecimento da avaliação como fenômeno
multifacetado, polissêmico, plural. Daí deriva a aceitação
da avaliação como conceito carregado de ambigüidades,
sujeito à múltiplas significações, fruto de encontros e desencontros
em que a intersubjetividade imprime sua marca.
Essas características podem, se consideradas e exercitadas
pelos gestores na condução de seu trabalho adminstrativo,
fazer nítida diferença na forma de atender aos ditames da
lei. Contribuem para que a avaliação seja posta
a serviço de um ensino superior de qualidade, que só se concretizará
na razão direta de nossa coragem, no processo de autoconhecimento
institucional e na nossa capacidade criativa para superar
os limites certamente existentes.
A produtividade da gestão
“versus” a gestão produtiva
Barroso nos lembra que “nos tempos actuais, o que é
mais significativo nesta preocupação gestionária não é a importância
que é dada à gestão, mas sim o facto de se pretender reduzir
os problemas das escolas a problemas de gestão, como forma
de escamotear a complexidade da escola enquanto organização
e a conflitualidade ideológica, política e social a ela inerentes”
(1996, p.184). O destaque que damos ao papel do gestor não
desconsidera esse dado, mas reconhece a diferença qualitativa
que o gestor pode fazer na tomada de decisões que procede
rumo ao atendimento das exigências do sistema em relação ao
recredenciamento. Uma gestão produtiva orienta seu trabalho
articulando as demandas de mercado aos legítimos reclamos
da sociedade de modo a definir e reconstruir uma concepção
de qualidade de ensino superior que responda aos desafios
dos novos tempos. Isso implica clarear os referentes que orientarão
o processo avaliativo interno previamente e que depois serão
complementados pelos indicadores externos e/ou legais, devidamente
relativizados em função do projeto institucional, este sim,
fundamento decisivo para a tomada de decisões. A gestão orientada
pela lógica da produtividade toma como eixo exclusivamente
indicadores externos, via de regra quantitativos aos quais
não se pretende agregar nenhuma preocupação ética. Desta forma
esse tipo de gestão tende a tomar como referência uma visão
parcializada de qualidade. Ao dicotomizar qualidade técnica
e política, paradoxalmente alcança um certo grau de produtividade
improdutiva do ponto de vista social. Ao longo dos tempos,
a escolha permitirá compreender o alto custo do investimento,
permitindo concluir que custa caro investir na qualidade de
ensino superior optando por caminhos aparentemente mais
simples, mas que revelam sua complexidade e seu preço ao serem
examinadas suas conseqüências.
Qualidade de ensino só se obtém por meio de gestões que se
orientam por planejamentos globais e competentes que ousam
articular o compromisso com os índices de produtividade, com
a escolha produtiva e ética dos melhores caminhos ou atalhos
a serem seguidos para simultaneamente responder ao mercado
e à sociedade a quem prioritariamente se deve prestar
contas. Essa parece ser condição básica para entender e superar
os mitos e dilemas contidos no uso da avaliação como instrumento
decisivo ao recredenciamento das instituições de ensino superior.
Coelho ressalta que “enquanto espaços por excelência
da razão, da crítica, as universidades, públicas e privadas,
devem em primeiro lugar, fazer a crítica rigorosa e radical
de si próprias” (1997, p.46). E isso implica saber aonde
se quer chegar e para quê se trabalha. Definidas essa premissas,
vemos que o gestor pode ser sujeito estimulador e dinamogênico
do sistema de desenvolvimento positivo da instituição, pela
alteração da cultura avaliativa que envolve tanto a comunidade
interna como externa. Ao reconhecer a delicadeza de sua tarefa,
o gestor saberá proceder às escolhas certas sem as quais a
avaliação institucional poderá permanecer no plano do indispensável,
porém impossível, improvável e indesejável.
Com tantas restrições e com tantos riscos não será surpresa
se a avaliação continuar a ser praticada de forma burocratizante,
empobrecendo seu potencial educativo, evidenciador das mudanças
necessárias para que o ensino superior possa reencontrar sua
identidade e cumprir seu real papel social, diante de uma
realidade caracterizada pela incerteza do futuro. O sucesso
das políticas públicas de avaliação passa pelo respeito e
reconhecimento da importância do projeto institucional, único
referencial capaz de qualificar o conceito de qualidade de
ensino que se pretende construir no interior dos estabelecimentos
de ensino. É para o conjunto de atores que compõe esse cenário
que a avaliação deve fazer sentido para que eles possam igualmente
dar sentido ao seu trabalho pedagógico, sem perder de vista
o contexto social em que este se insere.
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Proposições (prelo)
* Professora da Faculdade de Educação
da Pontifícia Universidade Católica de Campinas e da Faculdade
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