COMUNICAÇÃO SOCIAL*
Procedimentos metodológicos
Os dados para fundamentação das decisões sobre diretrizes
curriculares para o curso de Comunicação aqui apresentados
foram levantados a partir de documentos do Professor José
Marques de Melo, conferencista convidado, e das discussões
do grupo de trabalho (GT) sobre Comunicação, reunido durante
o Encontro.
Participaram das discussões do GT 24 representantes de cursos
de Comunicação de 12 unidades da Federação: Amazonas, Pará,
Ceará, Rio Grande do Norte, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Minas
Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul
e Distrito Federal.
Ampliação da consulta
Em virtude da escassez de tempo para uma reflexão mais aprofundada
sobre o tema, decidiu-se solicitar aos cursos em geral, e
particularmente aos que não estiveram representados, assim
como às entidades da área de Comunicação que enviem à ABMES,
num prazo de trinta dias, suas contribuições para que sejam
anexadas ao documento a ser encaminhado ao MEC.
Diretrizes aprovadas
As diversas profissões da área de Comunicação têm, cada
qual, uma identidade, definida por um estilo de reflexão,
uma lógica, métodos e práticas que lhes são próprios, o
que deve refletir-se claramente nas diretrizes curriculares.
A formação deve ter um caráter multi e interdisciplinar,
exigência decorrente da natureza das profissões de Comunicação
e do reconhecimento de que em nossa época estão diluídas
as fronteiras artificiais separando campos do conhecimento.
As diretrizes curriculares devem ser flexíveis, abrindo
espaço para a incorporação contínua de novos conhecimentos
e práticas, cuja renovação se dá hoje de forma acelerada,
e para a participação e iniciativas dos diversos atores
do processo de ensino-apredizagem.
As diretrizes curriculares devem estar organizadas em
torno de três eixos de conhecimentos, a saber:
– os conceitos comunicacionais, derivados das teorias
da comunicação de massa e da estrutura dos sistemas midiáticos,
bem como dos respectivos segmentos ocupacionais, construídos
historicamente e em contínua renovação através da reflexão
e da pesquisa.
– os processos midiáticos, envolvidos nas atividades
de produção, difusão e avaliação dos bens culturais, correspondentes
a cada segmento ocupacioanal, envolvendo as linguagens, tecnologias,
preceitos legais, métodos de planejamento e gestão e mecanismos
de retroalimentação para manter em sintonia as expectativas
dos públicos e as estratégias dos produtores culturais e patrocinadores.
– os conteúdos culturais, que dão sentido às mensagens
implícitas nos bens simbólicos construídos e difundidos pelas
indústrias e serviços midiáticos.
Sem perder de vista a dimensão nacional
e global dos fenômenos que se produzem no ambiente social,
cuja compreensão e conhecimentos são importantes, os cursos
de Comunicação devem estar comprometidos com o estudo da
realidade local em seus múltiplos aspectos.
O conhecimento dos processos e das novas
tecnologias de comunicação, derivados da Informática, da
Eletrônica e das Telecomunicações é essencial, tanto no
que diz respeito à sua aplicação às atividades e meios de
comunicação tradicionais quanto aos novos produtos, serviços
e mídias.
É preciso promover a aproximação dos cursos
com o mundo do trabalho, através de iniciativas diversas,
entre as quais a plena efetivação do estágio, devidamente
regulamentado, acompanhado e avaliado.
É necessário definir medidas e estratégias
para superar a separação existente entre os programas de
graduação e de pós-graduação. A integração é imperativa
para que a graduação se beneficie da reflexão e da pesquisa,
não exclusiva, mas predominante na pós-graduação, e esta,
por sua vez, oriente sua atuação tendo em conta a realidade
do mundo do trabalho na comunicação.
Deve-se atribuir importância às práticas
experiências integradoras, dentre as quais as proporcionadas
pela disciplina Projetos Experimentais do atual currículo
mínimo do curso de Comunicação.
Deve-se reconhecer a importância da Ética
na formação, cujo objetivo deve ser de proporcionar ao aluno
conhecimentos para que possa identificar e equacionar os
problemas éticos envolvidos na prática profissional.
O exercício do magistério na área da Comunicação
deve valorizar não apenas os portadores de títulos acadêmicos
formais, mas também os profissionais de competência reconhecida
(notório saber).
* Relatório redigido pelo Professor José Salomão Amorim,
da Universidade Católica de Brasília