Educação a distância:
Programa de formação de Professores em exercício
na UFMT
Kátia Morosov
Alonso*
Trabalhar com a educação
a distância (EAD) significa, ainda, trabalhar em um “terreno”
cujas definições e compressões estão em processo de construção.
Daí, muitas vezes, as dificuldades em se precisar, com maior
rigor, “o que seja” e “o como” se dá o
processo de ensino, nesta “forma” de se fazer educação.
Não gostaríamos de começar este artigo abordando questões
relativas às resistências e desconfianças para com a EAD,
ainda que em nosso País persista todo um “imaginário”
negativo quanto a essa forma educativa. Em muitos outros locais
e, para uma série de autores, entretanto, a EAD é tida como
uma forma efetiva de se fazer educação. Assim, o que propomos
é uma tentativa de se levantarem as principais discussões
sobre este assunto e, desde aí, explicitar, de maneira resumida,
o trabalho desenvolvido pelo Núcleo de Educação Aberta e a
Distância (Nead), na Universidade Federal de Mato Grosso.
Quando tratamos da EAD, geralmente, suscitam-se discussões
em torno do “como” se realiza um processo educativo,
onde as “figuras” tradicionais como sala de aula,
professores e alunos não estão “materializados”
nos modelos que conhecemos, e quando alunos e professores
não estão realizando seus “papéis educativos” em
um mesmo espaço e tempo.
O fato é que, com a EAD, essas “figuras” continuam
a existir, assumindo características ou funções distintas
das que conhecemos, no ensino presencial. Poder-se-ia afirmar
que a EAD se constitui a partir de processos organizacionais,
diferentes daqueles do ensino presencial.
Para compreender essas novas funções ou essas novas organizações
do processo ensino-aprendizagem, várias tentativas de explicações
ou justificações se deram, no início da década de 70, quando
foram criadas as maiores instituições de educação a distância
no mundo — Open University, Uned/Espanha, Universidade
Indira Ghandi/India, dentre outras — e autores como Moore,
Peters, Holmberg e Keegan lançaram bases teóricas, para se
pensar a EAD.
As “explicações” iniciais da EAD tinham por base
a idéia de que esse seria um processo educativo voltado para
a constituição da autonomia e independência dos alunos (Moore,
Holmberg e Keegan) ou como um processo de massificação educativa,
fundado em processos industrializados de ensino (Peters).
No entanto, o fato que se apresentava (e se apresenta) como
preponderante, na criação de processos educativos a distância,
são os avanços tecnológicos vividos nas últimas décadas. Se,
na década de 70, as tecnologias da aprendizagem (principalmente
as de caráter condutistas) possibilitaram o desenvolvimento
de uma série de processos massificadores
de ensino 1 , mais recentemente, as sociedades vivenciam
uma sucessão de rompimentos que têm por base a crescente “tecnologização”
dos processos de trabalho e da comunicação, que acabaram por
repercutir, também, nas instituições educativas. Neste sentido,
concordamos com Martin Rodriguez (1999), em sua afirmação
de que as instituições educativas e, mais especificamente,
as universidades vivem uma crise geral de identidade.
Essa crise está ligada aos processos históricos e sociais
que incluem novas demandas educativas, impostas pelo processo
de globalização da economia 2 .
Entre a década de 70 e o mundo globalizado de hoje existem
diferenças imensas. Como não poderia deixar de acontecer,
a própria EAD vem tomando novos significados. Questiona-se,
inclusive, a pertinência, ou não, do termo “a distância”,
uma vez que esse termo não pode ser mais compreendido como
distância puramente física ou geográfica. Com a utilização
das novas tecnologias comunicacionais, muitas “fronteiras”
foram ultrapassadas. É a partir dessas novas fronteiras que
a EAD ou, como querem alguns, a educação não presencial, vem-se
configurando e rompendo com o formalismo acadêmico que marca
nossas instituições de ensino.
Como “tudo que é sólido se desmancha no ar”, os
processos educativos mais tradicionais já “não dão conta”
de formar o contingente necessário de pessoas, para um mundo
em transformação. Além disto, as novas funções técnicas, geradas
pela utilização massiva e intensa da tecnologia, não
têm sido atendidas, do ponto de vista formativo, por essas
mesmas instituições.
Somos, hoje, convidados ou forçados a pensar em processos
educativos que ultrapassem as instituições de ensino mais
tradicionais ou em propostas que apresentem, como possibilidade,
a criação de novos ambientes de aprendizagem, onde a relação
presencial professor/aluno seja transcendida.
Ao pensarmos na EAD, como uma possibilidade de se criarem
novos ambientes de aprendizagem, aquilo que parecia ser algo
longínquo dos modelos conhecidos de educação, começa a assumir
novos valores.
É necessário frisar, como faz Shale (1990), que a EAD não
pode ser tratada como uma educação para a distância, mesmo
porque, com a crescente interação proporcionada pelo uso das
tecnologias informacionais, essa distância é muito mais retórica
do que um problema real para a organização de novos processos
educativos.
Ainda segundo Shale (1990), os fatores que determinam o processo
educativo são de duas ordens: comunicacional, para o estabelecimento
do diálogo e avaliação, para tornar esse processo efetivo.
Para este autor, estes dois elementos não são problemas exclusivos
da EAD, mas problemas da educação, como um todo.
Se tomarmos a reflexão de Shale (1990), como pressuposto para
a EAD, é possível perceber que, para ser definida como um
processo educativo, ela deverá ser pensada como um projeto
político-pedagógico, que considere em sua base a criação de
sistemas que venham a estabelecer uma “comunicação dialogal
ou interlocucional”, e processos de acompanhamento e
avaliação, que promovam o ensino–aprendizagem. Além disso,
esses sistemas devem considerar as possibilidades de construção
de saberes, orientados e pertinentes às diferentes situações
dos sujeitos da aprendizagem.
É necessário considerar, também, que a EAD, na constituição
de sistemas e ambientes educativos, possibilita a integração/interação
de meios variados, para que o diálogo possa ocorrer.
A idéia é a de se conjugar o uso de materiais didáticos impressos
e multimídia: telefone, fax, televisão, rádio, redes informacionais,
com um bom apoio de atendimento aos alunos, através de assessores
pedagógicos (tutores), que permita a interação aluno/professor
e atendimentos mais personalizados pois, na EAD, a organização
educativa deverá estar, necessariamente, à disposição dos
alunos (aqui não cabe qualquer tipo de improviso).
Para autores mais recentes, como Martin Rodriguez (1999),
Aparici (1999) e Paul (1999), a EAD vem tomando corpo por
meio de diferentes soluções organizativas.
No contexto vivido atualmente, a EAD possibilita diferentes
soluções educativas, e isto nos parece essencial, ou seja,
é uma “forma educativa” que responde às necessidades
de diferentes sujeitos e situações de aprendizagem (por exemplo,
a Uned/Espanha tem um amplo programa universitário,
destinado às pessoas que se encontram em prisões desse país).
Em nossa perspectiva, tentar “explicar” a EAD, somente
pela via tecnológica, parece representar também um risco.
Afinal, vivemos em um país cujo acesso aos “bens tecnológicos
informacionais” é ainda restrito; porém, deixar de pensar
sobre essa possibilidade significa restringir-se a limites
que parecem ser provisórios. A crescente socialização
desses meios nos impõe, como responsabilidade social, o repensar
dos processos organizativos da aprendizagem.
Enquanto procuramos construir novos paradigmas educacionais,
a discussão levantada por Neder (1999), quanto ao dignificado
da EAD nos dias atuais, aponta reflexões importantes.
Para Neder(1999), a escola moderna, aquela de caráter homoge
inizador, que se configurava “dentro” de uma relação
espaço/temporal, determinada para este fim, já não atende
mais as novas demandas educativas. Ao se propor romper com
a relação espaço/tempo escolar, condicionado pela modernidade,
a EAD, justamente por transgredir essa relação, surge como
uma possibilidade de se repensarem processos educativos que
ocorram em espaço e tempos diferentes, submetidos a contextos
também diferentes. O desafio, neste sentido, será o de pensar
“modelos pedagógicos” que sejam realmente transgressores
e não “reaplicáveis” a qualquer situação de aprendizagem.
A crítica relativa à EAD segue, muitas vezes com razão, essa
condição de se pensarem “modelos pedagógicos” que
sejam aplicáveis a tudo e a todos. Parece-nos que o caráter
transgressor da EAD se colocará, na medida em que pensarmos
essa forma de ensino como um processo que poderá ocorrer em
tempos e espaços distintos, porém vinculados a contextos e
situações específicas.
O trabalho do Nead na UFMT, que tem a formação de professores
para as séries iniciais como um de seus projetos, insere-se
nessa compreensão do que seja EAD. A equipe do núcleo entende
que sua experiência de trabalho tem por base um determinado
contexto e uma determinada clientela. Toda e qualquer perspectiva
de novas frentes de trabalho representará novos esboços, novos
planejamentos e, talvez, novos ambientes de aprendizagem.
Para essa equipe, a riqueza de seu cotidiano está, justamente,
neste avaliar e repensar constante suas ações.
O projeto de educação a distância
da Universidade Federal de Mato Grosso
O trabalho relativo ao desenvolvimento de um projeto específico
de educação a distância, na Universidade Federal de Mato Grosso
(UFMT), teve por base as discussões e as definições da Política
de Ensino e Pesquisa do Instituto de Educação, no momento
de sua criação, no ano de 1992. É importante ressaltar que
a constituição do Instituto de Educação (IE) foi um fator
de extrema importância, para a consolidação de linhas de trabalho
já vislumbradas, ainda na existência do “antigo”
Departamento de Educação. O fato é que, com a constituição
do IE, foi possível a implementação de uma série de frentes
de trabalho, todas, porém, fundamentadas em algumas decisões
que permitiram estabelecer uma certa unidade no desenvolvimento
das mesmas. O IE estruturou-se academicamente na forma de
Programas de Trabalho, tendo como parâmetro as contribuições
do VI Encontro Nacional da Associação Nacional de Formação
de Professores (Anfope), em 1992, onde se reconhecem as implicações
políticas do processo de formação. A partir dessas diretrizes,
o IE renova suas perspectivas institucionais, redefinindo
seu papel e organizando suas atividades de formação e de produção
de conhecimentos, em torno de três programas básicos, conforme
descritos por Speller (1995):
• Programa
de Formação do Educador das Séries Iniciais;
• Programa
de Formação do Educador da 5ª à 8ª séries e do segundo grau;
• Programa
de Pós-Graduação.
Foi definido, ainda, que o Programa de Formação seria desenvolvido
gradativamente, sendo as séries iniciais da escola objeto
primeiro de nosso trabalho. Estes encaminhamentos permitiram
que grupos de trabalho fossem constituídos conforme o interesse
de cada professor, além de propiciar uma discussão profunda
sobre as bases da formação a serem propostas, tendo em vista
a clientela a que seria destinada, no caso, professores em
exercício, e a identificação disto com as reais necessidades
do estado, para que os parceiros pudessem ser identificados.
Essa estruturação tem, por princípio, segundo o documento
Programa Interinstitucional de Qualificação Docente (1996,
p.10), “a necessária articulação/interação dos programas
entre si, com o Sistema Público de Ensino e com o Sindicato
dos Trabalhadores da Educação de Mato Grosso e pressupõe as
interrelações entre ensino e pesquisa e teoria e prática que,
reciprocamente (e diferencialmente), estão implicadas nos
processos de formação e de produção de conhecimentos”.
É importante frisar que o projeto da Licenciatura Plena em
Educação Básica, da 1ª a 4ª séries, através da educação a
distância, surge nesse contexto institucional, ou seja, faz
parte de uma política de trabalho do IE e se insere no Programa
de Formação do Educador das Séries Iniciais, cujo desenvolvimento
abrange duas outras modalidades de ensino: Licenciatura
Plena Regular, no campus central de Cuiabá, e Licenciatura
Parcelada, também no interior do estado. Esse programa tem
como objetivo alcançar a meta de, em dez anos, oportunizar
formação, em nível superior, a 10 mil professores do Estado
de Mato Grosso.
Para dar concretude ao projeto de Licenciatura, através da
EAD, foi formado um grupo na UFMT, reunindo não só professores
de todos os cursos de licenciatura da universidade —
Pedagogia, Letras, Artes, História, Geografia, Matemática,
Física, Química, Biologia e Educação Física — mas
também técnicos da Secretaria Estadual de Educação e professores
da Universidade Estadual.
Esse grupo iniciou estudos sobre EAD, no sentido de obter,
não só embasamentos teóricos sobre a modalidade, mas, sobretudo,
de conhecer as experiências de EAD já realizadas no País e
no exterior. Para essa fase, o grupo contou com a cooperação
da Télé-Université du Quebec, da Unesco e de assessores de
outras universidades brasileiras.
Em março de 1993, foi criado o Núcleo de Educação Aberta e
a Distância (Nead), com a participação das três instituições
públicas envolvidas (UFMT, Seduc e Unemat), com o objetivo
primordial de implantar o curso de Licenciatura Plena em Educação
Básica: 1ª a 4ª séries, através da modalidade de EAD, que
já vinha sendo delineado por um grupo de trabalho. Com esse
curso, que se desenvolve através do denominado sistema misto,
que combina ensino presencial e a distância, buscava-se introduzir
formas alternativas de ensino, otimizando os escassos recursos
financeiros e humanos disponíveis no campo da educação no
país.
O curso foi criado pelo Conselho de Ensino e Pesquisa (Consepe)
da UFMT, em novembro de 1994 e, em dezembro desse mesmo ano,
realizou-se o primeiro Vestibular Especial. Inscreveram-se
536 professores das séries iniciais e foram classificados
352, que iniciaram o curso em fevereiro de 1995. Para participar
do processo seletivo, através do Vestibular Especial, o candidato
tem que estar ligado ao Sistema de Ensino de Primeiro Grau,
lecionando nas séries iniciais. Esses alunos fazem parte de
nove municípios do norte do estado, que estão ligados ao projeto
inicial (Colíder, Matupá, Itaúba, Marcelândia, Peixoto de
Azevedo, Nova Guarita, Nova Canaã, Guarantã do Norte e Terra
Nova do Norte) e as vagas foram definidas por proporcionalidade.
A estrutura organizacional e metodológica do curso sustenta-se
sobre três pilares fundamentais de construção do fazer pedagógico
do professor: compreensão do processo educacional, conhecimento
das ciências que embasam o ensino das primeiras séries e sua
prática pedagógica. Para tanto, conta com disciplinas das
áreas de Fundamentos da Educação: Antropologia, Filosofia,
Sociologia, Psicologia e com conteúdos e metodologias relativos
às disciplinas das áreas de Linguagem, Matemática, Estudo
Sociais (História e Geografia) e Ciências Naturais (Física,
Química e Biologia), além da realização de seminários temáticos
que objetivam o desenvolvimento de pesquisa, estudos e reflexões
sobre o sistema educacional, o cotidiano da escola e o fazer
pedagógico dos alunos cursistas.
A fim de que haja uma unidade metodológica na busca de compreensão
da natureza do objeto de cada uma das ciências e da educação
escolar, como prática social, três conceitos básicos perpassam
o currículo e formam o núcleo integrador: a historicidade
(o conhecimento em determinado contexto histórico-social);
a construção (as ciências como resultado de um processo de
construção das relações homem-homem e homem-natureza) e a
diversidade (a diferença de natureza e abordagens dos conhecimentos).
Cada disciplina é trabalhada na perspectiva do conhecimento
específico da ciência em questão e na perspectiva de sua contribuição
para a educação escolar (primeiras séries da escola básica).
Dessa forma, o currículo oferece condições ao professor
para compreender o fenômeno educacional, a partir de sua experiência
em sala-de-aula, permitindo-lhe refletir sobre seu trabalho
docente e construir uma nova prática pedagógica.
Na primeira fase do curso, são oferecidas orientações metodológicas
sobre o processo educativo a distância e desenvolvidos conteúdos
ligados às disciplinas de Fundamentos da Educação, necessários
a uma análise e reflexão da realidade educacional, num total
de 375 horas. Na segunda fase, são ampliados e aprofundados
os conhecimentos sobre as ciências que embasam o currículo
das séries iniciais do primeiro grau e discutidos os procedimentos
metodológicos, para a prática docente. Cada área de conhecimento
conta com um total de 420 horas.
Ao final de cada trimestre, são realizados seminários sobre
o ensino nas primeiras séries, que caracterizam a presencialidade
necessária para debates sobre a realidade educativa escolar,
cuja compreensão implica o estabelecimento de relações que,
em cada disciplina e área, são provocadas pelas ações reflexivas
propostas no estudo dos fascículos. Os seminários possibilitam
aprofundar as discussões relativas ao cotidiano da escola.
Para isso, são definidas, conjuntamente, temáticas que viabilizam
um exercício de diálogo dos licenciados com os autores de
fascículos, os orientadores e a equipe do Nead-Cuiabá, sobre
estudos e análises realizadas, sobre suas ações educativas
e relações com alunos e outros colegas na escola onde lecionam.
Em fase experimental, em razão de se estar implantando um
sistema, cujo funcionamento está em construção por parte das
instituições envolvidas no processo e por ser, ainda, a Licenciatura
em Educação Básica uma experiência não consolidada na UFMT,
o curso tem-se desenvolvido apenas em uma região do Norte
de Mato Grosso, abrangendo os municípios citados há pouco.
A escolha da região norte do estado deu-se em virtude do número
de professores em condições de fazer o curso e, ainda, tendo
em vista que as demais regiões de Mato Grosso possuem “campi”
ligados ou à Universidade Estadual ou à UFMT. O município
de Colíder foi escolhido para sediar o Centro de Apoio, que
está estruturado para garantir ao aluno o suporte administrativo,
pedagógico, cognitivo, afetivo e motivacional necessário ao
desenvolvimento de seus estudos.
No Centro de Apoio estão instalados o Serviço de Orientação
Acadêmica (composto por professores habilitados nas áreas
das disciplinas do curso, residentes na própria região) e
também a Secretaria, a Biblioteca e a Videoteca.
São os orientadores (tutores, conforme denominação comum em
EAD) que dinamizam o curso. Esses orientadores são professores
com formação em pedagogia e/ou licenciaturas, que passaram
por um processo de seleção, de estudos e discussões sobre
a modalidade de EAD, sistemas de aprendizagem e os conteúdos
das disciplinas que compõem o currículo do curso. O material
básico para o desenvolvimento do curso é o escrito, composto
por fascículos, produzidos, em sua maioria, por professores
da UFMT, contando, em alguns casos, com a contribuição de
outras universidades brasileiras. Somente após os estudos,
que serviriam para pré-testar o material produzido, foi iniciada
a orientação, com um papel fundamental na condução da EAD.
Os licenciandos recebem para estudo um fascículo por vez
e contam com um serviço de apoio (telefone, fax e correio),
para o caso de terem necessidade de recorrer ao Serviço de
Orientação Acadêmica, que também pode ser feito presencialmente.
Como o curso é desenvolvido em parceria com as prefeituras
municipais, e a maioria dos professores não tem acesso em
suas casas a telefone, fax etc., as prefeituras colocam à
disposição dos licenciados esses recursos, possibilitando,
assim, a dinamização necessária, quando se trata de EAD. Durante
os estudos dos fascículos, são solicitados aos alunos tarefas
relativas ao aprofundamento de conteúdos e ao estabelecimento
de relações com sua prática pedagógica no cotidiano de seu
trabalho escolar. A realização dessas atividades pelo licenciando
e sua busca do Serviço de Orientação Acadêmica constituem
meios para o acompanhamento de seu processo de formação.
Além da observação e da análise do desenvolvimento do licenciando,
nessa fase de estudo, que é acompanhado de perto pelo orientador
acadêmico, é-lhe solicitada, ainda, a produção de sínteses
variadas, expressas através de textos escritos. A intenção,
com esse meio de avaliação, é verificar em que medida o licenciando
estabelece relações entre as teorias trabalhadas e seu cotidiano.
Conta, também, para efeito de valoração final em cada disciplina,
a participação nos seminários temáticos, realizados trimestralmente,
com características pluri e interdisciplinares. Dessa forma,
a avaliação de aprendizagem processa-se através de três meios:
a) acompanhamento da realização dos estudos e das tarefas,
solicitadas em cada fascículo; b) produção de um trabalho
escrito c) participação em seminário temático. Todas essas
fases são acompanhadas por fichas de registro do desempenho
do licenciando, onde constam critérios para a atribuição de
conceitos. Ao licenciando que não consegue atingir o conceito
mínimo, nos itens a e b, descritos atrás, são dadas mais duas
oportunidades, para refazer seus estudos. Para esse processo
de acompanhamento dos alunos foi criado um “software”,
denominado Sistema de Gerenciamento de Educação a Distância
(Siged), cuja função é agilizar o fluxo de informações e o
registro da vida acadêmica dos alunos do curso (este “soft”
também está em fase experimental e tem sofrido as adequações
necessárias, à medida que o trabalho dos orientadores
se desenvolve).
Por ser um curso através de EAD, o ritmo próprio é uma das
características mais importantes no processo de aprendizagem.
As avaliações são realizadas, ora no Centro de Apoio de Colíder,
ora nos municípios participantes do projeto. O Serviço de
Orientação Acadêmica é permanente, em quase todos os municípios,
facilitando ao aluno o acesso à orientação, uma vez que as
dificuldades de deslocamento na área são inúmeras e os serviços
d
e mídia ainda são precários. Este foi, inclusive, um dos
motivos pelo qual se optou pelo predomínio do material escrito
(os fascículos), como mediador entre alunos e professores.
A comunicação entre o Nead, a UFMT-Cuiabá e o Centro de Apoio
em Colíder dá-se por telefone, fax e por uma ligação bidirecional
entre computadores, além do correio e viagens mensais regulares
de elementos da equipe do Nead a Colíder.
Após esses primeiros anos de implantação, com o material didático,
escrito, revisado, e a produção de um CD-ROM, como texto de
apoio ao curso, o Nead está propondo a expansão da Licenciatura
para outras regiões do Estado. Além disso, pretende usar esse
mesmo material para oferecer cursos de aperfeiçoamento a professores
da rede pública e privada na área de Fundamentos da Educação
e nas áreas específicas das ciências, trabalhadas nas séries
iniciais: Linguagem, Matemática, História, Geografia, Biologia,
Física e Química, buscando, assim, garantir um processo de
educação continuada aos professores do Estado.
A proposta é de consolidar um sistema de EAD na UFMT. Assim,
além de avaliar a implantação da Licenciatura, nos moldes
já descritos, neste ano, o Nead começa uma nova fase de trabalho,
voltada para a incorporação de novas tecnologias aplicadas
a essa modalidade de ensino. Esta é uma nova frente de trabalho,
iniciada há pouco e que, em nossa perspectiva, deverá ser
implantada gradativamente ou à medida que as condições efetivas
para seu desenvolvimento sejam estabelecidas.
O Nead está desenvolvendo, também, um curso de Especialização,
visando a formar professores e técnicos, para atuar no Serviço
de Orientação Acadêmica, dentro da modalidade de AED.
O IE da UFMT está implantado, também, no seu programa de
pós-graduação em Educação Pública, nos níveis de mestrado
e doutorado, uma linha de pesquisa em EAD. O curso de Licenciatura
em Educação Básica tornar-se-á, assim, um campo fértil para
as pesquisas dos pós-graduados, tendo a equipe do Nead como
interlocutora e dinamizadora das discussões teóricas.
Este é, em síntese, o trabalho do Nead. A proposta é de que
o mesmo possa, ao definir as bases essenciais de um
sistema de EAD, diversificar seu trabalho, tendo como pressuposto
fundamental a democratização da educação e o compromisso social
e político de desenvolver formas alternativas de acesso à
mesma, sem, com isto, perder a qualidade do ensino.
Daí a preocupação do IE e do Nead em estarem avaliando, constantemente,
suas política e ações, implementando-as gradativamente e adequando-as,
se necessário.
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Fórum das Licenciaturas, Goiânia, Caderno n.3 p.35-51, 1995.
* Coordenadora no Núcleo de Educação
Aberta e a Distância da Universidade Federal de Mato Grosso.
1 Nossa posição também é a
de relativização desses processos, haveria que se precisar
melhor o entendimento sobre isto. No entanto, como estamos
fazendo uma revisão muito rápida sobre alguns dos pressupostos
da EAD, nos limitaremos a esta indicação. Para uma leitura
mais aprofundada, sugerimos: Martin, Rodriguez et Quintallam,
conforme referência bibliográfica, ao final do texto.
2 Em nossa perspectiva, o denominado
processo de globalização se dá de maneira extremamente diferenciado.