Brasília,
Setembro-Outubro 2000
ABMES DISCUTE A AVALIAÇÃO
DOS CURSOS DE ADMINISTRAÇÃO
Mantenedores, coordenadores
e professores dos cursos de Administração do
país reuniram-se em Brasília, na sede da ABMES,
em 9 de agosto de 2000. Em concorridíssimo encontro,
os participantes tiveram a oportunidade de analisar o perfil,
a formação e as oportunidades de trabalho do
administrador profissional; discutir os parâmetros de
avaliação dos cursos de graduação
em Administração; analisar os dados relativos
aos processos de avaliação dos cursos de graduação
e conhecer projetos inovadores nessa área.
Avaliação
dos cursos
Édson Franco,
presidente da ABMES, construiu um quadro de referência
para desenvolver a análise crítica do processo
de avaliação dos cursos de Administração
feito pelo MEC, por meio do Exame Nacional de Cursos (ENC)
e do trabalho das Comissões de Especialistas.
Para Édson,
a prática de avaliação do ensino superior,
ao invés de resultar num instrumento estimulador da
qualidade, volta-se para a inspeção, assumindo
uma postura intimidadora, perante as IES do país. Os
critérios de avaliação adotados pelas
Comissões de Especialistas, na maioria das vezes, extrapolam
o que prevê a legislação já que
são idênticos e aplicados indistintamente em
realidades diversas, em desacordo às recomendações
do Parecer n.º 1.070/99, homologado pelo MEC. Tal fato
levou Édson a propor que o citado Parecer seja transformado
em Resolução do CNE.
Tratou ainda o presidente
da ABMES sobre o conteúdo da Portaria n.º 1.518/00,
ato que designa os membros das novas Comissões de Especialistas,
que, na sua maioria, são oriundos das IES públicas.
Além disso, muitos deles dedicam-se apenas à
pós-graduação.
Édson pronunciou-se
sobre a importância de se considerar o compromisso dos
concluintes dos cursos de graduação com o Exame
Nacional de Cursos, (ENC), tornando-os co-responsáveis
pela avaliação do processo de sua própria
formação. Neste sentido, propôs que as
notas obtidas pelos estudantes cujos desempenhos tenham sido
insuficientes sejam inclusas nos seus históricos escolares,
não só para resguardar o mercado de trabalho,
como também para evitar que as instituições
sejam punidas pelo fato de os concluintes valerem-se do ENC
para reavivarem eventuais questões mantidas durante
o curso, com as suas instituições.
Na segunda parte
de seu trabalho, Édson apresentou estudo feito pela
ABMES sobre os cursos de Administração, tendo
como base os dados do SESu/MEC, o "Relatório Síntese/1999
do Provão" e a "Avaliação das
Condições de Oferta". A análise
feita, bem como a riqueza de dados apresentados por Édson,
encontra-se à disposição de todos
os interessados, na
página da ABMES.
Perfil, formação
e oportunidades de trabalho
O presidente do Conselho
Federal de Administração (CFA) e ex-membro das
Comissões de Especialistas do MEC, Rui Otávio
Bernardes de Andrade, apresentou estudo, cujo principal objetivo
foi o de atualizar, aprofundar e, ao mesmo tempo, ampliar
os resultados de uma investigação realizada
pelo citado Conselho, em 1994.
Na oportunidade,
Rui abordou o perfil do administrador profissional, orientando-se
pelas seguintes variáveis: conhecimentos, habilidades
e atitudes; mapeamento da atuação profissional
junto às organizações; identificação
de oportunidades e de perspectivas profissionais na área
de gestão.
Rui reforçou,
ainda, o posicionamento do presidente da ABMES, no que
concerne à necessidade de inclusão da nota obtida
pelo aluno no Provão, no histórico escolar.
A preocupação com a composição
atual das comissões de especialistas da área
de Administração que, na sua maioria, é
constituída por professores mais ligados à pós-graduação,
foi também verbalizada pelo presidente do CFA.
Comissões
de especialistas
Mário César
Barreto, professor da Universidade do Estado de Santa Catarina
e membro da atual Comissão de Especialistas, informou
aos participantes as novas orientações
do MEC no que se refere ao processo de avaliação,
reiterando a posição de Édson Franco
sobre os problemas que poderão ocorrer com a composição
atual dessas comissões. "Dentre os 191 membros,
169 são oriundos de IES públicas, 15 de católicas
e apenas 7 de IES privadas não-católicas",
enfatizou Barreto.
Dentre as novas orientações
do MEC, salientam-se: a contenção da demanda
de autorização de novos cursos ("em confronto
com o que a Comissão deseja"); as indicações
de comissões "ad hoc" ("que poderão
restringir a ação das comissões");
a inclusão da opinião de docentes e de
alunos no processo de avaliação; a exigência,
no ato do reconhecimento de todas as condições
para a realização do curso (corpo docente, estrutura
física, biblioteca) em fase de implantação
e que, portanto, não tenha cumprido seu processo de
integralização. "Trata-se de uma medida
dura para o pedido de reconhecimento, a partir do segundo
ano". Barreto reforçou as posições
de Édson e Rui, no sentido de transformar Parecer 1.070/99
em Resolução e informou que o MEC vai rever,
radicalmente, a forma de avaliação dos cursos
seqüenciais, que também estarão sujeitos
aos processos de autorização e reconhecimento.
Finalizou, adiantou
que a Comissão de Especialistas em Administração
tem o firme propósito de ouvir e de analisar as sugestões
da comunidade acadêmica.
A ESPM
Marcos Amatucci,
da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), destacou
os aspectos fundamentais do projeto pedagógico do curso
de Administração, avaliado com conceito "A",
em todas as edições do ENC, — quais sejam, a)
base teórica comum — "todos os nossos alunos saem
para a sociedade com firmes conhecimentos sobre marketing,
finanças, recursos humanos e gestão empresarial;
b) especialização — "visão aprofundada
das quatro áreas" —; c)
equipes multidisciplinares — "depois da especialização
os alunos articulam-se para realizar trabalhos intedisciplinares"
—; d) integração e prática — "aqui
o conhecimento anda junto com a aplicação".
Além disso,
a ESPM realiza processo de seleção de docentes,
exigindo experiência e titulação. Os docentes
são treinados e aperfeiçoados "in service"
e sujeitos à dupla avaliação semestral.
Amatucci destacou
a qualidade de os alunos do curso seguirem um ritmo forte
e permanecerem firmes; sairem-se bem nos programas de recrutamento
e serem responsáveis pelo bom resultado do Provão".
O IBMEC/RJ
Antonio de Araújo
Freitas Júnior, do Instituto Brasileiro de Mercado
de Capitais, do Rio de Janeiro (IBMEC/RJ), fundado em 1970,
destacou a existência de um grande mercado para a Administração
no Brasil.
Para ele, os "ataques"
de outras profissões e de universidades e de
empregadores do exterior encerram um grande desafio. "É
necessário buscar excelência e preparar-se para
este ataque e evitar certa miopia, isto é, pensar e
ir direito ao fluxo de caixa, destrói qualquer investimento
a longo prazo. Considerando a impossibilidade de serem criadas
leis para proteger as escolas, devem ser criadas dificuldades
para a chegada do que é inexorável. É
preciso ser mas eficiente que as empresas estrangeiras no
Brasil", enfatizou Freitas.
Ao reiterar as observações
de Barreto, Freitas enfatizou que a carreira do administrador
é sofisticada e privilegiada no nível global
e que as empresas no Brasil estão longe de atingir
o número de administradores de que necessita.
No que se refere
às razões do prestígio do IBMEC/RS, Freitas
destacou a qualificação docente, a decisão
estratégica interna de desenvolver um grande projeto
pedagógico, o equilíbrio entre a teoria e a
prática e o uso da informática. Além
disso, destacou a iniciativa, a criatividade e a capacidade
de interagir como características importantes do corpo
docente e da coordenação do curso.
"A excelência
há de ser, necessariamente, mais cara; consegue-se
eventualmente, até cortar despesas. Cada escola buscará
seu foco, cumprirá a programação e garantirá
aprendizagem, com retorno garantido para a escola", finalizou
Freitas.