Revista Estudos nº 22

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COMUNICAÇÃO SOCIAL*

Procedimentos metodológicos

Os dados para fundamentação das decisões sobre diretrizes curriculares para o curso de Comunicação aqui apresentados foram levantados a partir de documentos do Professor José Marques de Melo, conferencista convidado, e das discussões do grupo de trabalho (GT) sobre Comunicação, reunido durante o Encontro.

Participaram das discussões do GT 24 representantes de cursos de Comunicação de 12 unidades da Federação: Amazonas, Pará, Ceará, Rio Grande do Norte, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.

Ampliação da consulta

Em virtude da escassez de tempo para uma reflexão mais aprofundada sobre o tema, decidiu-se solicitar aos cursos em geral, e particularmente aos que não estiveram representados, assim como às entidades da área de Comunicação que enviem à ABMES, num prazo de trinta dias, suas contribuições para que sejam anexadas ao documento a ser encaminhado ao MEC.

Diretrizes aprovadas

    As diversas profissões da área de Comunicação têm, cada qual, uma identidade, definida por um estilo de reflexão, uma lógica, métodos e práticas que lhes são próprios, o que deve refletir-se claramente nas diretrizes curriculares.

    A formação deve ter um caráter multi e interdisciplinar, exigência decorrente da natureza das profissões de Comunicação e do reconhecimento de que em nossa época estão diluídas as fronteiras artificiais separando campos do conhecimento.

    As diretrizes curriculares devem ser flexíveis, abrindo espaço para a incorporação contínua de novos conhecimentos e práticas, cuja renovação se dá hoje de forma acelerada, e para a participação e iniciativas dos diversos atores do processo de ensino-apredizagem.

    As diretrizes curriculares devem estar organizadas em torno de três eixos de conhecimentos, a saber:

– os conceitos comunicacionais, derivados das teorias da comunicação de massa e da estrutura dos sistemas midiáticos, bem como dos respectivos segmentos ocupacionais, construídos historicamente e em contínua renovação através da reflexão e da pesquisa.

– os processos midiáticos, envolvidos nas atividades de produção, difusão e avaliação dos bens culturais, correspondentes a cada segmento ocupacioanal, envolvendo as linguagens, tecnologias, preceitos legais, métodos de planejamento e gestão e mecanismos de retroalimentação para manter em sintonia as expectativas dos públicos e as estratégias dos produtores culturais e patrocinadores. – os conteúdos culturais, que dão sentido às mensagens implícitas nos bens simbólicos construídos e difundidos pelas indústrias e serviços midiáticos.

    Sem perder de vista a dimensão nacional e global dos fenômenos que se produzem no ambiente social, cuja compreensão e conhecimentos são importantes, os cursos de Comunicação devem estar comprometidos com o estudo da realidade local em seus múltiplos aspectos.

    O conhecimento dos processos e das novas tecnologias de comunicação, derivados da Informática, da Eletrônica e das Telecomunicações é essencial, tanto no que diz respeito à sua aplicação às atividades e meios de comunicação tradicionais quanto aos novos produtos, serviços e mídias.

    É preciso promover a aproximação dos cursos com o mundo do trabalho, através de iniciativas diversas, entre as quais a plena efetivação do estágio, devidamente regulamentado, acompanhado e avaliado.

    É necessário definir medidas e estratégias para superar a separação existente entre os programas de graduação e de pós-graduação. A integração é imperativa para que a graduação se beneficie da reflexão e da pesquisa, não exclusiva, mas predominante na pós-graduação, e esta, por sua vez, oriente sua atuação tendo em conta a realidade do mundo do trabalho na comunicação.

    Deve-se atribuir importância às práticas experiências integradoras, dentre as quais as proporcionadas pela disciplina Projetos Experimentais do atual currículo mínimo do curso de Comunicação.

    Deve-se reconhecer a importância da Ética na formação, cujo objetivo deve ser de proporcionar ao aluno conhecimentos para que possa identificar e equacionar os problemas éticos envolvidos na prática profissional.

    O exercício do magistério na área da Comunicação deve valorizar não apenas os portadores de títulos acadêmicos formais, mas também os profissionais de competência reconhecida (notório saber).

 

* Relatório redigido pelo Professor José Salomão Amorim, da Universidade Católica de Brasília

 

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