Revista Estudos nº 25

Página Inicial Imprimir Fale Conosco Voltar


Apresentação

Gabriel Mário Rodrigues*

A abertura da discussão sobre diretrizes curriculares, proposta pelo Edital n.° 4/97, da Secretaria da Educação Superior (SESu/MEC), atendendo ao inciso II do artigo 53 da Lei  n.° 9.394/96 (LDB),  traz à tona uma questão recorrente: a rigidez dos antigos currículos mínimos “versus” flexibilização e possibilidade de mudança, tão almejadas pelas instituições de ensino superior do País e tão necessárias à formação do aluno, do cidadão e do profissional.

Com observa Coêlho, “não adianta festejar a possibilidade de flexibilização nos currículos, aberta pela legislação, se as instituições se mantiverem acomodadas às estruturas rígidas, aos controles burocráticos do poder central, aos ritmos e às rotinas, enfim, ao que existe hoje no ensino de graduação. Assim, não estarão produzindo o novo, nem assumindo com lucidez e responsabilidade a fertilidade da dúvida e da incerteza  e os  riscos da criação e da invenção”.

Consciente da complexidade das normas legais, das práticas acadêmicas e das dificuldades de implementação de mudanças e pretendendo ir além da pura e simples discussão da “grade curricular” , da “lista de disciplinas”, que vem caracterizando a maior parte das reformas dos cursos de graduação, a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) fez realizar, no dia 18 de maio de 1999, em Brasília, o seminário “ Diretrizes curriculares: possibilidades de flexibilização e mudanças”.

Os textos, apresentados no seminário e  agora reunidos nesta edição da revista Estudos,  apontam para a necessidade de estabelecer uma nova “mirada” para os currículos, de mudar nossas concepções; de estabelecer uma prática inovadora e transformadora; de rever o   papel e as atribuições das comissões de especialistas e de definir novos parâmetros de qualidade do ensino.

Neste sentido, torna-se necessário que “os currículos ensinem a pensar, abrindo  com e para os alunos a possibilidade  de caminharem no sentido da humanização do homem, das instituições e da sociedade, da definição de objetivos, da construção de utopias e projetos, do tratamento das diversas áreas do conhecimento nas suas dimensões ética e humanística, para o pleno exercício da cidadania e  desenvolvimento das tarefas de natureza profissional”.

Torna-se necessário que as comissões de especialistas façam de seus trabalhos “verdadeiros momentos de orientação e de colaboração e não de fiscalização, como se fossem braços do poder no governo”. “Não é possível admitir-se que as comissões atuem de forma isolada e independente, desligadas da totalidade da vida institucional”.

Os textos destacaram, ainda, a importância de serem estabelecidos indicadores quantitativos exeqüíveis e passíveis de cumprimento, dentro da realidade de cada escola.  “A aplicação desses indicadores evitaria a diversidade com que as comissões de especialistas mudam seus indicadores na Internet”.  Trabalho comparativo das propostas dessas comissões demonstra que “tanto para a titulação, quanto para dedicação docente, observa-se o uso diversificado de critérios e métodos”.

Para possibilitar a leitura e a reflexão das idéias, princípios e propostas contidos nos textos  e  para reforçar o papel da ABMES, como espaço de discussão do ensino de graduação, a ABMES apresenta a todas as suas associadas, aos órgãos do governo e às demais instituições de ensino superior públicas e privadas esta edição da revista Estudos.

* Gabriel Mário Rodrigues é presidente em exercício da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior

 

Topo da Página Topo da página

Esta página foi atualizada em: