ABMES Notícias n.° 75

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Brasília, Abril-Maio-Junho 2002

 

CICLO DE DEBATES SOBRE POLÍTICAS PÚBLICAS DE EDUCAÇÃO SUPERIOR

A ABMES iniciou a 3 abril de 2002 o Ciclo de Debates sobre Políticas Públicas de Educação Superior com o objetivo de fazer um balanço das ações implementadas pelo Ministério da Educação nos últimos sete anos; de compor uma agenda de propostas para a próxima década e de apresentar subsídios aos planos de trabalho dos candidatos à presidência da República, na área da educação superior. 

Com grande êxito, realizou-se o primeiro seminário. Espera-se que este hoje iniciado repita o sucesso do primeiro. O terceiro e último do ciclo ocorrerá em junho e em agosto. Os palestrantes, dirigentes do MEC, conferiram ao convite da ABMES grande importância e fizeram uma análise da política de educação superior proposta e implementada no governo FHC. Para eles, em que pesem as dificuldades e as lacunas, os avanços foram grandes e apontam para mudanças absolutamente inquestionáveis. A expansão do ensino superior – graduação e pós-graduação – foi expressiva e acompanhada de qualidade; implantou-se , de forma definitiva, a cultura de avaliação, antes restrita à pós-graduação; 97% das crianças na faixa de 7 a 14 anos de idade estão na escola; desenvolveu-se, de forma extraordinária, o ensino médio; desenvolveu-se um sistema de estatísticas educacionais que é, não só modelo na América Latina como também base para pensar e organizar o processo de avaliação; realizaram-se com aceitação das IES e da comunidade o Exame Nacional de Cursos e o Exame Nacional de Ensino Médio.

Houve progressos na proposta de supervisão do ensino superior vinculada à avaliação de mérito; reestruturou-se a composição e as formas das antigas comissões de especialistas, hoje chamadas de comitês técnicos; as deliberações do CNE passaram a integrar-se aos procedimentos de autorização, reconhecimento de cursos e de credenciamento de instituições.

Os debatedores, especialistas que têm acompanhado com admiração, mas sem perder a necessária visão crítica, as ações do governo na área educacional, destacaram a necessidade de se avançar, não só nas questões referentes à autonomia universitária, com responsabilidade de decisão pela gestão dos recursos públicos, como também no papel do ensino superior público e privado, aumentando a capacidade de atendimento e, sobretudo, de retenção dos alunos no sistema.

Mesmo reconhecendo o extraordinário trabalho do MEC, os debatedores enfatizaram uma questão crucial: a monopolização do governo na área da avaliação, sem abrir espaços para que outros setores da sociedade desenvolvam esses processos, e a postura de centralização e de controle, conflitando com a autonomia das universidades públicas e privadas garantidas pela Constituição.

O lugar que a pesquisa ocupa no ensino; o pagamento do ensino por quem possa pagar, associado a um sistema de crédito educativo para os mais carentes; a criação de um sistema adequado de criação de competência em pesquisa educacional no Brasil; a adequação das regras da administração federal aplicadas às instituições públicas de ensino; o estabelecimento de critérios mais adequados para a abertura de cursos para as universidades e  instituições não-universitárias foram aspectos também abordados pelos debatedores.

Importante destacar-se que um dos principais resultados conseguidos nestes últimos anos, de acordo com Schwartzman, foi a adoção de uma nova postura por parte do governo na escolha dos dirigentes do MEC. A educação não é mais uma área que o governo negocia politicamente, com os partidos políticos. A Educação hoje requer a presença de pessoas competentes, de profissionais, para cuidarem dela. Este é um importante ganho que precisa ser consolidado, para não se repetir a experiência do passado.

 

ÉDSON FRANCO DEFINE PERFIL DO COORDENADOR DO CURSO

A edição de n.º 8 do ABMES Cadernos publica trabalho de Édson Franco – Funções do coordenador do curso: como construir o coordenador ideal”. 

Com base na sua vasta experiência profissional, tanto como professor quanto dirigente da Universidade da Amazônia (Unama), Édson reúne no seu trabalho suas idéias sobre o perfil do mentor do projeto pedagógico do curso – o coordenador do curso –  para que possa desempenhar as funções que dele se espera, visando ao fortalecimento do curso e, conseqüentemente, da instituição.

Para fundamentar suas idéias e propostas, Édson Franco recorre a reflexões de vários autores sobre qualidade do ensino, aos textos legais e às experiências do Ministério da Educação na área da avaliação. O trabalho busca identificar funções, responsabilidades, atribuições e encargos do coordenador do curso, distribuindo-os em quatro funções distintas: políticas, gerenciais, acadêmicas e institucionais. Tais funções são minuciosamente analisadas com o objetivo de chegar-se a uma linguagem comum a respeito delas, sem constituir-se em fórmulas a serem simplesmente reproduzidas por outras instituições.

 

 

Projeto de contas para negros passa no Senado e segue agora para a Câmara

O Senado aprovou  a 17 de abril projeto de lei que reserva 20% das vagas de concursos públicos e vestibulares de universidades privadas e públicas, além de contratos de crédito educativo do Fundo de Financiamento ao Estudante de Ensino Superior, para afro-descendentes, por um prazo de 50 anos.

De acordo com o projeto, que segue para a Câmara, as pessoas deverão  se declarar negras ou pardas no ato da inscrição, para serem incluídas na cota, já que não há documento oficial que indique a cor da pessoa.

O relator do projeto, senador Sebastião Rocha (PDT-AP), disse que pretende regulamentar posteriormente o critério para definir a questão. A sugestão dele é que o país passe a ter documentos que atestem a etnia da pessoa e que seja obrigatório o registro da cor na certidão de nascimento.

Na avaliação do ministro da Educação, Paulo Renato Souza, a introdução das cotas não é a melhor solução. Segundo ele, é mais coerente criar cursinhos para alunos carentes, para que possam disputar vagas em igualdade (Folha de São Paulo, 18-04-2002).

 

CARTÃO DE CRÉDITO PARA MELHORIA DO ENSINO

Marta Prochnik, da área de Desenvolvimento Social do BNDES / Gerência Executiva de Educação, comunicou ao presidente da ABMES, Édson Franco, que o Banco pretende criar um Cartão de Crédito, em princípio limitado a R$ 50.000,00, para escolas de todas as dependências administrativas, com faturamento anual inferior a 45 milhões de reais. Tal crédito destina-se à aquisição de produtos de melhoria da qualidade do ensino, dentre os quais se incluem os de tecnologia educacional.

As instituições interessadas em discutir financiamentos especiais para o ensino superior deverão contactar Marta Prochnik no endereço: Avenida República do Chile 100 – 8.º andar, Rio de Janeiro, RJ, CEP 20139-900, Tel. (21) 2277-7393; e-mail: prochnik@bndes.gov.br

 

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